Semana On

Sábado 23.jan.2021

Ano IX - Nº 427

Brasil

Principais líderes mundiais devem desfalcar abertura da Olimpíada

Situação política gera desconforto em termos de protocolo.

Postado em 14 de Julho de 2016 - Redação Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A abertura da Olimpíada deve registrar ausências importantes. Muito provavelmente a cerimônia não contará com alguns dos principais líderes mundiais, como os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy.

Até agora, os líderes que asseguraram participação na cerimônia no Maracanã no dia 5 somam pelo menos 40 chefes de Estado.

O número representa pouco menos de 20% dos 206 países que disputarão as competições entre 5 e 21 de agosto. Em 2012, em Londres, cerca de cem autoridades compareceram à abertura.

Diplomatas dizem que a situação política no Brasil, que atravessa um processo de impeachment, com um presidente interino e uma presidente afastada, tem gerado desconforto em termos de protocolo.

Integrantes de governos como os dos EUA e do Japão reconheceram haver uma saia justa diplomática.

No entanto, nenhum deles diz ser esse o motivo da ausência de chefes de Estado. Impasses nas políticas domésticas enfrentadas por alguns governos contribuem para algumas desistências.

O britânico David Cameron, por exemplo, que deixou o posto de premiê na quarta (13), não havia mobilizado equipes em busca de hospedagem no Rio.

Obama, que tem reforçado a campanha de Hillary Clinton à Casa Branca, também não cogitou vir ao Brasil.

A lista de nomes confirmados inclui os presidentes da França, François Hollande, e da Alemanha, Joachim Gauck, o emir do Qatar, Tamin Bin Hamad Al Thani, e a princesa Anne, da família real britânica (irmã do príncipe Charles).

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, virá apenas para o encerramento.

A complexidade da segurança para alguns líderes dificulta uma decisão repentina. Não haveria, por exemplo, quartos disponíveis na rede hoteleira do Rio para abrigar a comitiva dos EUA.

Um funcionário do consulado dos EUA disse que na hipótese (improvável) de Obama decidir vir ao Rio na véspera dos Jogos, seria mais fácil ficar em outra cidade do país, como Brasília.

Na maioria dos casos, os líderes com planos de comparecer à abertura estão há meses com equipes envolvidas na pesquisa de hospedagem e de outros serviços, como locação de veículos blindados.

É o caso do Catar, que alugou seis casas em uma mesma rua em um condomínio da zona oeste carioca. A maior delas é a residência para o emir Tamin Bin Hamad Al Thani: uma mansão cinematográfica com 4.000 metros quadrados de área construída, sete suítes, piscina, spa e academia de ginástica. Outros 20 quartos foram alugados para a delegação do Catar em hotéis da zona sul.

Putin

O presidente russo Vladimir Putin estava entre os confirmados na Rio 2016. A delegação de seu país montou um grande esquema de segurança e hospedagem para trazê-lo à cidade.

Entretanto, com a notícia da suspensão da equipe de atletismo da Rússia por uma sucessão de casos de doping, tudo indica que Putin desistiu de vir ao país.

Procurada pela reportagem, a Embaixada da Rússia afirmou que havia comunicado inicialmente as autoridades brasileiras sobre a intenção do presidente de vir ao Rio. "Entretanto, até o presente momento não há confirmação oficial da vinda dele", informou o setor de imprensa da embaixada.

Putin ficaria na suíte presidencial do hotel Sofitel Rio, na Praia de Copacabana.

"Estamos há seis meses cuidando da hospedagem da comitiva russa. Contratamos duas intérpretes e deixamos outras quatro em stand by para atender a delegação", disse o francês Arnaud Bughon, diretor da Rio Exclusive, operadora de turismo com foco no alto luxo.

Ele ressaltou que ainda negocia com outras comitivas internacionais. "Boa parte das delegações que nos procuraram estão deixando para a última hora a decisão sobre vir ou não ao Rio."

Houve reserva de 140 quartos para a delegação da Rússia por dez noites no Sofitel e em mais dois outros hotéis da orla de Copacabana. Metade dos quartos seria destinada aos seguranças de Putin.

Como o governo russo já gastou mais de R$ 10 milhões com hotel no Rio, é possível que parcela das suítes da comitiva seja transferida para integrantes das federações esportivas do país.


Voltar


Comente sobre essa publicação...