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Quinta-Feira 14.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Coluna

Bingo, o Rei das Manhãs

A busca do artista pelo reconhecimento de sua própria identidade

Postado em 25 de Agosto de 2017 - Danilo Custódio

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Enfim chega às telonas tupiniquins Bingo, o Rei das Manhãs, primeiro longa dirigido por Daniel Rezende, um cara super querido e que entende muito de cinema (tive o prazer de assistir um workshop de montagem com ele durante o FocoLAB aqui em Curitiba). Rezende, que já acumulou uma experiência sinistra atuando como montador em superproduções nacionais e internacionais – como Cidade de Deus, Tropa de Elite, Diários de Motocicleta, Árvore da Vida e o remake do Robocop, só pra citar alguns exemplos – teve o prazer de dirigir uma equipe que não brinca em serviço, formada por uma escalação de grandes profissionais do cinema nacional.

Quem assina a fotografia é Lula Carvalho (Tropa de Elite, Paraísos Artificiais, O Lobo Por Trás da Porta); a direção de arte teve o comando de Cássio Amarante (Abril Despedaçado, Xingu); a trilha sonora é de Beto Villares (O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Abril Despedaçado); e o roteiro é de Luiz Bolognesi (Uma História de Amor e Fúria, Bicho de Sete Cabeças); além de um elenco maravilhoso onde vale destacar não só a performance de Vladimir Brichta, mas também a de Leandra Leal, uma das mais sensacionais e expressivas atrizes brasileiras em atividade.

Bingo é um filme visceral, que nos mostra uma história de queda e superação, de anonimato e redenção. Quem tem mais de trinta e cinco anos, com certeza será conduzido por uma experiência nostálgica. Quem tem menos, conhecerá uma das histórias mais impressionantes da televisão brasileira: a de um pai palhaço na busca pelo reconhecimento de sua arte. Com distribuição da Warner, é garantido que o filme chegará nas principais cidades do país e além. E a diversão é garantida! Bora conferir?

Investimento no cinema sul-mato-grossense

Foram prorrogadas para 13/10 as inscrições para o 1º Edital de Produção de Telefilmes do Mato Grosso do Sul, que conta com aporte financeiro estadual e federal, através da Agência Nacional de Cinema. Podem se inscrever empresas produtoras localizadas em qualquer cidade de Mato Grosso do Sul e o edital encontra-se na página 6 do Diário Oficial. Essa é uma iniciativa da ANCINE, que vem buscando parcerias com governos municipais e estaduais para escoar os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, na intenção de descentralizar o investimento e possibilitar que todos os cantos do país usufruam dos recursos garantidos pelo Condecine. Aqui em Curitiba o edital do Fundo Municipal de Cultura em parceria com o FSA já está aberto e há rumores de que o edital estadual deva ser publicado ainda esse ano.

Enquanto isso, em Brasília

A partir de dezembro desse ano não haverá mais, no Brasil, mecanismos de incentivo no âmbito da Lei Federal 8.685/93, popularmente conhecida como Lei do Audiovisual. Em vigor desde sua assinatura, em 20 de julho de 1993, a lei funciona como um incentivo à indústria audiovisual brasileira e prevê investimentos federais na produção e co-produção de obras cinematográficas e também de infra-estrutura de exibição. A decisão veio do próprio presidente em exercício Michel Temer (que está lá sem ser eleito, vale reforçar), que vetou hoje a renovação da Lei em decisão apoiada por sua equipe econômica. Trata-se de mais um movimento de xeque-mate na produção industrial nacional, que cada vez mais abre espaço para que o capital estrangeiro se aproprie dos lucros de nosso mercado interno. Justo agora, que o cinema nacional vinha se projetando nacional e internacionalmente. Mas o que o presidente quer mesmo é continuar assistindo enlatados hollywoodianos todo final de semana nas telonas tupiniquins...


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