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Sexta-Feira 24.mai.2019

Ano VII - Nº 351

Entrevista

Rose Modesto explica porque quer ser prefeita de Campo Grande

Confira também a entrevista com Marquinhos Trad.

Postado em 26 de Outubro de 2016 - Victor Barone

Rose Modesto explica porque quer ser prefeita de Campo Grande. Rose Modesto explica porque quer ser prefeita de Campo Grande.

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Rose Modesto, candidata à Prefeitura pela coligação Juntos Por Campo Grande (PSDB-PR-PDT-PSB-PRB-PSL-SD) vem de uma família simples de Culturama, distrito de Fátima do Sul, e é a caçula de cinco irmãos. Mudou-se para a Capital em 1984. Foi aluna bolsista na UCDB e aos 21 anos se formou em História. Lecionou em regiões carentes, como no Bairro Dom Antônio Barbosa. Criou os projetos "Aprendendo com música" e o "Tocando em Frente", para jovens da Capital. Em 2008, foi eleita vereadora pela primeira vez. Em 2012, reelegeu-se como a segunda mais votada. Apresentou 75 projetos de lei. Em 2014, foi eleita vice-governadora de Mato Grosso do Sul ao lado de Reinaldo Azambuja. Assumiu a Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), cargo que ocupou até o início das Eleições 2016.

 

Por que o campo-grandense deve votar na senhora para prefeita de Campo Grande?

Nós, quando pensamos em colocar nosso nome para candidata a prefeita, não foi pensando para que, mas para quem. Quero ser prefeita para as milhares de mulheres que estão há anos esperando uma vaga em Ceinf (temos 27 obras de Ceinfs paradas); para as milhares de pessoas que há anos aguardam uma cirurgia, um exame (e pude conversar com algumas delas na Caravana da Saúde). Quero ser prefeita de Campo Grande para os milhares de desempregados desta cidade (não vemos uma empresa nova chegando).

Isso tudo me motivou e me deu coragem e vontade para colocar meu nome à disposição. Conseguimos reunir um grupo forte, envolvendo a sociedade organizada, montamos um bom plano de governo. Temos uma parceria importante com o Governo do Estado, que vai ajudar muito a cidade a sair desta situação de crise.  O próprio Governo Federal será um parceiro importante. Temos o compromisso do Bruno Araújo, ministro das Cidades, de nos ajudar, de ter um olhar especial sobre Campo Grande em 2017.

Hoje, temos 33% da cidade sem infraestrutura, sem asfalto ou esgoto. Nosso projeto para habitação – que é de 5 mil novas casas – também será viabilizado em parceria com os governos estadual e federal.

Estou motivada em fazer um governo justo, mais sensível, mais humano. A cidade está precisando de cuidado. Nem tudo é dinheiro: as vezes, a vontade política de fazer prevalece.

Venho de uma família muito humilde, já dependi de tudo o que é público: saúde, educação, transporte. Tem gente que se incomoda quando eu conto a minha história, mas é a minha história de vida, minha verdade, e eu tenho o maior orgulho dela. Sempre digo: o que é importante na vida, especialmente na vida de quem nasceu em uma família humilde, é ter oportunidade. Eu tive oportunidade, pude realizar e sonhar, e assim é com todo mundo. É com esta motivação e razão que eu gostaria que as pessoas olhassem com bons olhos para a nossa candidatura.

Venho de uma família muito humilde, já dependi de tudo o que é público: saúde, educação, transporte. Tem gente que se incomoda quando eu conto a minha história, mas é a minha história de vida, minha verdade, e eu tenho o maior orgulho dela.

É muito difícil resolver todos os problemas de uma cidade do porte de Campo Grande. Não há dinheiro para tudo. Se a senhora tivesse que elencar uma área prioritária, qual seria ela?

Nós não temos mais como esperar nada na área da saúde. Quando eu disse que a saúde tinha que ser prioridade zero (e utilizaram de má fé, deturpando o sentido da minha fala) eu estava usando um termo técnico do Ministério de Saúde, para o qual tudo o que é prioridade zero é urgente, é o que não dá para esperar mais.

Como melhorar a saúde? Eu acredito muito na prevenção. Hoje, os recursos que são investidos na atenção básica em Campo Grande são muito poucos. As Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) não funcionam como deveriam, o médico ganha muito mal, não faz plantão nas UBSF, o salário base dele é menos de R$ 3 mil. E é ali, na atenção básica, que conseguimos controlar a hipertensão, o diabetes etc. Os a gentes de saúde precisam ser valorizados, para informar o paciente sobre alimentação, dia da consulta, etc.

Quero fazer funcionar bem o que já existe. Não precisamos ficar falando em construir muitas unidades, já temos suficientes. Tenho como projeto construir um único novo prédio, que envolverá a questão das especialidades médicas - especialmente nas áreas da pediatria, ortopedia, neurologia e psiquiatria, onde temos muita carência - e o centro de diagnóstico, pois as pessoas não conseguem fazer um exame.

Precisamos atender as pessoas na linha de cuidado: consulta, se precisar de um especialista passa por ele, se precisar de um exame consegue o exame, e se precisar operar faz a cirurgia. Mas, tudo começa na atenção básica. E só tem um jeito de fazer isso: priorizando.

