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Ano V - Nº 281

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Comportamento

Pessoas inteligentes são as que mais reforçam estereótipos, diz estudo

No entanto, elas também são mais propensas a reverem suas opiniões

Postado em 14 de Agosto de 2017   - Redação Semana On

Pessoas inteligentes estão mais suscetíveis a aprender e enfatizar estereótipos, afirma novo estudo publicado na Journal of Experimental Psychology: General. Os resultados também mostram que pessoas espertas têm mais facilidade em desconstruir conceitos pré-definidos quando confrontadas com novas informações.

“Habilidades cognitivas superiores são comumente relacionadas com resultados bons e positivos, como conquistas acadêmicas e de mobilidade social”, disse Dadic Lick, pós-doutorando no Departamento de Psicologia da Universidade de Nova York e autor da pesquisa.

“No entanto, nosso diagnóstico mostra que ser inteligente pode ter consequências negativas. Especialmente para as pessoas que detectam padrões fortalecendo estereótipos.”

De acordo com Jonathan Freeman, professor assistente no Departamento de Psicologia da Universidade de Nova York e co-autor do estudo, esses indivíduos também são melhores em mudar suas opiniões quando expostos a padrões que desafiam seus conceitos já existentes.

“Estereótipos são generalizações de características de grupos sociais que são aplicados em membros individuais desses grupos”, afirmou Lick na análise. “Para fazer essas generalizações, as pessoas primeiro precisam detectar um padrão entre os membros e então categorizar um indivíduo pertencente aquele grupo.”

“Como detectar padrões é um componente central da inteligência humana, pessoas com maior habilidade cognitiva podem estar aptas a intensificar estereótipos de grupos sociais”, complementou.

Método da pesquisa

Para comprovar a tese, os pesquisadores realizaram seis experimentos onlines com mais de 1.200 assuntos do Mechanical Turk da Amazon — site que chama pessoas do mundo para participar de pequenas tarefas, como responder estudos científicos.

Os participantes foram colocados para observar rostos masculinos, sendo que alguns tinham narizes grandes e outros pequenos. Além disso, eram atribuídas características a cada face, como comportamento amigável e hostil. Ao fim, os narizes maiores foram associados como pessoas rudes.

Em outra fase do estudo, os pesquisadores selecionaram novos rostos e informaram que os participantes deveriam indicar para qual eles confiaram seu dinheiro. Novamente, eles deram menos quantia para as faces de nariz maior.

O teste final foi sobre estereótipos de gênero: homens foram apresentados como autoritários e mulheres como submissas. Depois os cientistas inverteram as posições, como forma de combate aos estereótipos. Os resultados mostraram que os participantes que tomaram decisões consideradas negativas nos testes anteriores tiveram mais facilidade para mudarem de opinião.


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