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Sexta-Feira 26.mai.2017

Ano V - Nº 255

crise

Poder

Joaquim Barbosa diz que brasileiros devem ir às ruas por saída de Temer

Jurista do impeachment de Dilma pede a Temer que renuncie

Postado em 19 de Maio de 2017   - Redação Semana On

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O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa afirmou nesta sexta-feira (19) que os brasileiros devem ir às ruas e pedir a renúncia do presidente Michel Temer. "Não há outra saída: os brasileiros devem se mobilizar, ir para as ruas e reivindicar com força a renúncia imediata de Michel Temer", afirmou Barbosa, em sua conta no Twitter.

Joaquim Barbosa disse ainda que as notícias que vieram a público nesta quinta-feira (18) com a delação de um dos donos da JBS, Joesley Batista, são estarrecedoras e gravíssimas. "Agora vieram a público as estarrecedoras revelações do sr Joesley Batista sobre o mesmo personagem, Temer. São fatos gravíssimos."

O ex-presidente do STF disse que a classe política, o empresariado e parte da mídia "se incumbiram de minimizar a gravidade dos fatos". "O Palácio do Jaburu para pedir propina a um empresário seria um motivo forte o bastante para se desencadear um clamor pela sua renúncia", afirmou em sua conta na rede social.

Ontem (18), o jurista Miguel Reale Júnior defendeu que o presidente Michel Temer renuncie ao mandato e que o Congresso escolha o seu sucessor por eleição indireta. Coautor do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Reale Júnior afirma que o país não suporta um novo processo de impedimento. “É necessário um pouco de amor por esse país, pelo amor de deus”, pedindo ainda a indicação de um nome de “grandeza e respeitabilidade” pelo Congresso.

Em entrevista à rádio CBN, o jurista disse que as revelações contra Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) são inadmissíveis e nada republicanas. “O Brasil não aguentaria”, declarou sobre a hipótese de um novo processo de impeachment. “Seria melhor se ele renunciasse, um novo processo de impeachment é um processo muito doloroso, o país está no momento de início de saída da recessão.”

Ligado ao PSDB, o ex-ministro da Justiça afirmou que Temer deveria ter mandado prender o empresário Joesley Batista e não ter ficado em silêncio quando ele lhe contou que pagava mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que não fizessem delação premiada.

Na avaliação de Reale Junior, o Brasil não aguentaria eleições diretas no momento, como defendem alguns parlamentares. Para ele, essa saída “conturbaria o país” e criaria “imensa insegurança jurídica”. “Aí é até golpe, mudar a Constituição para ter eleições diretas”, disse durante a entrevista. Para ele, é necessário que o Congresso eleja uma “figura isenta” e “com experiência administrativa”. Ele cita como exemplos os senadores Álvaro Dias (PV-PR) ou Cristovam Buarque (PPS-DF) para a tarefa de assumir o país via eleições indiretas.

O pedido de impeachment contra Dilma foi assinado por Miguel Reale Júnior,  Janaína Paschoal e Hélio Bicudo.

Não renunciarei

Diante da crise gerada pela gravação de suas conversas com com o empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS, e de abertura de inquérito em seu nome no Supremo, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que não renunciará. "Não renunciarei. Repito: não renunciarei", disse. "Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos", declarou o presidente empronuciamento nacional.

O áudio da conversa em que, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), Temer deu aval a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) teve sigilo derrubado pelo ministro do STF Edson Fachin. No trecho, Joesley diz que "zerou tudo", referindo-se a pendências com Cunha. Na sequência, resume o quadro: "O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?".

Nesse momento, Temer concorda: "Tem que manter isso, viu?". Joesley complementa: "Todo mês".

Outro trecho revela que o peemedebista tomou conhecimento de plano para interferir em investigação. Ao ouvir a estratégia, Temer respondeu: "Ótimo".

O executivo disse que estava "dando conta" de dois juízes, os quais não se identificou, e que conseguiu colocar um procurador "dentro da força-tarefa" da Operação Greenfield. Ao deixar de informar as autoridades sobre o fato, o presidente cometeu, em tese, o crime de prevaricação.


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