Semana On

Sábado 27.fev.2021

Ano IX - Nº 432

Coluna

Em Brasília, o clima foi quente!

Liziane Berrocal esteve lá e acompanhou de perto.

Postado em 15 de Abril de 2016 - Liziane Berrocal

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Estive em Brasília acompanhando a votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Brasília respira e inspira política, imagine então num dia como o domingo passado? Não era propriamente uma novidade, já que Fernando Collor passou pelo mesmo, porém, o advento das redes sociais deu - sem dúvidas - maiores dimensões a isso tudo. Eu há muito não via tanta gente diferente participando de algo junto.

CNA

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) – que organizou uma caravana de cerca de 600 sul-mato-grossenses -montou uma tenda imensa. Não consigo precisar quais cidades e estados estavam presentes, mas cerca de 20 mil pessoas, só no local que eu estive fizeram representação com camisetas, bandeiras e gritos de ordem. Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais foram os estados com maior destaque. Os produtores rurais desses locais foram em peso para Brasília. Chama atenção a grande mesa de aproximadamente uns dez metros lotada de frutas, representando o setor. E tudo à vontade para quem quisesse pegar, e apesar disso, super organizado.

Senhores e senhoras

Entre os manifestantes, muitos, mas muitos idosos, senhores e senhoras de aproximadamente 50 a 70 anos, com chapéus e ornamentos que puderam usar para se protegerem do sol, mas sem perder o pique. Entre eles, cartazes e faixas eram segurados sem cansaço! Na esplanada dos Ministérios, a mesma cena. Próximo de mim, três senhoras gritavam sem cansar palavras de ordem contra Dilma e vaiavam cada voto a favor ou vibravam com os votos contra!

Jovens na política

Entre os rapazes presentes, o que me chamou a atenção é que muitos se mostraram politizados e interessados em política. Em nossa caravana por exemplo, os gêmeos Yhan e Yhgot Chagas, de Rio Verde (MS), são ligados à política no município onde moram. Aos vinte anos, os rapazes perguntavam várias coisas, faziam questionamentos e participavam ativamente das atividades. Levando muito a sério tudo aquilo e o assunto preferido deles, sim, era a política!

Sede de conhecimento

Entre os apartidários, uma fisioterapeuta, a Wal chamou a atenção pelo desconhecimento político, pela opinião formada acerca da Dilma, mas principalmente pela necessidade e desejo demonstrados em aprender sobre política. Sim, ficou claro nela uma vontade imensa de saber mais, de como funciona e de ali, formar opinião sobre. A jovem fisioterapeuta fez perguntas sem vergonha de ser feliz ou de parecer fora do contexto. E sabe o que isso mostra? Que há uma gama imensa de pessoas que precisam e querem participar mais ativamente da política do nosso país, e isso é muito bom!

Político no chão

Não vi políticos em cima de carro de som, só ruralistas e presidentes de sindicatos rurais. Um deles, inclusive, me chamou a atenção: se declarou médico e produtor rural, e que para ele, estar ali era um ato de cidadania, já que teria perdido muito com esse governo.

Da terrinha

Entre os políticos do Estado, apenas o deputado Carlos Marun e a vereadora Carla Stephanini foram saudar a caravana de MS. O que foi aceito de bom grado, claro, visto que eles foram até o lado onde estavam os que tinham o mesmo pensamento que eles. No mais, apenas Marun falou sobre a votação.

Tio Pucci roubou a cena

Apesar de não ter voto, de não ser deputado, de não ser mandatário, o ex-governador André Puccinelli roubou a cena. Ele apareceu durante a votação e mesmo não tendo falado uma só palavra, causou um burburinho imensooooo entre os sul-mato-grossenses. Mas gente, o homem é líder do PMDB, o vice-presidente é do PMDB, ele foi lá e pronto, uai. Simples assim! "O que o Puccinelli está fazendo em Brasília? ‪#‎Mimimimi. Gente, Ele foi e pronto. Daí fica um bando de invejosos chorando! Tio Pucci está divando em Brasília, pq ñ é picolé de chuchu gente! Só isso. Bijus, me liguem! 

