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Quinta-Feira 06.ago.2020

Ano IX - Nº 404

Entrevista

Entrevista: Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico

Projetos parados, 110 consultas de empresas ao Prodes empacadas, produtores de orgânicos com certificados perdidos. Paradeira da era Bernal ainda atravanca o município.

Postado em 25 de Abril de 2014 - Victor Barone

Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Foto: Erônemo Barros
Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Edil Albuquerque, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico

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Edil Albuquerque assumiu a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e do Agronegócio (Sedesc) – que capitaneou durante o governo Nelson Trad Filho - com o desafio de retomar projetos e ações que ficaram parados durante a gestão do prefeito cassado Alcides Bernal, e que agora tornam a ser encaminhados, com intuito de promover o desenvolvimento econômico de Campo Grande.

 

Por Victor Barone

A Sedesc é uma secretaria estratégica. Engloba geração de emprego, desenvolvimento econômico, turismo e agronegócio. Como o senhor a encontrou ao reassumi-la no mandato Gilmar Olarte?

Parada. Não houve evolução. Demoraram muito (a gestão do ex-prefeito cassado Alcides Bernal) para nomear um secretário para esta pasta. Como consequência, travou tudo. Todos os projetos que estavam em andamento pararam. Depois, quem assumiu não tinha o conhecimento necessário para fazer andar a máquina.

E qual a consequência disso?

Preocupante. Para você ter uma ideia, 110 empresas que entraram com carta consulta no Programa de Desenvolvimento Econômico e Social (Prodes) estavam com os processos totalmente parados. Isso significa cerca de oito mil empregos diretos e indiretos e mais de 800 milhões em investimentos empacados por falta de andamento. Estamos retomando os contatos com todas estas empresas para que os processos voltem a andar.

Que medidas estão sendo tomadas para retomar a atração de empresas para Campo Grande?

Além da reestruturação da Sedesc, o prefeito Gilmar Olarte criou um grupo de trabalho para estudar e identificar novas áreas para implantação de polos empresariais, para oferecer mais opções aos empresários que aqui queiram se instalar. Se a cidade não cresce não tem oferta de empregos. Há toda uma retomada estratégica. Como consequência, por exemplo, posso anunciar que está vindo para cá uma das maiores lojas de produtos esportivos do Brasil: a Decathlon.

Mais de cem empresas que entraram com carta consulta ao Prodes estavam com os processos parados. Isso significa cerca de oito mil empregos diretos e indiretos e mais de 800 milhões em investimentos empacados por falta de andamento.

Em que pé está a construção da 1ª Fábrica de equipamentos eletrônicos de Campo Grande?

Está bem evoluído. Já foi aprovado pela Câmara. A Prefeitura fez a limpeza do terreno nesta semana e a empresa entra com a terraplanagem nos próximos dias. O grupo paranaense Uninter Informática S/A recebeu incentivos do Prodes, como a doação do terreno (no polo empresarial Nelson Benedito Neto - saída para Aquidauana) e abatimento de impostos locais. Serão investidos R$ 147 milhões para construção de uma área de 20 mil metros quadrados, gerando 300 empregos diretos, sendo que 80% das vagas serão para técnicos. A previsão para conclusão do empreendimento é de oito meses. Serão produzidos tablets, notebooks e netbooks, desktops e smartphones.

Outro importante projeto gerenciado pela Sedesc, que recebeu encaminhamento imediato após a sua posse, é o Cidade dos Ônibus. Vai sair do papel?

Sim. Já recuperamos o processo do loteamento. Até a semana que vem o cartório terá condições de fornecer as matrículas de cada uma das áreas que, por intermédio do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Codecon), serão doadas para as empresas investirem e construírem suas garagens. O investimento será de R$ 50 milhões, com geração de 1,5 mil empregos. Além de centralizar os serviços das empresas que atuam no transporte intermunicipal e interestadual de passageiros, o projeto tem a preocupação de retirar da região central cerca de 600 veículos que trafegam diariamente. A área na qual funcionará o empreendimento está localizada no macroanel rodoviário, nos fundos das Moreninhas e foi doada por um empresário, com intuito de oferecer apoio ao desenvolvimento da região. Neste caso, a Prefeitura de Campo Grande participa com os incentivos fiscais. A Cidade dos Ônibus abrigará as 19 empresas de transporte em funcionamento na cidade. Até o momento 17 confirmaram participação. Parcerias importantes com a Petrobras, que construirá um posto de combustível para abastecimento de todos os veículos, e com o Sest/Senat, oferecendo atendimento social e capacitação aos trabalhadores, já foram firmadas.

