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Domingo 15.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Poder

Contra atrasos, COI intervém nos Jogos Olímpicos de 2016

Entidade vai ampliar sua presença no Rio, cria grupo com poder decisório e abre espaço para federações.

Postado em 11 de Abril de 2014 - Redação Semana On

O diretor-executivo do COI, o suíço Gilbert Felli, vai permanecer mais tempo no Brasil para acompanhar as obras. O diretor-executivo do COI, o suíço Gilbert Felli, vai permanecer mais tempo no Brasil para acompanhar as obras.

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No momento mais tenso desde que o Rio foi escolhido como sede da Olimpíada de 2016, o COI anunciou um plano de ação de "apoio" à organização dos Jogos. As medidas representam uma correção de rota nos preparativos para o megaevento esportivo.

São três as principais decisões anunciadas:

1) fortalecimento da presença do COI no Brasil, com a contratação de um gerente local para acompanhamento das obras e aumento da frequência de visitas do diretor-executivo da entidade, o suíço Gilbert Felli;

2) criação de um grupo para tomada de decisões de alto nível, com COI, governo e outros envolvidos nos Jogos;

3) aumento da colaboração das federações internacionais de esportes à organização da Rio-2016;

Apresentadas as iniciativas, Felli vai agora antecipar em alguns meses sua vinda ao Rio. Estará na cidade nas próximas semanas para supervisionar as obras, com autoridades brasileiras, e irá cobrar providências.

Outra das missões de Felli é tentar reduzir a "paralisia política", expressão de Thomas Bach, presidente do COI. "É hora da agir", havia afirmado o dirigente alemão anteontem ao comentar o atraso nas obras. "Acreditamos que o Rio pode e vai organizar Jogos excelentes se forem tomadas as medidas necessárias", disse Bach ontem, ao anunciar as medidas após reunião do comitê na Turquia.

Além de enviar Felli para acompanhar as obras, o COI vai coordenar um grupo de trabalho com representantes do comitê organizador dos Jogos Olímpicos e dos três níveis de governo.

A indefinição da matriz de responsabilidade, que estabelece o responsável por cada financiamento das obras da Olimpíada, é um dos pontos que preocupa o COI.

Plano B?

Uma das medidas do COI é intensificar as visitas de membros de federações internacionais de esportes.Durante a semana, 17 dessas entidades, como as de atletismo, basquete e rúgbi, criticaram o andamento da preparação e questionaram a existência de um "plano B".

Tirar a Olimpíada do Rio é muito improvável, mas Bach evitou dizer, com toda a clareza, que a competição será na cidade. "O que posso afirmar categoricamente é que vamos fazer tudo para que os Jogos sejam um sucesso."

O alemão também foi lembrado por jornalistas da atitude de Juan Antonio Samaranch, então presidente do COI, que em 2000 deu um "cartão amarelo" à organização de Atenas-2004.

"Não é questão de cartão. Se você quiser que os Jogos sejam bem sucedidos, você precisa tomar ações. É o que estamos fazendo agora."

Com os Jogos de Rio a menos de mil dias, há dirigentes do COI que consideram a situação mais séria do que a de Atenas em 2000, já que há obras que nem começaram.

Expestise

Em nota divulgada horas depois do anúncio do pacote de medidas, o COI afirmou não se tratar de uma "intervenção", mas sim de oferecer expertise e ajuda adicionais. "Acreditamos fortemente que a parceria vai resultar em excelentes Jogos", disse o COI. Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), disse considerar o COI um "interventor permanente".

O Comitê Organizador do Rio 2016 classificou como "oportuna" a iniciativa anunciada ontem. "Sabemos que não há tempo a perder."


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