Os mutirões de saúde também são importantes. Eles não resolvem o problema, mas ajudam a diminuir a fila dos atendimentos represados. Por isso, realizaremos várias etapas da Caravana da Saúde em Campo Grande, em parceria com o Governo do Estado.

Terei o Governo do Estado como parceiro, mas hoje quem está disputando a eleição em Campo Grande é a Rose Modesto. Eu serei a prefeita e governarei com uma equipe, junto aos nossos servidores de carreira.

Também priorizaremos a educação. Vamos começar valorizando nosso servidor, cumprindo com o professor e planejando para entregar merenda, uniforme e kit escolar no início do ano letivo, como tem que ser. E isso tudo não é terceirizando nada, mas valorizando e reestruturando o que já existe.

Nossas forças, recursos e atenção estarão canalizadas especialmente para a saúde e a educação como meio de transformação. Quem investe nestas duas áreas consegue proporcionar melhor qualidade de vida para as pessoas.

Vale lembrar que a questão da prevenção se aplica também sobre outro grande problema da nossa cidade: o asfalto. Quando você insiste em tapar buraco em asfalto que não pode mais ser recuperado, é dinheiro que vai embora. Você tapa hoje e, se chover amanhã, o buraco reabre. É preciso gastar melhor o dinheiro público. Faremos isso com parcerias.

Durante o primeiro turno sua candidatura foi apontada como hegemônica, que iria reproduzir no âmbito municipal o que temos no âmbito estadual. Como a senhora analisa isso?

Na verdade, o que está dando certo no Governo do Estado, ou em qualquer lugar, tem que ser mesmo copiado, usado como modelo. O nosso governo não é perfeito, mas resolveu governar priorizando a necessidade das pessoas. Então, quando eu falo deste modelo, é disso que eu falo. Não se pode mais tomar decisões isoladas, dentro de uma sala, investindo naquilo que dá mais retorno sabe-se lá para quem. É preciso governar priorizando as pessoas. Terei o Governo do Estado como parceiro, como sei que o Reinaldo será parceiro de qualquer prefeito. Mas hoje, quem está disputando a eleição em Campo Grande é a Rose Modesto. Eu serei a prefeita e governarei com uma equipe, junto aos nossos servidores de carreira. Aquilo que está dando certo no âmbito estadual, vamos trazer. Não vamos errar. É com estes olhos que a população deve olhar para o nosso projeto.

A campanha se mostrou dura, com muitas acusações de ambas as partes. A senhora esperava isso?

Na verdade eu comecei a sentir isso já na pré-campanha. Venho sofrendo há quase um ano. Primeiro com esta história da cassação do Bernal. Foram ditas muitas inverdades, foram feitas muitas acusações infundadas. Esta história gerou uma investigação sobre todos os vereadores da época, e eu era vereadora. No entanto, não fui denunciada pelo Ministério Público. Mesmo assim usaram isso e continuam usando. É difícil ter que conviver com as inverdades, com a boataria, ao ponto de vermos o adversário dizer que eu, como prefeita, faria isso ou aquilo. A questão da terceirização, por exemplo: a boataria e a mentira são tão grandes que colocam dúvidas até na cabeça de quem conhece a gente. Tem sido muito difícil conviver com tudo isso. Mas, creio que o tempo dá resposta para tudo. O embate é legitimo, mas não podemos nos perder. Não podemos estar dispostos a qualquer coisa para ganhar uma eleição. Eu não vou fazer qualquer coisa para ganhar uma eleição. Muito menos praticar a velha política.

O Bernal, por uma questão de coerência, depois de tudo o que ele disse, de todas as acusações que fez, deveria ter ficado neutro. É o que tenho ouvido do eleitor. A coerência é fundamental na política.

Como a senhora analisa o apoio do prefeito Alcides Bernal à candidatura do seu adversário?

Avalio pelo que estou ouvindo nas ruas. O que o eleitor esperava? O eleitor do Marquinhos, mas principalmente o eleitor do Bernal? O Bernal, por uma questão de coerência, depois de tudo o que ele disse, de todas as acusações que ele fez, deveria ter ficado neutro. É o que eu tenho ouvido do eleitor. A coerência é fundamental na política. O que hoje faz com que o eleitor fique tão resistente à classe política é exatamente a incoerência, as mentiras, as falsas promessas, a corrupção. Então, infelizmente, isso acabou sendo um balde de água fria para os eleitores dele. É muito triste isso, um eleitor seu deixar de confiar em você, se sentir usado. Este é o clima que vemos hoje em Campo Grande.

Que recado a senhora dá ao campo-grandense nesta reta final de campanha?

Primeiro, gostaria de agradecer a todos aqueles que nos confiaram seu voto no primeiro turno, e pedir uma oportunidade neste segundo turno. Esta é a campanha do mais um, de agregar votos para, se Deus quiser, vencermos esta eleição no dia 30. Peço aos eleitores que não votaram no primeiro turno, ou que anularam seu voto, que não repitam isso. Isso não muda o processo da cidade, do Estado ou do país. Quando não escolhemos, alguém vai lá e decide por nós. Peço a atenção destes eleitores para conhecer um pouco mais da nossa história, do nosso projeto e do nosso plano de governo. Peço seu voto de confiança com o compromisso de fazer um governo transparente, com foco na gestão e no planejamento, ouvindo mais para errar menos e, acima de tudo, um governo onde não haverá nem mesmo cheiro de corrupção.

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