Semana On

Quinta-Feira 19.out.2017

Ano V - Nº 275

Super Banner na capa e em toda a revista

Mundo

Polícia da Venezuela coloca opositor Ledezma de volta em prisão domiciliar

Órgão eleitoral da Venezuela diz que acusação de fraude é irresponsável

Postado em 04 de Agosto de 2017   - Redação Semana On

O ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, um dos principais opositores ao presidente Nicolás Maduro na Venezuela, foi colocado novamente em prisão domiciliar após ter sido levado pelo serviço de inteligência do país na última terça (1º). A informação foi dada pela mulher de Ledezma, Mitzy Capriles, na conta de Twitter do opositor.

Segundo Mitzy, Ledezma disse ao entrar no apartamento que voltava "com a angústia de que Leopoldo e mais 600 presos políticos sigam atrás das grades", se referindo a Leopoldo López, também preso na terça.

Fraude

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, Tibisay Lucena, disse que a denúncia de que houve manipulação no resultado da Assembleia Constituinte é "irresponsável" e "sem fundamento".

A empresa responsável pelo processo de votação da Constituinte venezuelana afirmou que o número sobre o comparecimento de eleitores às urnas foi manipulado pelo governo. "É uma afirmação irresponsável com base em estimativas sem fundamentos", disse Tibisay.

Segundo o CEO da Smartmatic, Antonio Mugica, os resultados registrados pelos sistemas da companhia e os relatados pelo Conselho Eleitoral Nacional (CNE) da Venezuela indicam "sem qualquer dúvida" que os números de participação oficial na eleição foram inflados. "Nós estimamos que a diferença entre a participação de fato e a anunciada por autoridades seja de ao menos 1 milhão de votos", disse Mugica em Londres.

Segundo o governo venezuelano, mais de 8 milhões de pessoas (41,53% do total de eleitores do país) votaram a Constituinte. O número é contestado por opositores, que dizem que o processo é concebido para dar ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, poderes para suprimir o Congresso dominado pela oposição.

A Smartmatic foi criada pelos venezuelanos e começou a fornecer equipamentos de votação em 2004 durante a Presidência de Hugo Chávez. Atualmente a empresa fornece tecnologia eletrônica de votação para vários países.

De acordo com Mugica, a companhia conseguiu detectar a manipulação por causa do sistema eleitoral automatizado da Venezuela e uma auditoria permitirá conhecer a quantidade exata de participação. Segundo ele, o sistema desenvolvido pela empresa foi concebido para "revelar qualquer manipulação de resultados".

Contudo, segundo Mugica, os números produzidos por este sistema "podem ser ignorados pelas autoridades, que podem anunciar números errôneos no lugar". Por isso, o CEO ressaltou a necessidade de auditorias pelos partidos de oposição para validar os números proclamados.

Durante a eleição da Assembleia Constituinte, "a oposição não participou" no controle dos números, disse Mugica.

-

CONSTITUINTE VENEZUELANA
Votação convocada por Maduro é questionada pela comunidade internacional

Manobras do governo
- Dividiu as cadeiras da Constituinte por voto territorial e setorial
- No voto territorial, cidades menores (mais chavistas) tiveram mais peso que as grandes cidades
- No voto setorial, a divisão por associações de classe foi definida pelo chavismo

Indícios de fraude
- Empresa responsável pela votação afirma que resultado foi manipulado
- Segundo a companhia, o governo inflou os números em pelo menos 1 milhão
- O CNE não havia detalhado o resultado, como o número de votos nulos
- Tampouco foi divulgado o número de votos de cada membro eleito da Constituinte

REAÇÕES

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, disse que pedirá à procuradoria investigação sobre as acusações de que o número oficial de comparecimento às urnas foi inflado.

Borges diz que as informações divulgadas pela Smartmatic fornecem "confirmação completa" do que a oposição e analistas independentes já suspeitavam. "Era óbvio que os resultados eleitorais do regime eram falsos", disse Borges. "As revelações de hoje aumentam a evidência de que a eleição da Assembléia Constituinte foi a maior fraude eleitoral na história venezuelana".

O reitor do CNE Luis Emilio Rondón, alinhado à oposição, exigiu uma auditoria para esclarecer a denúncia. "O CNE deve responder com seriedade ante o país sobre a denúncia que a Smartmatic realizou sobre manipulação das cifras de participação", disse Rondón em uma rede social.


Voltar


Comente sobre essa publicação...