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Mundo

Trump anuncia retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre o clima

Governo de Barack Obama foi um dos fiadores do tratado

Postado em 02 de Junho de 2017   - Redação Semana On

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Sob a justificativa de colocar os Estados Unidos "em primeiro lugar" -seu lema de campanha-, o presidente Donald Trump anunciou na quinta-feira (1º) que o país deixará o Acordo de Paris sobre o clima, assinado em dezembro de 2015 por 195 partes.

Segundo Trump, a decisão representa uma "reafirmação da soberania americana", já que, na sua leitura, o acordo "paralisa os EUA enquanto empodera algumas das nações mais poluidoras do mundo". Ele disse que iniciará conversas -inclusive com democratas- para apresentar uma proposta que tenha "termos justos" em relação ao país.

"Os Estados Unidos vão se retirar do Acordo de Paris sobre o clima, mas vão começar negociações para entrar novamente no Acordo de Paris ou em um acordo completamente novo", disse Trump em declaração nos jardins da Casa Branca. O plano, porém, já enfrenta resistência de outros países. Em comunicado conjunto, Alemanha, França e Itália disseram que o acordo não pode ser renegociado.

A decisão era aguardada com ansiedade em todo o mundo, já que os EUA são o segundo maior emissor de gás carbônico do mundo, atrás apenas da China.

O compromisso assumido pelo país era de reduzir de 26% a 28% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2025.O governo de Barack Obama foi um dos fiadores do tratado.

Trump repetiu várias vezes que tomou a decisão pensando nos empregos do país e em acabar com a "tremenda e debilitante desvantagem" que o tratado impunha aos trabalhadores americanos, segundo ele.

"Fui eleito para representar os eleitores de Pittsburgh [cidade industrial no Estado da Pensilvânia], não de Paris", disse.

Segundo Trump, o acordo de Paris é uma "redistribuição maciça da riqueza dos EUA para outros países".

"Os mesmos países que nos pedem para ficar no acordo são os países que, coletivamente, custam trilhões aos Estados Unidos", disse.

O republicano ainda argumentou que, com um crescimento maior prometido por ele no país, os EUA vão precisar "de todas as formas de energia americana disponível".

"Com um crescimento de 1%, as fontes renováveis ​​de energia podem atender a nossa demanda doméstica. Mas com um crescimento de 3% ou 4%, que é o que eu espero, precisamos de todas as formas de energia disponível para o nosso país", afirmou.

REAÇÕES

O presidente da França, Emmanuel Macron, descartou qualquer renegociação do acordo e disse que seu homólogo americano "cometeu um erro para os interesses de seu país, seu povo e um erro para o futuro de nosso planeta".

"A França acredita em vocês [EUA], o mundo acredita em vocês, mas não cometam um erro com o clima, não há plano B porque não há planeta B", afirmou, chamando os cientistas americanos para trabalharem na França.

A chanceler alemã, Angela Merkel, criticou a decisão de Trump e disse que o país continuará com "todos os esforços de política climática para salvar nossa Terra", em comunicado de seu porta-voz, Steffen Seibert.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse em nota que a saída do acordo foi "uma grande decepção" e que tem confiança nas ações de cidades, empresas e Estados para combater as mudanças climáticas.

Em comunicado conjunto dos ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, o governo brasileiro afirmou ter "profunda preocupação" com a decisão de Trump de deixar o Acordo de Paris.

"Preocupa-nos o impacto negativo de tal decisão no diálogo e cooperação multilaterais para o enfrentamento de desafios globais", diz a nota, que ainda cita a disposição em continuar o diálogo sobre as mudanças climáticas.

Enquanto Trump ainda falava, Obama divulgou comunicado no qual diz que o atual governo está se unindo a um "pequeno punhado de países que rejeita o futuro". Os dois que não assinaram foram Síria e Nicarágua.

O governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, também criticou a decisão e disse que seu Estado está comprometido em seguir as metas do Acordo de Paris "independentemente das ações irresponsáveis de Washington".

Durante a campanha eleitoral, Trump já havia ameaçado retirar o país do acordo, enquanto defendia que o aquecimento global era uma "farsa". No entanto, havia divergências dentro da própria equipe do presidente sobre o destino do compromisso assumido na gestão Obama.

Enquanto o administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), Scott Pruitt, e o estrategista-chefe de Trump, Steve Bannon, defendiam que o país abandonasse o acordo, outro grupo, liderado pela filha do presidente, Ivanka, e seu marido, Jared Kushner, e pelo secretário de Estado, Rex Tillerson, advogava pela permanência, prevendo que o acordo dá margem para ajustes nas metas assumidas.

Ivanka e Jared não estavam presentes ao anúncio. Segundo a CNN, um funcionário da Casa Branca disse que a filha do presidente não participou do evento porque estava em casa, respeitando o feriado judeu do Shavuot, e que Kushner tinha um encontro.

Segundo um levantamento do Programa de Yale em Comunicação sobre Mudanças Climáticas, apenas 28% dos eleitores de Trump acham que os EUA não deveriam fazer parte do Acordo de Paris.

TRATADO

O tratado de Paris é a principal iniciativa global para frear as mudanças climáticas, criando o compromisso de manter o aquecimento da Terra abaixo de 2°C (em relação à era pré-industrial) até o fim do século, tentando limitá-lo a 1,5°C.

Na cúpula do G7 (grupo das sete principais economias desenvolvidas) na semana passada na Itália, Trump fora pressionado por líderes mundiais a manter os EUA no pacto.

A saída dos EUA deve comprometer metas do acordo e mudar a forma como outros governos, sobretudo os de países em desenvolvimento como China e Índia, tratam o compromisso.

Durante as negociações, esses países arrogaram-se o "direito de poluir" por mais tempo, já que sua industrialização e sua consequente ação poluidora é mais tardia.

No entanto, a China anuncia nesta sexta (2) um acordo com a União Europeia para tomar medidas que "acelerem o processo irreversível de reduzir o uso de combustíveis fósseis".

Tal entendimento e o consequente engajamento chinês no processo poderiam, segundo analistas, mitigar parte do efeito da saída dos EUA do Acordo de Paris.


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