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Quinta-Feira 03.dez.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Detetives do Prédio Azul - DPA

O cinema brasileiro para o público infantil

Postado em 21 de Julho de 2017 - Danilo Custódio

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Nos anos 90, após o desmanche da cultura promovido pelo então presidente Fernando Collor de Mello, o cinema nacional quase morreu. Durante sua retomada de 94 em diante, uma de suas principais estratégias para recuperar seu público infantil – que a essa altura já estava sendo formado para apreciar unicamente o mercado hollywoodiano – foi a aproximação com a TV. Muitos artistas da telinha, como a Xuxa, Os Trapalhões, a Angélica e muitos outros, passaram a produzir também conteúdo para a telona. Vinte anos depois, vivemos uma realidade parecida, onde o cinema procura se aproximar de artistas que se projetaram em uma telinha ainda menor, que cabe no nosso bolso e que fazem sucesso com seus canais na internet.

Mas a TV, que vem produzindo muito conteúdo infantil interessante, chega novamente pedindo licença para tentar seu espaço nos cinemas. Detetives do Prédio Azul, que teve sua oitava temporada exibida no Mundo Gloob no final do ano passado, acaba de ganhar sua primeira versão para as telonas. O filme conta com a direção de um de seus criadores: André Pellenz, que já emplacou no passado recente o sucesso de bilheteria Minha Mãe é uma Peça: O Filme. Pena que em sua versão para o cinema, Detetives do Prédio Azul não demonstre nenhum interesse em propor algo novo, mantendo-se dentro dessas fórmulas que sempre agradam o público infantil, que é o mais cativo de todos e está sempre disposto a explorar o fantástico com aquele olhar inocente de criança.

A representatividade feminina no cinema

Uma das questões mais urgentes discutidas atualmente no universo do cinema é o espaço das mulheres no comando daquilo que se produz de conteúdo. Sabemos que o cinema ainda é um espaço que reflete dentro de si a mesma sociedade machista e discriminadora que existe fora dele e muitos são os movimentos que lutam para reverter essa realidade. Durante o 6º Olhar de Cinema – CIFF, na intenção de entender melhor sobre essa questão, participei da oficina Para além do Teste Bechdel: a representação das mulheres no cinema. A proposta era discutir, a partir de conceitos-chave da teoria fílmica feminista, revisitando pensadoras como Laura Mulvey, Teresa de Lauretis e Bell Hooks, como a presença da mulher no cinema vem sendo lida não apenas por uma cinefilia machista, mas pelo próprio pensamento feminista. Foi uma experiência enriquecedora do ponto de vista do realizador masculino que sou, que continua reverberando dentro de mim através de reflexões de como representar em meus filmes personagens como a minha própria mãe, por exemplo. Nesse sentido, convido você para também refletir sobre essa representação, partindo de uma leitura fílmica dos 50 filmes mais influentes dirigido por mulheres de todo o mundo.

Movimento em defesa da UNILA

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) está ameaçada por mais um desmanche da educação pública promovida pelo estado do Paraná. Com o objetivo de defender a manutenção da Lei de Criação da UNILA, bem como sua identidade e sua missão de formar sujeitos aptos a contribuir com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina, criou-se uma petição pública pela supressão da Emenda Aditiva, de autoria do deputado federal Sérgio Souza (PMDB/PR), à Medida Provisória nº 785/2017, que propõe a conversão da UNILA em UFOPR – Universidade Federal do Oeste do Paraná. Não podemos permitir que um projeto de educação integrado para toda a América Latina morra diante dessa crise de interesses políticos na qual estamos inseridos. Assine você também a petição e colabore na luta pela manutenção desse projeto educacional tão lindo que é a UNILA.

George Romero morre aos 77 anos

O colaborador favorito de Stephen King – de acordo com o próprio escritor – partiu para o mundo dos mortos no último dia 16. Romero lutava contra um câncer e estava em tratamento domiciliar ao lado da esposa e filha, quando veio a óbito. Conhecido por reinventar o “filme B”, aquele feito quase sem grana e pouquíssima estrutura, o cineasta nova-iorquino se popularizou escrevendo e dirigindo filmes de apocalipse zumbi, que foram exibidos nas telonas de todos os cantos e conquistaram milhões de fãs ao redor do mundo. Para nós, fica o seu legado, imortalizado na película e no imaginário do espectador amante desse gênero, que se tornou um dos mais populares nichos do mercado cinematográfico da atualidade.

Enquanto isso, em Brasília...

Mesmo que o antigo ministro interino da Cultura, João Batista Andrade, tenha indicado Debora Ivanov para ocupar a cadeira de Presidente da ANCINE, quem assume o cargo é o jornalista Sérgio Sá Leitão, indicado pelo próprio Michel Temer. Não quero entrar aqui no mérito da escolha, anunciada pela Presidência da República na última quinta (20), porque não se trata de competência de gestão, mas sim do interesse desse governo ilegítimo ao longo de sua gestão. Na época em que Sérgio Sá Leitão foi diretor da RioFilme, ele articulou um movimento contra um determinado grupo de cineastas cariocas independentes. Uma troca de e-mails do governo prova que ele sugeriu "enquadrar", "isolar" e "tirar a base de apoio" desses realizadores. Uma atitude nada democrática e completamente condenável para um gestor público. A análise deve partir do ponto de vista do financiamento promovido pela RioFilme, cuja gestão de Leitão foi marcada por autoritarismo, perseguição e favorecimento ilícito. Nesse período, de acordo com o Deputado Federal Jean Wyllys, “57% do dinheiro investido pela Riofilme foi feita por escolha direta da diretoria (sem edital ou comitê de seleção) e cerca de 40% foi investido em apenas 10 (grandes) produtoras”. Ao meu ver, trata-se de mais uma manobra para colocar o recurso público, que nesse caso é aquele destinado as produções cinematográficas brasileiras, nas mãos do setor privado de grande porte, nacional e internacional. Uma manobra que vai na contramão do investimento pesado que vinha sendo feito em produtoras independentes de todas as regiões do país. Com Sérgio Sá Leitão, não existe democratização do acesso ao audiovisual e nosso cinema tende, mais uma vez, a se tornar uma ferramenta de alguns poucos brancos burgueses.


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