Semana On

Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Rogue One

O sci-fi contemporâneo do cinema clássico hollywoodiano.

Postado em 16 de Dezembro de 2016 - Danilo Custódio

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Rogue One é a primeira tentativa da Disney na busca por imprimir algo novo numa das franquias cinematográficas mais populares do mundo. E apesar do velho clichê do cinemão norte americano de subir a música em momentos forçadamente dramáticos, dá pra dizer que eles foram – de certa forma – bem sucedidos em nos vender algo que vai além de uma cópia tecnologicamente repaginada, como aconteceu no episódio 7.

Em Rogue One, diferente do que acontece em todos os outros filmes da série, não existe aquele velho maniqueísmo do bem contra o mal. Aquela figura do herói de bondade inabalável contra o vilão de crueldade inimaginável é algo que a sociedade contemporânea não compra mais. O que vemos aqui é um bom filme de guerra que foi conduzido com maestria pelo diretor Gareth Edwards, fã confesso desse universo, que nos proporciona cenas de ação bem filmadas numa dosagem perfeita entre efeitos práticos e visuais.

A escolha por trabalhar com diferentes escalas, através de maquetes impressionantes, nos permite uma imersão num ambiente palpável, “real” e vivo. Coisa muito diferente do que vimos no início dos anos 2000, quando o gênero da ficção científica passou a se apropriar exageradamente da computação gráfica para criar universos, objetos e criaturas. Hoje, o sci-fi olha para trás e revisita os processos de criação que eram fortemente utilizados entre os anos 70 e 80. A tecnologia digital enfim toma seu lugar como um caprichoso acabamento para cenários, objetos, maquiagens, fantasias, etc., criados fisicamente pela equipe de arte.

Apesar de personagens um tanto inconsistentes, mas que cativam aqueles que já estão familiarizados com o ambiente de repressão e destruição provocadas pelo império, o filme de Edwards nos convida a conhecer a melhor representação do universo Star Wars já vista nas telonas. Planetas, espécies, culturas e tecnologias já desnudadas em livros e jogos estão representados de forma muito honesta em Rogue One. Coisa linda de se ver.

O filme ficará em cartaz ainda por muito tempo, prometendo ser a mina de ouro já esperada para todas as partes envolvidas nesse projeto. Se você é fã desse universo ou apenas alguém que gosta de se deixar conduzir por um bom filme de guerra, com muita ação e imagens impressionantes, não deixe de assistir no cinema. Mas prepare-se para o dramalhão exagerado do cinema clássico hollywoodiano...

 

Mapa de Complexos Cinematográficos

A ANCINE publicou em seu portal uma ferramenta que representa visualmente a localização dos complexos cinematográficos comerciais registrados na agência, tornando possível dimensionar o tamanho e a distribuição geográfica do parque exibidor brasileiro. O objetivo é oferecer uma ferramenta para o acompanhamento da execução das políticas públicas de incentivo à expansão do mercado de salas de exibição no Brasil. Um passo essencial para que possamos transformar nosso mercado em algo que atenda as demandas da produção nacional. Bora conhecer?

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Sidney Magal no cinema

A estreia tupiniquim da semana fica por conta de Magal e os Formigas, dirigido pela dupla Newton Cannito e Michael Ruma. É o cinema brasileiro mostrando sua outra face, ao explorar uma comédia psicológica e nada puritana, coisa bem diferente do que vinha fazendo com aquelas já esgotadas comédias de gente rica, que a Globo Filmes adora produzir. O grande trunfo nesse caso parece ser a presença do próprio Sidney Magal, velho conhecido da cultura popular brasileira e que ainda sobrevive do antigo glamour, que teve seu ápice no começo dos anos 80. Agora, o Magal contemporâneo não é mais pop e nem brega, ele é cult. O cara, por si só, já vale a pena. Bora se programar pra ver?


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