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Ano VIII - Nº 363

Coluna

Cavalo Pantaneiro: símbolo regional de resistência

Raça tornou-se resistente por sua capacidade de se adaptar às características da maior planície alagável do mundo.

Postado em 25 de Abril de 2014 - Fabio Pellegrini

Monumento Guaicuru, de Anor Mendes, no Parque das Nações Indígenas. Monumento Guaicuru, de Anor Mendes, no Parque das Nações Indígenas. Foto: Fabio Pellegrini
Monumento Guaicuru, de Anor Mendes, no Parque das Nações Indígenas. Carga de cavalaria guaicuru, de Jean-Baptiste Debret. Reprodução Capacidade de pastar embaixo d’água é uma característica especial. No julgamento da raça especialistas avaliam características morfológicas. Na Prova de Laço, esporte muito praticado no meio rural, o cavalo pantaneiro se destaca. Leilões comprovam o crescimento da raça no mercado. Pela docilidade, o Cavalo Pantaneiro é o mais adequado para o turismo. Um dos vencedores do julgamento da raça em 2013.

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Ao longo dos dias 22 de abril a 3 de maio o fotógrafo sul-mato-grossense Fernando Barros está realizando uma exposição de fotografias que tem como tema o Cavalo Pantaneiro. As fotos estão expostas no auditório da Acrissul, em Campo Grande, e o acesso é gratuito.

Nascido e criado no Pantanal, Fernando sabe muito bem da importância desta raça, que assim como o homem pantaneiro, teve a capacidade de adaptar-se ao ciclo de cheia e seca imposto pela natureza nessa planície de pouco mais de 120 mil km2 divididos entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia.

A raça tem origem hispânica, introduzidos nas Américas pelos exploradores europeus nos idos da colonização. Passou um processo secular de adaptação face às características geográficas do Pantanal e se tornou a raça mais adequada para a lida no Pantanal, desenvolvendo ainda a capacidade de pastar debaixo d’água, durante as cheias sazonais da maior planície alagável do mundo.

No pretérito, os indígenas da etnia Guaicuru, destacaram-se pela sua habilidade em utilizar os cavalos em seus combates a outras etnias e a invasores. A cena foi imortalizada em gravura de Jean-Baptiste Debret entitulada “Carga de cavalaria guaicuru”, a qual retrata um guerreiro indígena montado lateralmente em um cavalo a pleno galope.

A raça tem origem hispânica, introduzidos nas Américas pelos exploradores europeus nos idos da colonização.

No Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, o monumento “Guerreiro Guaicuru”, de autoria de Anor Mendes, homenageia a etnia e, consequentemente, o animal.

De acordo com a pesquisadora Sandra Santos, da Embrapa Pantanal, um dos principais motivos para a conservação do Cavalo Pantaneiro é o seu valor genético. Estudos realizados por Sandra e outros cientistas demonstram que a raça tem excelente funcionalidade no trabalho de campo: resiste a longas caminhadas, ao calor e é excelente nadador.

O Cavalo Pantaneiro vem se destacando em provas de enduro, de rédeas e no  laço comprido. O maior valor já pago por um animal dessa raça foi R$ 170 mil, pela égua Herança da Promissão, que tornou-se conhecida nacionalmente na abertura da novela Paraíso, da Rede Globo de Televisão.

A raça Pantaneira só não chegou a ser extinta devido ao esforço de alguns criadores e interessados pela raça que se mobilizaram e fundaram, em 1972, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro.

O Cavalo Pantaneiro vem se destacando em provas de enduro, de rédeas e no  laço comprido.

Em Mato Grosso do Sul, a Associação de Criadores de Cavalo Pantaneiro de MS (ACCP-MS) realiza anualmente o julgamento, a prova de laço e o leilão, durante a Expogrande, para difundir e contribuir para a conservação da raça.

O presidente da entidade, Vicente Jurgielewicz, explica que vem crescendo em preferência nas fazendas: “A raça está em franca expansão devido a sua resistência para a lida no Pantanal e no planalto, com destaque ainda em provas equestres. O Cavalo Pantaneiro tem os cascos mais resistentes, capacidade de superar as áreas alagadas, maior capacidade pulmonar e tração anterior”.

Na fazenda Nhumirim, campo experimental da Embrapa Pantanal na região pantaneira da Nhecolândia, existem mais de 70 exemplares da raça registrados. Lá são feitas pesquisas em manejo, melhoramento genético e sanidade, com tecnologias transferidas aos produtores para conservação e aumento da qualidade da raça.

Para tal, é fundamental necessário que os animais sejam mantidos o mais próximo possível do seu ambiente natural, alimentando-se de capim nativo, como fizeram ao longo ds séculos, apesar da pressão do mercado mundial em se intensificar os métodos de criação aplicando pastagens exóticas. Daí mais um motivo para a necessidade de se manter o Pantanal preservado.


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