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Mundo

Lei da saúde de Trump deve tirar cobertura de 23 milhões de pessoas

Projeto deixará 51 milhões de americanos sem cobertura nenhuma em 2026

Postado em 26 de Maio de 2017   - Redação Semana On

Um novo levantamento oficial mostra que o plano de assistência à saúde aprovado pela Câmara dos EUA no início deste mês para substituir o Obamacare —a reforma do sistema promovida por Barack Obama (2009-17)— deixará 23 milhões de americanos a mais sem cobertura ao longo da próxima década.

A proposta aprovada do chamado "Trumpcare" também terá impacto mais modesto sobre o deficit orçamentário do país: o corte fica mais de 50% abaixo do esperado, levando os republicanos no Senado a verem o texto com ainda mais desconfiança.

A Lei de Saúde Americana, aprovada por margem apertada após várias mudanças que agradaram alas mais conservadoras, teve uma votação a jato na Câmara, antes da divulgação do relatório do Congressional Budget Office (CBO), agência apartidária ligada ao Congresso americano responsável pelo cálculo.

A rapidez foi criticada pela oposição democrata.

A análise completa do CBO só foi divulgada na noite de quarta (24), 20 dias depois, e prevê que o texto —se aprovado pelo Senado como está— reduzirá o deficit federal em US$ 119 bilhões até 2026.

O primeiro projeto apresentado pelo presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, e modificado após não obter apoio suficiente na casa apesar da maioria governista, projetava uma redução de US$ 337 bilhões, ou 57% do deficit de US$ 587 bilhões registrado em 2016.

Cobertura

Na comparação com o primeiro texto, contudo, o projeto que passou na Câmara garantirá 1 milhão a mais de segurados em dez anos.

Para muitos senadores republicanos, não é suficiente, porque ainda deixará 51 milhões de americanos sem cobertura nenhuma em 2026, contra 28 milhões que não estarão segurados se o Obamacare continuar em vigor.

"Isso [o relatório] torna tudo mais mais difícil", disse o senador republicano por Nevada Dean Heller, ao jornal "The New York Times".

"Apesar de ser a favor de acabar com o Obamacare, eu me oponho à Lei de Saúde Americana como ela é hoje."

Seu correligionário Patrick Toomey, senador pela Pensilvânia, afirmou que a análise do CBO acende "luzes amarelas" sobre o texto aprovado na outra casa. Os senadores do partido já vinham indicando que redigirão sua própria proposta para a substituição do Obamacare, com base nas suas "prioridades".

Ainda segundo o relatório da agência, 14 milhões de americanos a mais estarão sem cobertura já no próximo ano, se o projeto da Câmara for aplicado. Destes, 8 milhões seriam cidadãos que deveriam desistir de seus planos individuais com o fim da multa prevista pelo Obamacare para quem não contratar um seguro.

Nos próximos dez anos, contudo, os mais afetados serão os mais pobres. Entre os 23 milhões a mais que estariam sem cobertura, 14 milhões seriam pessoas atendidas pelo Medicaid, sistema público voltado à população de mais baixa renda, segundo o CBO.

O número é o mesmo previsto no primeiro texto apresentado por Ryan, mas 17% maior do que a previsão se o Obamacare fosse mantido.

No Senado, o presidente Donald Trump terá ainda que cortejar os senadores mais moderados de seu partido, preocupados com o impacto das mudanças sobre a cobertura de saúde para os mais pobres e os mais velhos, para fazer passar a lei.

Alguns pontos certamente serão revistos. Entre eles, está a falta de garantia de plano de saúde para pessoas com doenças preexistentes.

Outro item que preocupa republicanos moderados é a concessão de Trump a ultraconservadores para tirar a obrigatoriedade dos planos de oferecerem o que hoje são considerados cuidados essenciais, como atendimento emergencial e pré-natal.

*

Impacto do Trumpcare

Como ficará o sistema de saúde dos EUA com o projeto aprovado pela Câmara

23 milhões
de pessoas a mais perderão a cobertura de saúde até 2026, em relação ao Obamacare, o que significa que

51 milhões
de pessoas com menos de 65 anos estarão sem seguro em 2026 com o projeto aprovado; com o Obamacare, seriam 28 milhões

14 milhões
dos 23 milhões a mais que perderão a cobertura até 2026 participam do Medicaid; outros 6 milhões deixarão seus planos individuais

US$ 119 bilhões
é o valor que será reduzido do deficit americano na próxima década; o valor da redução do primeiro texto apresentado pelos republicanos era estimado em US$ 337 bilhões

Fonte: Congressional Budget Office (CBO)


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