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Quarta-Feira 27.mai.2020

Ano VIII - Nº 394

Legislativo

Câmara inicia debate para criação do Sistema Municipal de Acessibilidade e Mobilidade Urbana

Sociedade Civil se reuniu para trocar experiências sobre o projeto

Postado em 29 de Junho de 2017 - Redação Semana On

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Os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande deram início às discussões para a criação do Sistema Municipal de Acessibilidade e Mobilidade Urbana. Reunindo representantes de diversos segmentos, a Casa de Leis realizou nesta semana, na Arena do Horto Florestal, mais uma edição do projeto Câmara Participativa, que teve como objetivo principal ouvir as demandas de quem depende dos recursos da acessibilidade para se locomover.

“Campo Grande precisa se planejar para o futuro. Temos ruas, calçadas, ciclovias e um trânsito não oferecem acessibilidade e mobilidade urbana. Aqueles que mais precisam sofrem muito. No centro, há locais sem rampa, guia elevada, ciclovias que não dão acesso a outras ciclovias. Nosso transporte coletivo precisa se adaptar a essa realidade, ainda mais em um momento como hoje, já que estamos ficando com mais idosos”, observou o vereador Delegado Wellington.

O objetivo da Câmara Participativa é promover discussões sobre uma série de assuntos, que, por sua vez, resultarão em audiências públicas e projetos de lei que contemplem a população. Hoje, a reunião ofereceu recurso de audiodescrição para deficientes visuais, feito por Cândida Abes, e contou também com os intérpretes de libras Gislaine Nunes e Marcelo Ramires, da Central de Interpretação de Libras da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, para os deficientes auditivos.

Para a presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, Rosana Martinez, o Sistema deve ser construído baseado em um tripé: diagnóstico, planejamento e calendário de execução. “Mobilidade e acessibilidade não são uma coisa pontual, mas um conjunto de coisas. Se faltar um único item na acessibilidade, como a guia rebaixada, por exemplo, ou o transporte adaptado, você compromete toda a mobilidade da pessoa que tem mobilidade reduzida. A acessibilidade é para todo mundo e global. Temos caminhado muito em Campo Grande nessas questões, falando de acessibilidade estrutural, mas muito precisa se fazer. Nossas políticas públicas estão sendo trabalhadas por demanda, agenda emergencial. A gente precisa desse Plano Municipal de Acessibilidade e Mobilidade Urbana”, defendeu. 

 Já a presidente da Codiped (Comissão dos Idosos, das Pessoas com Deficiência e da Acessibilidade) da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, Rita de Cássia Luz, defendeu mais respeito a autonomia das pessoas com mobilidade reduzida. “Nós, pessoas com deficiência, temos que ter uma visibilidade maior perante a sociedade. O respeito a autonomia e independência não é um favor, e precisamos nos atentar. Muitos não tem condição de usar um automóvel e fazem uso do ônibus coletivo, mas a dificuldade é muito grande. Temos que reivindicar e buscar nosso lugar na sociedade, pois somos pagadores de impostos e temos esses direitos. Nosso grito é para que nos vejam e percebam que podemos, sim, contribuir para a sociedade”, afirmou.

O vereador Eduardo Romero reconheceu que, nos últimos cinco anos, a Câmara Municipal tem avançado nas legislações sobre o assunto. No entanto, reconheceu que ainda há muito que conquistar. “Sabemos que há, ainda, muitas dificuldades: orçamentárias, culturais e políticas. O desafio para a sociedade é olhar para a pessoa com deficiência como uma pessoa normal, simples. Quando discutimos mobilidade urbana, discutimos apenas o direito de ir e vir. Já avançamos bastante com legislações, mas ainda sonhamos com mais avanços. Talvez esse seja o evento mais emblemático desses cinco anos. É a primeira vez que sociedade civil, Executivo e Legislativo estão juntos, chamando atenção dos poderes e da sociedade. Queremos encontrar alternativas a curto, médio e longo prazo”, discursou.

A presidente da Associação de Mulheres com Deficiência de Campo Grande, Mirella Ballatore, lembrou que acessibilidade é para todos, não só para pessoas com deficiência. “Já deveria estar na cabeça dos governantes que acessibilidade é para todos nós, ninguém está livre de precisar da acessibilidade, seja a deficiência provisória ou permanente. Não somos minorias, somos cidadãos que pagam impostos caríssimos. Nossos representantes deveriam nos representar de fato”, clamou.

Representando a Associação dos Ostomizados, Lana Flores cobrou adequações nos terminais e, principalmente, nos banheiros das praças de Campo Grande. “Pedimos, pelo menos, um banheiro adaptado nas praças, pelo menos em uma praça, e nos terminais de ônibus. Todos os dias temos relatos das pessoas com bolsa, quando descem nos terminais, os banheiros não são adaptados. Para descartar dejetos, temos que nos ajoelhar até o vaso, ou ter uma reserva de bolsa, colocar no saquinho e desprezar. Esse produto que usamos é caro para descartara várias vezes ao dia”, lamentou.

Deficiente visual, Márcio Silva representou o Ismac (Instituto Sul-mato-grossense para Cegos) e cobrou mais atenção do poder público com os deficientes. “Não olhem apenas para os deficientes ou pessoas que estiveram aqui, mas olhem para dentro de cada um. Todos nos encontramos, independentemente das deficientes, em uma situação de deficiência ou ineficiência. Cada um de nós temos nossas próprias mazelas, e vocês não são diferentes, principalmente vocês que foram escolhidos pelos eleitores para serem aqueles que vão representá-los dentro das suas necessidades”, afirmou.

Já o subsecretário da Secretaria de Defesa dos Direitos Humanos, Ademar Vieira Júnior, o Coringa, afirmou que a criação do Sistema é um “sonho antigo” da pasta. “É o sonho de todo cidadão campo-grandense alcançar esses objetivos. Essa é a primeira de muitas reuniões que vão acontecer. Tenho certeza que vamos desenvolver esse plano municipal, que é um sonho da subsecretaria”, discursou.

O diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Janine Bruno, garantiu que a Prefeitura deverá implantar semáforos com alerta sonoro, voltado para deficientes visuais. “Vamos partir do zero para recomeçar a construção total. Estamos partindo do básico e vamos reconstruir a parte de semáforos, atualizar. Estamos com muita coisa antiga. Já lançamos semáforos sonoros, e os próximos já serão implantados assim. Claro que não vamos conseguir a cidade inteira, mas onde tem o maior fluxo de pessoa. Nos ônibus, estamos devendo muito pra sociedade e temos que avançar. Nos terminais, são projetos antigos que não atendem um monte de normas. Estamos em um novo momento, um bom momento, e o plano é importantíssimo para entrelaçar todas as secretarias, dar um norte”, afirmou.


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