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Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Cinema Novo

O cinema brasileiro e sua realidade.

Postado em 04 de Novembro de 2016 - Danilo Custódio

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Transitando por obras consagradas produzidas ao longo do mais importante movimento da história do cinema brasileiro, chega ao circuito comercial tupiniquim Cinema Novo, de Eryk Rocha. O longa iniciou sua trajetória de forma impressionante, vencendo o L'oeil D'or de melhor documentário em Cannes no ano passado e fazendo uma turnê pelos principais festivais de cinema do Brasil e do mundo.

Trata-se de uma poética do cinema nacional, costurada por entrevistas com Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues, Ruy Guerra e tantos outros mais, que se consagraram como os principais cineastas brasileiros desse período. O filme levanta dilemas morais relembrando do golpe de 64 e dos estigmas da ditadura, refletindo sobre a relação do cinema nacional com seu público. Bora se programar pra ver? Então fique ligado na fã-page e descubra onde assisti-lo!

 

O processo do audiovisual

Eduardo Baggio é quem está orientando meu trabalho de conclusão na graduação de Cinema e Audiovisual, onde pretendo investigar sobre o processo cinematográfico, partindo do ponto de vista de como ele é ensinado e realizado. E ele acaba de publicar um artigo muito interessante na Revista Livre de Cinema sobre “os processos de realização, que influem diretamente nos produtos audiovisuais. Tradicionalmente cinema e televisão, mesmo quando em produtos de mesmo gênero, têm processos de realização distintos, tratados de forma distinta em teorias e manuais práticos de realização. Mas essas diferenças tendem a ser muito menores hoje em dia, devido, entre outros motivos, ao fato de suportes de captação, bem como os modelos produtivos estarem muito mais próximos do que no passado”. Ficou interessado? Então acesse o artigo completo aqui.

 

O Ator

Convidado: Luciano Maccio

Hoje não recomendo filmes, não procuro em referências externas falar sobre aquilo que me apaixona, mas escrevo sobre algo diferente: o fazer artístico dentro do reino da atuação. O trabalho do ator está permeado por sutilezas apenas entendidas após infindáveis repetições. E atuar fez parte da minha vida como um todo, desde que coloquei o pé no “palco” pela primeira vez, não importa se na cena teatral ou audiovisual.

Para mim, o ser ator, antes de ser um trabalho corporal ou sensorial, é mental. Tudo começa com a visualização, tanto do ambiente proposto quanto do próprio personagem interno. Ouvi falar que o personagem deve vir de dentro, vários mestres me disseram isso. Eu, particularmente, não concordo. Acredito que a busca pelo personagem é parecida com um primeiro encontro às cegas, você não sabe com quem vai se deparar, qual a personalidade daquela pessoa, seus gostos e objetivos. O conhecimento sobre este novo ser vem de extenso diálogo e convivência até o ponto em que você lhe dá a mão e ele a segura, para que vocês caminhem juntos em um relacionamento que, indubitavelmente, terá um fim em algum ponto.

A beleza da atuação está no fato de que sua ferramenta de trabalho é o seu invólucro, o seu corpo e de como ele é relativo à realidade. Não vou me delongar no conceito de projeção, pois isso exige mais do que algumas linhas de explicação e já há vários artigos sobre isso. Mas dentro da teoria da projeção energética, desenvolvi um pequeno esboço de pensamento: o corpo onda. O corpo como onda energética, onde cada movimento se estende para fora do limite material e atinge o público de maneira interna, cumprindo a função do ator, que é a de tocar o público introspectivamente, no intuito de criar um movimento de mudança naquele que o assiste.

Vemos isso, como espectadores, todo o tempo. Atores que nos levam à outro patamar quando os assistimos. É algo palpável e com um quê de mágico. Uma aura que os rodeia e que nos faz curiosos, querendo saber o que estas pessoas têm de diferente.


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