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Quinta-Feira 26.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Coluna

Olho gordo

O presidente da Câmara muito ligado na vaga de Temer

Postado em 26 de Maio de 2017 - Victor Barone (interino)

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), está de olho gordo na poltrona do presidente Michel Temer (PMDB). Sob holofotes, age como se apostasse na estabilização do governo. Nos subterrâneos, já não consegue disfarçar sua condição de pretendente ao trono. Nas reuniões do Alvorada, Maia discursa como se Temer estivesse sólido. Na intimidade da residência oficial da presidência da Câmara, aposta no derretimento do presidente. A sorte sorriu para Rodrigo Maia no dia em que o plantou sobre a linha de sucessão da Presidência da República. Há quem garanta que ele sonha em assumir o Planalto para cumprir a atribuição constitucional de convocar eleições indiretas para dali a 30 dias e, simultaneamente, conspirar a favor de sua permanência na cadeira até 2018.

Cai não cai

Com uma capacidade cada vez mais limitada de fazer e acontecer, Michel Temer tornou-se presidente de prioridade única. Ele se dará por satisfeito se conseguir cumprir seu novo objetivo estratégico: não cair. Compartilhou com pessoas de sua confiança duas inquietações. Receia que o Tribunal Superior Eleitoral lhe casse o mandato. E teme que uma eventual delação do ex-assessor Rodrigo Rocha Loures —o homem da mala— elimine sua margem de manobra antes mesmo do início do julgamento do TSE, marcado para 6 de junho.

Saída honrosa

Liderados pelo PSDB, partidos aliados ao PMDB na sustentação do governo de Michel Temer consideram que o presidente perdeu as condições de ficar no cargo, e já fizeram chegar a ele essa avaliação de forma reservada. Ao que tudo indica, como o peemedebista resiste em renunciar na esteira da delação da JBS na Operação Lava Jato, a solução será contar com a cassação da chapa eleita em 2014 pelo TSE. O consenso é de que a cassação resolveria o impasse institucional e livraria o presidente da "confissão de culpa", como ele chama a hipótese de renúncia.

Sei de nada

A exemplo dos antecessores Lula e Dilma, Temer aderiu à frase-lema do Brasil da corrupção: “Eu não sabia”. Inquirido sobre o inusitado de receber o multi-investigado Joesley Batista no Jaburu, Temer declarou: “Eu nem sabia que ele estava sendo investigado.” Tá… Esse tipo de desculpa será lembrado quando, no futuro, quiserem recordar a época em que o Brasil era regido pelo cinismo.

Saia justa

O deputado estadual Professor Rinaldo (PSDB) foi vaiado na ultima segunda- feira (22) pela plateia que assistia o festival Boca de Cena, no teatro Glauce Rocha. Após as apresentações, o parlamentar subiu ao palco para entregar o prêmio, quando escutou “uuuuuuuuuuuuuuuh” dos que estavam no local. Desconsertado, Rinaldo saiu de fininho sem dizer uma palavra, depois de entregar a gratificação

Aécio

“Aécio: meu filho está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar não ter.” Lauro Pacheco de Medeiros Filho, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e pai do advogado Frederico Pacheco de Medeiros, preso na semana passada por buscar parte da propina acertada pelo primo com o dono da JBS.


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