Semana On

Terça-Feira 12.dez.2017

Ano V - Nº 283

Governo agetran

Veí­culos

Quase 2 milhões de carros no Brasil ainda rodam com airbags mortais

Defeito em peça da fornecedora Takata é relacionado a 16 mortes no exterior

Postado em 02 de Maio de 2017   - Redação Semana On

Quase 2 milhões de veículos rodam pelas ruas do Brasil com os chamados “airbags mortais”. Eles foram convocados, mas não passaram pelo recall para trocar a peça defeituosa que pode causar ferimentos graves e foi responsável pela morte de 16 pessoas nos Estados Unidos e na Malásia.

Os airbags defeituosos foram fabricados pela Takata, empresa japonesa que é uma das maiores fornecedoras desse equipamento. Ao todo, mais de 30 milhões de veículos de diversas marcas foram chamados de volta às concessionárias em todo o mundo (veja todos os recalls dos 'airbags mortais' no Brasil).

O levantamento sobre o índice de atendimento desses recalls foi feito com base nos dados enviados por nove das 13 marcas que já fizeram algum chamado relacionado a este defeito no país desde 2010, incluindo as duas que respondem por mais de 90% dos veículos convocados, Honda e Toyota.

Quatro marcas, que respondem por 2,25% dos carros chamados, não informaram o percentual de atendimento.

A Chevrolet afirmou que não iria divulgar o índice; a montadora fez recall de 5.502 unidades de Agile e Montana por causa dos airbags da Takata.

A BMW disse que não consegue identificar o número de usuários atendidos especificiamente nesses recalls. A fabricante alemã fez 2 chamados no Brasil, totalizando 4.415 veículos.

Mitsubishi e Subaru não responderam até o fechamento desta reportagem. A primeira já convocou 48.159 unidades, enquanto a segunda chamou 3.471 veículos.

Veja abaixo o percentual de atendimento de cada marca para os airbags da Takata até este mês e como saber se seu carro está em recall.

Toyota e Lexus

A marca com o maior número de unidades convocadas no caso dos "airbags mortais" no Brasil é a Toyota. Foram ao menos 9 campanhas e 1,46 milhão de veículos convocados até este mês, sendo 135 da divisão de luxo Lexus.

Segundo a fabricante, apenas 27,5% já tiveram o problema solucionado. Isso representa pouco mais de 400 mil carros com o componente substituído e outros 1,05 milhão a reparar.

Veículos chamados: 1,46 milhão

Índice de atendimento: 27,5%

Veículos atendidos: cerca de 400 mil

Modelos envolvidos: Etios, Corolla, Hilux, RAV4, Fielder e SW4

Onde consultar os veículos em recall: www.toyota.com.br/servicos/recall

Honda

Em seguida, aparece a Honda, com cerca de 1 milhão de veículos chamados e índice de atendimento de 24,3%. Na prática, somente 250 mil não correm mais risco, enquanto outros quase 800 mil ainda possuem os airbags defeituosos. Além dos procedimentos obrigatórios, a montadora fez uma campanha recente na TV, convocando quem ainda não atendeu aos chamados no Brasil.

Veículos chamados: 1,05 milhão

Índice de atendimento: 24,3%

Veículos atendidos: cerca de 250 mil

Modelos envolvidos: Civic, City, Fit, CR-V e Accord

Onde consultar os veículos em recall: www.honda.com.br/suaseguranca

Nissan

A Nissan, terceira com o maior número de veículos convocados, divide a porcentagem de unidades atendidas pela "idade" dos carros.

Segundo a marca, 75% dos veículos com até 5 anos de uso já foram atendidos. O índice cai para 35% quando são considerados carros com 5 a 10 anos de fabricação e, para apenas 10%, quando as unidades já têm mais de 10 anos.

Veículos chamados: 140 mil

Índice de atendimento: 75% em carros de até 5 anos, 35% em carros com idade entre 5 e 10 anos e 10% em carros com mais de 10 anos de fabricação

Veículos atendidos: cerca de 60 mil

Modelos envolvidos: March, Versa, Sentra, Frontier, Livina, Grand Livina, Tiida, X-Trail e e Pathfinder

Onde consultar os veículos em recall: www.nissan.com.br/servicos/recall-nissan.html

Fiat Chrysler (FCA)

Dos quase 20 mil veículos da Fiat Chrysler convocados para recall por conta de airbags da Takata, apenas 5 mil atenderam aos chamados, segundo a fabricante. São cerca de 25%. Isso inclui modelos de Fiat, Jeep, Chrysler e RAM.

Veículos chamados: 19 mil

Índice de atendimento: 25,3%

Veículos atendidos: cerca de 5 mil

Modelos envolvidos: Fiat Uno, Jeep Renegade, Jeep Wrangler, Chrysler 300C e RAM 2500

Onde consultar os veículos em recall:
Fiat
Chrysler
Jeep
RAM

Volkswagen

A Volkswagen teve apenas um recall relacionado aos “airbags mortais”. Foram 33 unidades do Tiguan. Destas, 31 já receberam atendimento.

Veículos chamados: 33

Índice de atendimento: 94%

Veículos atendidos: 31

Modelo envolvido: Tiguan

Onde consultar os veículos em recall: www.vw.com.br/pt/servicos/recall.html

Audi

No Brasil, a marca com menos unidades convocadas até agora é a Audi. Foram apenas 13 exemplares dos modelos Q5 e SQ5. De acordo com a fabricante, todas já foram reparadas.

Veículos chamados: 13

Índice de atendimento: 100%

Veículos atendidos: 13

Modelos envolvidos: Q5 e SQ5

BMW

Veículos chamados: 4.415

Índice de atendimento: não divulgado

Modelos envolvidos: Série 3, Série 5 e X5

Onde consultar os veículos em recall: www.bmw.com.br/pt/ssl/recall.html

Chevrolet

Veículos chamados: 5.502

Índice de atendimento: não divulgado

Modelos envolvidos: Agile e Montana

Onde consultar os veículos em recall: www.chevrolet.com.br/servicos/recall.html

Mitsubishi

Veículos chamados: 48.159

Índice de atendimento: não divulgado

Modelos envolvidos: Lancer, L200 e Pajero Full

Onde consultar os veículos em recall: www.mitsubishimotors.com.br/wps/portal/mit/relacionamento/recall

Subaru

Veículos chamados: 3.471

Índice de atendimento: não divulgado

Modelos envolvidos: Impreza (hatch, WRX e STI), Forester, Legacy, Outback e Tribeca

Onde consultar os veículos em recall: www.subaru.com.br/recalls-subaru

Entenda o caso

O defeito na abertura de airbags fabricados pela empresa japonesa Takata se tornou público em 2013. A partir do ano seguinte, quando a falha passou a ser associada a mortes no exterior, o fato ganhou destaque no Brasil.

Uma falha na vedação do insulflador, onde fica o gás que abre o airbag, pode fazer essa peça trincar e também alterar o gás, devido à exposição à umidade.

Assim, quando for necessário o uso do equipamento, ele não abre normalmente, mas explode. O insuflador se parte e seus pedaços são atirados contra os ocupantes dos veículos. Os ferimentos de algumas vítimas foram confundidos com facadas ou tiro.

O caso da Takata motivou o maior recall da história. A fornecedora se declarou culpada e aceitou pagar uma multa de US$ 1 bilhão nos EUA.


Voltar


Comente sobre essa publicação...