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Sexta-Feira 30.out.2020

Ano IX - Nº 416

Coluna

Brasil S/A

O país e sua relação com o capital estrangeiro.

Postado em 21 de Agosto de 2016 - Danilo Custódio

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“[...] um grande cargueiro, em plano zenital que faz da proa um falo que rasga o oceano, aporta no Brasil. Vindo da China, dele saem tratores solenemente escoltados pela polícia numa rodovia [...] A partir daí aparecerá o canavial, o extrativismo da terra, a urbanização desenfreada, a lavoura moderna do grande latifúndio, a aristocracia colonial tentando se passar por européia, o pré-sal descoberto em solo marciano numa colonização interplanetária brasileira surreal… Além do símbolo fálico da imponência, a chegada desse cargueiro marca um novo descobrimento: em vez de Cabral e seu escambo, chegam o desenvolvimentismo tecnológico e o capitalismo contemporâneo.”

Assim começa o texto A alma do negócio, que Raul Arthuso escreveu para a Revista Cinética sobre o lançamento de Brasil S/A, de Marcelo Pedroso. Quase dois anos depois o filme estreia no circuito comercial brasileiro, dando continuidade a sua trajetória depois de uma marcante passagem por festivais nacionais e internacionais. É um filme importante, que todos precisam ver. Não por seu apelo artístico, de um refinamento estético impressionante, mas sim pela representação que faz sobre nosso país e nossa condição de vida.

Principalmente agora, diante desse cenário de instabilidade política que estamos inseridos, onde o governo ilegítimo de Michel Temer torna público, a cada dia, sua intenção de transformar o país no negócio de poucos. Tal qual fizeram os militares com a extração do Nióbio e os portugueses com a extração de todo o resto. Se você é desses que acha que essa conversa é papo de petista, sinta-se convidado a descobrir quem é Blairo Maggi, nosso novo Ministro da Agricultura. Uma simples pesquisa no google já será bastante esclarecedora, como sempre é.

Brasil S/A pode ser visto nas telonas de quinze cidades brasileiras. Confira aqui onde encontra-lo e programe-se. Garanto que será uma experiência e tanto.

 

De olhos bem fechados (Eyes wide shut)

Luciano Maccio

Esse é o último filme de Stanley Kubrick, que morreu cinco dias após exibir o corte final. De Olhos Bem Fechados é uma obra sumamente psicológica, onde não só o roteiro, mas também a cuidadosa escolha de palheta, leva o espectador a acompanhar atentamente a trajetória de um dia estranho na vida do médico Bill (Tom Cruise).

Dr. Bill Hartford e sua esposa Alice vivem em New York com sua filha pequena. De classe média alta, vivem uma vida confortável e frequentam festas da classe abastada. O conflito começa após uma destas festas, onde uma conversa com Alice desestrutura toda noção de realidade que Bill possui em sua rotina. Inicia-se a busca irresponsável para encontrar o equilíbrio outra vez, saindo pelas ruas de New York em busca de experiências novas, mas as consequências são pesadas demais para o jovem médico.

Kubrick emprega neste filme uma passagem de tempo verossímil, sem grandes cortes de tempo e ritmo de acontecimentos. O uso do vermelho, azul e verde é algo que não passa desapercebido, a captação foi feita com as luzes ambientes e o resultado é um belo trabalho. Vale a pena ver este trabalho com vários colegas de diferentes opiniões, pois a discussão gerada será interessante.


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