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Sexta-Feira 24.nov.2017

Ano V - Nº 281

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Mundo

Polícia busca jovem de 17 anos suspeito de dirigir van em atentado

Homenagem a vítimas de ataque em Barcelona reúne mais de 20 mil

Postado em 18 de Agosto de 2017   - Redação Semana On

Um dia após o ataque terrorista que deixou ao menos 13 mortos e mais de cem feridos em Barcelona, a polícia catalã busca um suspeito de 17 anos. Identificado na sexta-feira (18) como Moussa Oukabir, ele teria atropelado dezenas de pedestres nas Ramblas, um dos principais pontos turísticos de Barcelona.

Moussa é irmão de Driss Oukabir, 28, outro suspeito. Driss foi detido na quinta ao lado de outras duas pessoas, mas não está claro qual foi sua participação na ataque. Seus documentos foram encontrados na van e teriam sido utilizados para alugá-la. Uma quarta pessoa foi presa nesta sexta. Segundo a polícia, três dos detidos são de nacionalidade marroquina e um é espanhol.

As autoridades espanholas trabalham com a hipótese de que o atentado de Barcelona foi planejado por uma célula terrorista formada por 12 pessoas. Eles estariam ligados também à tentativa de ataque em Cambrils, a 117 km de Barcelona, onde a polícia matou cinco suspeitos depois de um atropelamento. Uma pessoa morreu e seis ficaram feridas.

Os suspeitos vestiam cinturões explosivos falsos, uma tática que visa distrair os agentes de segurança.

Com a morte desses cinco suspeitos e com a detenção de outros quatro, ainda restam três integrantes da célula às soltas, incluindo Moussa Oukabir, informa o jornal local "El País"

Os irmãos Oukabir vivem em Ripoll, na região catalã de Girona, no nordeste. Foram realizadas oito buscas na cidade, incluindo a residência de Driss Oukabir.

Vítimas

Mais de cem pessoas ficaram feridas no atropelamento de Barcelona, 15 delas em estado grave. Há entre os afetados pelo ataque cidadãos franceses, australianos, holandeses e gregos, entre outros. Não há notícias de brasileiros mortos ou feridos.

A primeira vítima identificada foi o italiano Bruno Gulotta, 35, pai de dois filhos -um dos quais levava pela mão no momento da ação, segundo o jornal britânico "Telegraph". Resgatada pela mulher de Gulotta, Martina, a criança sobreviveu.

Outra vítima é a belga Elke Vanbockrijck, segundo a agência de notícias Associated Press. Vanbockrijck, 44, estava de férias em Barcelona com o marido e os filhos.

Uma criança australiana de sete anos está desaparecida, informou seu avô, Tony Cadman, em uma mensagem divulgada por uma rede social. A mãe está gravemente ferida.

O rei Felipe e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, participaram nesta sexta-feira de uma cerimônia em Barcelona em homenagem às vítimas, com um minuto de silêncio na principal praça da cidade. Os aplausos se seguiram por minutos. A multidão gritava "No tinc por" -"Não tenho medo", em catalão.

Tática

Os atropelamentos em Barcelona e Cambrils dão testemunho de que essa estratégia tem se tornado popular entre facções terroristas, como o Estado Islâmico, que reivindicou a ação de quinta-feira nas Ramblas. Não há, por enquanto, evidência de sua participação.

O Estado Islâmico sugeriu em uma edição de sua revista "Rumiyah" que seus militantes utilizassem veículos como arma contra os "infiéis". O material está disponível até hoje na internet.

Foi essa a tática empregada em dois dos mais graves atentados de 2016. Em julho, um caminhão deixou 86 mortos em Nice, na França. Em dezembro, foram 12 mortes em Berlim.

Em 2017, terroristas utilizaram automóveis em três atentados diferentes contra Londres, incluindo o atropelamento na ponte de Westminster em 23 de março, com dois mortos -somados a um policial esfaqueado na sequência diante do Parlamento britânico.

Homenagem a vítimas de ataque em Barcelona reúne mais de 20 mil

Lojas e estabelecimentos abriram normalmente na manhã desta sexta-feira (18) em Barcelona. Uma multidão caminhou em direção à praça Catalunha, onde ao meio-dia (7h de no horário de Brasília) houve um ato cívico em homenagem às vítimas do atentado. A guarda urbana estimou que entre 20 e 25 mil pessoas foram ao local.

A homenagem contou com a presença do rei Felipe 6º, do premiê Mariano Rajoy e da prefeita de Barcelona, Ada Colau, entre outros.

Idiomas de diversos países eram falados antes do minuto de silêncio. Alguns se vestiam com a bandeira da Catalunha e até cartaz com a bandeira do Brasil pode ser visto.

"Não temos medo", gritava a multidão em catalão ("no tinc por", no idioma oficial). A estudante Marianna Baena, 20, puxou coro com "We Are The World", de Michael Jackson e Lionel Richie.

"Não acho que mudaremos, Barcelona nunca muda, especialmente em condições como estas, nós permaneceremos fortes, estamos juntos", disse a catalã, que teve uma amiga ferida no ataque.

Um grupo de muçulmanos levantava cartazes com os dizeres "unidos contra o terrorismo" e "amor para todos, ódio a ninguém". Eles representam a comunidade islâmica Jamaat Ahmadia Del Islam, grupo reformista que se opõe aos fundamentalistas.

"Nascemos aqui, também compartilhamos desta dor", diz o diretor Tarik Ata Rafi, 30. Engenheiro civil de formação, ele deixou a profissão para "difundir o lado bom do islã" em tempo integral. "Temos que fazer isso diariamente, talvez em algum momento seremos mais ouvidos do que eles [os terroristas]."


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