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Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Novo ministro da Justiça diz que terra não enche barriga de índios

Confira as quentinhas do poder com o jornalista Marco Eusébio

Postado em 10 de Março de 2017 - Marco Eusébio

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Mal assumiu o cargo, o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, abriu polêmica com os índios. Na terça-feira, enquanto era empossado por Michel Temer no Palácio do Planalto, lá fora índios protestavam com frases em cartaz: "Serraglio Capitão do Mato" em alusão ao fato de ele ser deputado federal em quinto mandato integrante da bancada ruralista na Câmara. Já no cargo de ministro, ele admitiu em entrevista ser contra as remarcações de terras consideradas indígenas.

"O que acho é que vamos lá ver onde estão os indígenas, vamos dar boas condições de vida para eles, vamos parar com essa discussão sobre terras. Terra enche a barriga de alguém?", disse o ministro em entrevista à Folha de S.Paulo. Ele insinou também que ONGs do setor estão desviando dinheiro público. "Ouço muito essas ONGs levando dinheiro, inclusive dinheiro oficial na saúde. A saúde do indígena. Eu vejo, você vê, os indígenas são tratados quase como uns animais".

Questionado se estava se referindo a desvios, Serraglio disse que a CPI da Funai, em andamento na Câmara e dominada por ruralistas, vai "surpreender". Embora deixe claras suas posições, o ministro afirmou que não escolherá nenhum lado na batalha entre ruralistas e índios e fala em pacificar a crise no campo usando a Constituição. Mesmo assim, a "guerra" contra os índios e as ONGs foi deflagrada e provocou reações. "É evidente que ele não vai escolher lado porque ele só tem um lado, o do agronegócio. Ele sempre foi um deputado atuante da bancada ruralista. Para o índio, a terra é um elemento central, ela não só enche a barriga mas enche também o sentido da vida para os indígenas", disse o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário, Cleber César Buzatto.

Em nota, a direção do Cimi diz em seu site que as declarações de Serraglio estão conectadas à intenção do "governo Temer em promover ampla e irrestrita mercantilização e concentração privada da terra, no Brasil, em benefício de interesses econômicos de capital nacional e internacional. Nesse contexto, a não demarcação das terras indígenas servirá para ampliar o alcance da pretendida venda de terras para estrangeiros (PL 4059/12), das alienações e concessões de terras públicas situadas em faixa de fronteira (Lei no. 13.178/15), da reconcentração de terras desapropriadas para a reforma agrária (MP 759/15), dentre outras".

Leia aqui a íntegra da nota.

 

Prefeito oferece recompensa para localizar vândalos e tática dá resultado

Em Costa Rica, cidade 384 km distante de Campo Grande, o prefeito Waldeli dos Santos Rosa (PR) anuncia nas redes sociais mil reais de recompensa a quem der informações sobre quem furtou onze "tapetes" de grama na quinta-feira em um bairro da cidade. "Garanto o sigilo absoluto", escreveu o prefeito no Instagram com foto da área depredada que compartilhou no Facebook gerando comentários de apoio de moradores da cidade. É a segunda vez que o prefeito oferece dinheiro a quem der informações sobre arruaceiros. No mês passado, ele também anunciou mil reais de recompensa para tentar localizar quem destruiu gramado público usando um veículo. Pensava que fosse um motociclista. Mas era um jovem que deu "cavalo-de-pau" usando a caminhonete do pai. Por telefone, neste sábado, o Waldeli me contou o desfecho da história: – "Localizamos o infrator. Para que não fosse feito B.O., o pai se desculpou pelo filho, pagou o prejuízo e também pagou os mil reais da recompensa ao informante, que vamos manter no anonimato".

 

Governo vai leiloar gado em MS

O Governo de Mato Grosso do Sul vai leiloar 140 cabeças de gado de sua propriedade, que estavam sob responsabilidade da Universidade Estadual (UEMS). O leilão, na modalidade presencial, será no dia 23 deste mês no Parque de Exposições Manoel Antônio Paes de Barros em Aquidauana.

 

Petrobras pede uma semana de prazo para avaliar pedido de MS sobre a crise do gás

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu uma semana de prazo para avaliar o pedido do Governo de Mato Grosso do Sul para que a estatal faça o pagamento do ICMS sobre o volume total previsto no contrato de compra do gás boliviano que passa pelo estado, sobre a importação de 24 milhões de m³. Essa seria uma saída para a crise causada pela redução da compra de gás da Bolívia pela empresa, o que está fazendo despencar a arrecadação do imposto por MS. O pedido foi feito pelo governador Reinaldo Azambuja em reunião com Parente em São Paulo ontem, acompanhado de secretários, dos senadores Moka, Pedro Chaves e Simone Tebet, dos deputados federais Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Teresa Cristina; e dos presidentes da Assembleia, Jr. Mochi, e da Assomasul, Pedro Caravina.

 

A mancada do deputado

Mancadas indisfarçáveis vão levar o deputado Eduardo Rocha ao estaleiro. O líder do Bloco do PMDB pediu à Assembleia licença de 20 dias, pois está com cirurgia no joelho direito marcada para a próxima quinta-feira. Nos corredores da Casa nesta semana, um especialista em gaiatices disparou seu diagnóstico ao avaliar a lesão: "Ninguém mandou querer jogar futebol com uns quilinhos a mais. Não há meniscos que aguentem…"

 

Bumlai confirma ter repassado R$ 100 mil a Delcídio, mas nega que foi para calar Cerveró

José Carlos Bumlai confirmou hoje em depoimento à Justiça que seu filho, Maurício, fez dois repasses de R$ 50 mil ao ex-senador Delcídio do Amaral, mas negou que o dinheiro fosse para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. Condenado a nove anos de prisão em outra ação da Lava Jato, Bumlai cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele foi ouvido hoje na ação em que é réu junto com Delcídio, Lula, o banqueiro André Esteves e mais duas pessoas, todos acusados de tentar impedir que Cerveró assinasse acordo de delação. Bumlai confirmou que Delcídio falou com seu filho em 2015 sobre uma possível delação de Cerveró, mas este teria recusado a se envolver no assunto. "Ele [Maurício] falou não, que ele não ia fazer isso, porque não tínhamos nada a ver com Nestor Cerveró. Depois ele [Delcídio] voltou e pediu ajuda em caráter pessoal. Para manter o padrão de vida que ele tem, não era com salário de senador”, disse. O pecuarista alegou que seu filho deu o dinheiro a Delcídio só para manter uma boa relação com o então senador, cujo poder poderia prejudicar os negócios dos Bumlai. Na próxima terça, às 10h, a Justiça deve ouvir Lula. O advogado do ex-presidente confirmou que ele irá à audiência. (Com ABr)


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