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Ano VIII - Nº 363

Poder

Odebrecht diz ao TSE que Aécio pediu R$ 15 milhões nas eleições de 2014

Empresário afirma que doou R$ 120 milhões por caixa dois à chapa Dilma/Temer

Postado em 03 de Março de 2017 - Redação Semana On

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Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente da Odebrecht afirmou que o senador tucano Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, pediu R$ 15 milhões na campanha eleitoral de 2014. Odebrecht disse ainda que, em um primeiro momento, teria negado o pedido sob o argumento de que o valor era muito alto. No entanto, Aécio sugeriu que o valor fosse fatiado em pagamentos a seus aliados. Marcelo Odebrecht, de acordo com informações divulgadas no jornal

O depoimento do ex-executivo foi realizado na quarta-feira (1) no âmbito da Ação de Investigação Judicial (Aije) que apura irregularidades na chapa Dilma/Temer.

De acordo com o ex-presidente da Odebrecht, Aécio sempre pediu dinheiro para campanhas e, em 2014, pelo menos três ocasiões foram lembradas pelo empreiteiro. Uma doação teria sido feita antes da campanha, de valor não informado; uma durante a campanha, no valor de R$ 5 milhões; e o pedido de R$ 15 milhões feito no final do primeiro turno.

Apesar da menção dos R$ 15 milhões, “Odebrecht disse ter sido informado que o aporte financeiro acabou não se concretizando”, diz trecho da reportagem. No entanto, o repasse seria discutido posteriormente entre Sérgio Neves, superintendente da Odebrecht em Minas, e o empresário Oswaldo Borges, apontado como tesoureiro de Aécio. O valor mencionado por Marcelo Odebrecht bate com total recebido pelo partido em doações eleitorais da empreiteira na campanha de 2014.

A assessoria do PSDB informou “que as doações feitas pela Odebrecht à campanha eleitoral encontram-se declaradas à Justiça Eleitoral. Sobre o conteúdo do depoimento do empresário Marcelo Odebrecht, ontem, ao TSE, a assessoria esclarece que em nenhum momento Marcelo Odebrecht disse ter feito qualquer contribuição de caixa dois à campanha eleitoral em 2014, o que ficará demonstrado após o fim do sigilo imposto às declarações”.

No início de 2016, a Polícia Federal apreendeu planilhas na casa de um ex-diretor da Odebrecht que listava valores atribuídos a pelo menos 316 políticos de 25 partidos. Os repasses foram feitos nas campanhas municipais de 2012 e para a eleição de 2014. As delações dos 77 executivos da Odebrecht, homologadas pela ministra Cármem Lúcia no início deste ano, devem esclarecer quais doações se tratam de doação legal, caixa dois, ou propina.

Chapa Dilma/Temer

Em depoimento ao ministro Herman Benjamin, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marcelo Odebrecht declarou que repassou o equivalente a R$ 120 milhões (4/5 de um total de R$ 150 milhões), por meio de caixa dois, para a campanha de Dilma e Michel Temer, em 2014. “Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo”, afirmou Marcelo Odebrecht.

Uma parte dos recursos não contabilizados na Justiça eleitoral foi entregue em espécie ao marqueteiro João Santana, afirmou o empresário. Ele também confirmou a presença do presidente Michel Temer em jantar, no Palácio do Jaburu, em que foi negociado repasse de mais de R$ 10 milhões ao PMDB. Marcelo Odebrecht negou, contudo, ter acertado diretamente os valores com Temer. A negociação, conforme o relato, foi feita entre Cláudio Melo Filho, executivo da empreiteira, e o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também presentes ao jantar. O empresário admitiu que parte dessa doação pode ter sido feita por caixa dois.

Odebrecht foi ouvido em Curitiba, onde está preso há um ano e meio, pelo ministro Herman Benjamin, que relata a ação movida pelo PSDB que pede a cassação da chapa Dilma/Temer no TSE. A defesa do peemedebista tenta separar as contas dos dois partidos, alegando que o vice não pode ser responsabilizado por atos da ex-aliada.

Segundo o empresário, R$ 50 milhões foram repassados pela empreiteira à chapa em contrapartida pela votação da medida provisória do Refis, de 2009, ainda no governo Lula, que beneficiou a Braskem, empresa controlada pela Odebrecht. O executivo contou que as negociações foram feitas entre ele, João Santana e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Marcelo disse que alertou Dilma, em encontro no México, que os pagamentos do marqueteiro do PT estavam “contaminados” porque eram feitos por meio de offshores usadas pela Odebrecht para liberação de propina.

Ainda em seu depoimento, Marcelo Odebrecht ressaltou que a Odebrecht não era a única empresa a doar, por meio de caixa dois, para conquistar apoio político. Segundo ele, a prática é “natural”, mas envolve também o pagamento de propinas.

O empreiteiro contou, ainda, que foi procurado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), na reta final da campanha presidencial de 2014. Ele disse que foi procurado pelo ex-presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) Osvaldo Borges e que acertou com ele uma ajuda a candidatos apoiados pelo tucano. O jornal não especifica valores nem se os repasses foram declarados à Justiça eleitoral ou se foram feitos por caixa dois.

A ex-presidente Dilma Rousseff rebateu as declarações de Odebrecht e negou que tenha recebido dinheiro por meio de caixa dois durante as campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Em nota, a petista afirmou que é “mentirosa” a informação de que ele pediu recursos à empreiteira.


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