O que garante que estas empresas investirão após tomarem posse das áreas?

Todas as escrituras terão cláusula de reversão. Caso os empresários não invistam, o terreno volta para o município. Todas as doações de áreas feitas por intermédio do Prodes possuem esta cláusula. Se o empresário não cumpre o que prometeu lá na carta consulta, o município pega o terreno de volta e não tem obrigação de ressarcir investimentos. A escritura é dada mediante um pacto de desenvolvimento via Banco do Brasil e outros bancos de fomento.

Todas as doações de áreas feitas por intermédio do Prodes possuem esta cláusula. Se o empresário não cumpre o que prometeu lá na carta consulta, o município pega o terreno de volta.

Outro empreendimento que ficou emperrado no governo Bernal foi o 1º Shopping Outlet da região Centro-Oeste...

Absurdo. O grupo veio se instalar em Campo Grande e não encontrou interesse da administração municipal passada em tocar o projeto. A vinda do empreendimento do grupo Rivercom só foi possível com apoio do governo do Estado, que doou a área localizada no minianel rodoviário (saída Aquidauana/Sidrolândia). Ainda bem que não perdemos este investimento, cerca de R$ 50 milhões na construção de um shopping que inicialmente abrigará 65 lojas, sendo quatro âncoras.  Deve ser inaugurado até o 1º semestre de 2015, com previsão de 700 empregos diretos gerados e 1.500 indiretos. São quase 19 mil metros quadrados de área construída, estacionamento para 800 veículos e estimativa de faturamento inicial em R$ 180 milhões anuais. O segmento de vendas outlet objetiva a venda no varejo, levando ao consumidor produtos vindos direto da fábrica. Com a redução de custos com propaganda, manutenção e redes varejistas, é possível oferecer produtos com um preço muito mais atrativo (entre 50% e 70% mais baixos).

Um dos programas mais importantes da Sedesc durante a gestão do prefeito Nelson Trad Filho foi o fomento da produção de orgânicos. Houve continuidade?

A produção de orgânicos, que cresceu 36% no Brasil no último ano, despencou aqui em mais de 70% na gestão passada. A administração anterior não deu continuidade ao trabalho. Como resultado, os pequenos produtores, que para produzir orgânicos precisavam de assistência técnica da Prefeitura, perderam suas certificações. É gravíssimo. A oferta destes produtos caiu drasticamente. Estamos recuperando este setor, recompondo o quadro técnico da secretaria para reestruturar o plano de assistência técnica a estes produtores.

A produção de orgânicos, que cresceu 36% no Brasil no último ano, despencou aqui em mais de 70% na gestão passada. A administração anterior não deu continuidade ao trabalho.

O projeto Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), desativado no ano de 2013, já foi restabelecido?

Sim. Foi restabelecido com previsão de funcionamento de 50 participantes até julho deste ano. Até o final do ano a programação é de que 80 agricultores sejam cadastrados. A feira de Orgânicos está em funcionamento com adesão de mais parceiros e funcionamento as quartas-feiras e sábados na Praça do Rádio Clube e no estacionamento do Paço Municipal, respectivamente. Também já foram renovadas parcerias com a Fundação Banco do Brasil e Sebrae, para fomentar a divulgação dos projetos de agronegócios entre a comunidade em geral.

O turismo de eventos e negócios em Campo Grande cresceu sob sua gestão durante o governo Nelson Trad Filho. Continuará sendo prioridade?

Política de turismo focada em eventos e negócios é um filé para Campo Grande. Estagnou também. Mas já está sendo retomada. Os projetos e parcerias da Superintendência de Turismo também serão atualizados, com o restabelecimento do trabalho conjunto com o Convention Bureau e convênio com o ônibus City Tour. Está sendo viabilizada também a aquisição de um novo veículo para realizar o passeio aos pontos turísticos da Capital. Outro trabalho que será retomado diz respeito a pesquisa do inventário turístico de Campo Grande, em parceria com o instituto Fecomércio.


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