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Ano V - Nº 283

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Partidos da base pressionam Temer por cargos de infiéis em votação

Postado em 04 de Agosto de 2017   - Redação Semana On

Partidos da base aliada de Michel Temer que votaram em massa a favor do presidente na quarta-feira (2), derrubando a denúncia da Procuradoria-Geral da República, aumentaram a pressão por cargos ocupados por "infiéis". Eles ameaçam travar a discussão da reforma da Previdência e até retirar apoio ao presidente na votação de uma provável segunda denúncia apresentada pela PGR.

O principal alvo das reclamações é o PSDB, que ocupa quatro ministérios e cargos em escalões inferiores, mas entregou menos da metade de seus 46 votos a favor de Temer.

Horas depois da vitória do governo na Câmara, dirigentes do PMDB e de siglas do chamado centrão mandaram recados ao Planalto para exigir uma recompensa imediata pela fidelidade demonstrada no placar de 263 votos.

Além do partido do presidente, o bloco formado por PP, PR, PSD, PTB, PRB e outras legendas reclama de "sinais trocados" enviados pelo Planalto nos últimos dias, que demonstrariam um recuo em promessas de reorganização dos cargos ocupados pela base.

Essas siglas alegam que votaram por Temer sob a condição de que teriam suas demandas atendidas de imediato. Parte delas, inclusive, ameaça abrir processos internos para punir quem se posicionou contra o presidente.

O PR quer, por exemplo, indicar aliados de Magda Mofatto (GO), que votou a favor do presidente, nos cargos hoje ocupados pelo deputado Delegado Waldir (GO), que se manifestou contra Temer. Os caciques do PP, em que o apoio ao presidente foi de 85%, reclamam que o Planalto liberou "milhões" em emendas para Waldir Maranhão (MA) e ele votou contra Temer.

Já o Podemos negociou nomeações para as diretorias de Administração e Saúde Ambiental da Funasa.

Nos bastidores, os partidos da base afirmam que, se não forem atendidos, vão interditar o debate sobre a reforma da Previdência, bandeira prioritária de Temer após a superação da denúncia no plenário da Câmara. Dirigentes do centrão tratam como "piada" a tentativa do governo de retomar essa discussão antes do pagamento dessas faturas.

Na quinta (3), Temer consultou líderes da base sobre a possibilidade de iniciar a votação do projeto na primeira quinzena de setembro e finalizá-la na Câmara e no Senado até o final de outubro. Há resistências entre deputados governistas tanto em relação ao conteúdo como ao calendário. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse a aliados que será necessário "muito esforço" para cumprir o cronograma.

Nas conversas desta quinta, Temer reconheceu a necessidade de reorganizar a base antes dessa votação.

O presidente cobrará fidelidade dos partidos governistas e pretende retirar cargos de segundo e terceiro escalões de deputados infiéis. Contudo, para garantir o apoio do PSDB e do PSB, que ficaram rachados na votação, o governo não pretende fazer mudanças na cúpula da Esplanada dos Ministérios.

Demissões

A pressão está surtindo efeito e o governo já começou a demitir aliados de deputados 'infiéis', como o superintendente do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Santa Catarina: punição ao deputado Jorginho Mello (PR-SC), que votou contra o presidente. O engenheiro Vissilar Pretto ocupava o comando do órgão desde abril de 2014, apadrinhado por Mello. A portaria com a exoneração do superintendente foi publicada nesta sexta-feira (4) no Diário Oficial da União.

Dos 39 deputados do PR, nove votaram contra o relatório que recomendava a rejeição da denúncia –ou seja, votaram contra Temer. Jorginho Mello foi um deles. "Sou a favor de toda e qualquer investigação. Peço vênia a meu partido e voto não ao relatório", declarou o deputado no plenário na quarta-feira.

O PR comanda o Ministério dos Transportes e distribuiu as superintendências regionais do Dnit entre seus parlamentares. O órgão realiza obras em estradas, consideradas um ativo eleitoral importante para muitos deputados. Mello é o único deputado do PR em Santa Catarina. Ele participava de inaugurações e vistorias ao lado de Pretto, e divulgava notícias que vinculavam seu nome às ações do Dnit no Estado.

Caça às bruxas

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do governo, fará um levantamento dos dissidentes para saber o tamanho real da base aliada. Mas ressalvou que não se trata de “caça às bruxas”.

Um em cada quatro deputados de partidos que detêm ministérios no governo votou contra Temer. As nove legendas da base com ministros somam 313 deputados. Desses, 75 (24%), votaram a favor da continuidade da denúncia contra Temer.

Na avaliação de Mansur, os partidos que se mantiveram mais fiéis ao presidente têm que ser privilegiados, mas ele não explicou se isso implicaria na redistribuição de cargos no governo. “Eu acho que precisamos, sim, valorizar quem esteve conosco nessa votação. Essa base que está conosco tem que ser privilegiada, mas não vamos desprestigiar quem eventualmente votou contra o presidente”, afirmou. “Fazer uma análise não é caça às bruxas de jeito nenhum”, acrescentou.

Deputados do Centrão, que reúne legendas médias e pequenas na Câmara e foi o principal fiador da vitória de Temer, cobram um redesenho ministerial para que o grupo ganhe mais espaço na Esplanada, com redução da presença do PSDB. Embora comandem quatro ministérios, os tucanos se dividiram: 22 deputados votaram pró-Temer e 21 contra.

Mansur defendeu uma reaproximação com a sigla, de olho em votações futuras. “É lógico que queremos o PSDB junto. Não tem que brigar com ninguém nessa hora, não tem que ficar retaliando absolutamente ninguém”, afirmou.

Mansur explicou que passará o fim de semana debruçado sobre a planilha de votação. “Temos que fazer uma análise global da nossa base e saber qual é o tamanho, para que a gente possa conversar com partidos. É uma questão de fazer análise e olhar para a frente”, disse, citando temas da pauta da Câmara, como a reforma da Previdência, que exigirá uma base coesa no plenário para aprovação.


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