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Terça-Feira 19.jan.2021

Ano IX - Nº 426

Coluna

Carrossel 2

A banalização do riso.

Postado em 15 de Julho de 2016 - Danilo Custódio

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Um dos melhores investimentos feitos pelo SBT nos últimos anos com certeza é o remake da novela mexicana Carrossel. Em 2015, depois de atingir os picos da audiência televisiva brasileira, o programa ganhou sua versão para o cinema e Carrossel – O filme se tornou uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro no ano passado. O negócio se mostrou promissor e, apenas um ano depois, chega às telonas tupiniquins o segundo filme da franquia, que narra uma trama absurdamente boba (pra não dizer boçal) que se resume a uma gincana escolar.

Em Carrossel 2 – o sumiço de Maria Joaquina, as situações são tão idiotas e forçadas que o riso perde o sentido. Pra piorar, muitas dessas situações são mal resolvidas pelo dispositivo cinematográfico. Trata-se de um verdadeiro vexame no que diz respeito a produção de conteúdo infantil. A única coisa interessante nesse filme está no pequeno vestígio das descobertas amorosas das crianças crescem. E, mais uma vez, ao invés de apostar num conteúdo inteligente, que transite pela descoberta da vida, desafiando a criança na sua percepção sobre o mundo, preferimos olhar para o lucro. Porque afinal de contas, o que importa mesmo é mais dinheiro no bolso.

 

Enquanto isso, em Brasília

No começo de junho o economista Alfredo Bertini foi o escolhido para comandar a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Um mês depois, na primeira entrevista que concedeu a respeito do futuro de sua gestão, ele disse que a TV pública não encontraria seu caminho através do Canal da Cultura. Seu caminho seria retomar a Programadora Brasil, um sistema criado em 2007 para distribuir conteúdo nacional através de DVDs, para escolas e outros órgãos públicos. Isso porque, para Bertini, a distribuição via internet através do VOD precisa ser feita por parceiros que tenham esta expertise. “Temos que enxugar o setor público”, concluiu. Penso que, enquanto nossos líderes continuarem iludindo o país de que vale mais a pena investir em tecnologia obsoleta (nesse caso, o DVD) e contratar serviços de empresas “parceiras” com expertise (nesse caso, a distribuição via streaming), nossas vidas continuarão a mercê do lucro das grandes empresas, que financiam as campanhas. E assim a vida segue...

 

Produção audiovisual para novas mídias

A primeira websérie que realizei, em parceria com uma galera muito ponta firme, faz parte de um estudo sobre processos. Nessa experiência, consideramos as especificidades das janelas que se apropriam da internet (mobile, computadores e tvs) e desenvolvemos um planejamento para trabalhar com equipe reduzida, uma câmera pequena e luz natural. Nas locações, pouquíssimas modificações foram feitas. O figurino era do próprio elenco, selecionados partindo de uma percepção de cores e texturas. A dramaturgia foi estruturada em roteiros que consideraram o tempo de permanência do espectador no consumo de vídeos para internet e a escolha da linguagem levou em conta a difusão em janelas pequenas e médias, de no máximo quarenta polegadas. O resultado você confere abaixo, na íntegra.


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