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Segunda-Feira 08.mar.2021

Ano IX - Nº 433

Coluna

Temer o futuro do Brasil

O cinema brasileiro no regime da direita.

Postado em 13 de Maio de 2016 - Danilo Custódio

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Hoje meu dia começou com uma mensagem dum amigo de infância no grupo do whats: “melhor Temer o futuro e enterrar o passado Dilma vez”. No meu entendimento, os impactos mais imediatos do impedimento de Dilma serão aqueles já sinalizados pela câmara dos deputados ao longo do último ano. Algumas das pautas já aprovadas por lá – como o Estatuto da Família (que afeta diretamente a condição legal de milhões de pessoas) e a PEC 215 (que tira do Executivo o poder para demarcar terras indígenas e o confere aos próprios ruralistas), por exemplo – aguardam pacientemente na gaveta por esse momento, onde poderão, enfim, serem aprovadas no senado e receber a canetada do nosso digníssimo presidente interino.

Temer mal chegou e já extinguiu o Ministério da Cultura, além de outras pastas importantes como o Ministério das Comunicações – a Globo agradece – e o Ministério das Mulheres, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial. Além disso, a Controladoria Geral deixa de ser independente e passa a ser subordinada a seu governo. Como se não bastasse, três de seus novos ministros estão sendo investigados na Lava Jato e agora passam a ter foro privilegiado. E o Ministro da Agricultura é, ele próprio, um dos maiores produtores de soja do mundo e já propôs o fim do licenciamento ambiental.

Nos anos 90, quando Color assumiu, a primeira coisa que fez como presidente foi privatizar a cultura brasileira – que nessa época tinha apenas cinco anos de vida, uma vez que nasceu só em 85 com o fim da Ditadura. Para isso, colocou em prática o plano de governo que a maioria dos brasileiros elegeram nas urnas como sendo a “melhor proposta” para o país. Seu primeiro ato foi extinguir a EMBRAFILME – Distribuidora de Filmes S.A e a FCB – Fundação do Cinema Brasileiro – junto com as demais fundações das artes – para criar a Lei Rouanet, que transfere para o setor privado a decisão de como o dinheiro público destinado a cultura será investido.

No caso do cinema, com a privatização bem encaminhada, quem comprou tudo foram as exibidoras americanas. E Hollywood chegou com os dois pés na porta, porque esse é o estilo deles. Dá pra contar no dedo quantos filmes nacionais pude ver no cinema nesse período. Em compensação, pude ver nas ruas um montão de gente pressionando seus deputados e senadores para votarem aquele impeachment. E impedimos um presidente que extinguiu a cultura. Hoje, quase trinta anos depois, me deparo com a estranha realidade inversa. E todo um programa continuado que vinha dando conta da emancipação política da cultura brasileira vai pelo ralo.

É verdade que hoje possuímos uma produção cinematográfica de dar inveja. O Brasil é um dos poucos países que todos os anos emplacam lindos filmes nos mais importantes festivais do mundo. E o MinC tem muita responsabilidade nesse retrospecto. É uma pena que nosso futuro indique outro caminho. Por enquanto, o máximo que podemos fazer é entender o tamanho do retrocesso que é a fusão das pastas da cultura com a da educação, e nos posicionar quanto a isso. Leia mais e assine a petição!.


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