De acordo com o que manda o figurino, oras

Os votos dos petistas Vander Loubet e Zeca do PT não devem ser criticados. Os dois são petistas, eleitos pelo PT, esperavam o que? Que eles votassem contra a Dilma, me poupem né! Aliás, nenhum desses votos podem ser considerados "críticos'. Meus amores. O sistema democrático é isso aí, não tem jeito.

Patético? Depende do ponto de vista...

A professora de jornalismo Cristina Ramos chamou o voto de Elizeu Dionizio de patético. Eu vou além, patético é as pessoas saberem - de um lado e do outro, para que e por qual grupo eles foram eleitos e ficarem de crítica infundada. Por exemplo, uma comissionada da prefeitura concordou com a crítica contra Elizeu, que lembrou da queda de Bernal.  Claro, ela é comissionada da prefeitura. Tem os interesses dela. Eu respeito isso, mas não vejo o mesmo respeito por parte de muita gente. Ou vai me dizer que se ela fosse comissionada do Elizeu, ela não iria rebater? 

Cada um no seu quadrado...

Como criticar por exemplo, Vander Loubet ou o Zeca do PT por votarem contra o impeachment? Pelo contrário, acharia horrível se eles votassem a favor. Oras, eles são do PT! Não esperava outro posicionamento. O mesmo para o Dagoberto, que seguiu o que o partido MANDOU e não o que ele dizia a boca pequena. Simples assim.

Tereza, do campo...

Antiga "musa" da bancada ruralista, Katia Abreu foi criticada aos berros dos microfones em Brasília. Em MS, Tereza Cristina assumiu a bronca e foi aclamada pelos partidários da bancada rural.

Engole ou cospe?

Jean Willis não me agrada, não gosto dele nem da época do BBB. Apesar de saber que a luta dele é justa, e concordar em muitos pontos, achei desnecessário, nojento e abominável ele cuspir no deputado Jair Bolsonaro. Acho Bolsonaro igualmente abominável, não engulo, não suporto – pessoalmente falando, mas o gesto demonstrou um destempero emocional que não cabe. Simples assim, e quem defende, pode continuar defendendo, que na minha vida não vai mudar nada. Mas assistam Gandhi, e vão entender o que eu estou falando.

Em Campo Grande

Enquanto isso em Campo Grande, os professores ainda em tom de greve, a prefeitura dizendo que não tem grana para pagar nada a mais, mas ainda assim nomeando – inclusive o comandante da greve do ano passado, vereador cassado Paulo Pedra, com altos salários. Fica a questão, tem dinheiro para isso, mas não tem dinheiro para pagar os professores???

Em Dourados

Diz que em Dourados, a caravana da saúde do Governo do Estado atendeu 200 mil pessoas em três dias. Gente, esse número é oficial? Por favor, me digam que não foi tudo isso, porque daí, eu vou começar a chamar o Papa para canonizar esse pessoal que faz esse atendimento! Porque né...

Para quê?

Um questionamento: para que fechar a agência do banco do Brasil das Moreninhas? Gente, aliás, tudo querem fechar nas Moreninhas. Eu estou achando é que as pessoas gostam de ver um pampeiro, porque sabe que o pessoal das Moreninhas não ficam quietos mesmo. O vereador Chiquinho Telles já encampou um abaixo assinado contra a medida. Espero que repensem mesmo! Deixem as Moreninhas em paz. Primeiro foi o Juizado, depois a maternidade, agora o banco...

Força!

Foco, força e fé, muita fé para o vereador Professor João Rocha, presidente da Câmara Municipal, que junto com sua Rose, conhecida como tia, por ser professora, enfrenta mais uma dura batalha. Deus no comando!

Sem holofotes

Eu até estranhei que os políticos daqui não deram uma de papagaio de pirata em Brasília, indo nas manifestações e tal. Até porque, para aguentar o batidão, vamos combinar que tem político que não aguenta não, só se fosse de avião. Foi punk!

Leia atentamente

"Cada um desses pilantras foi paparicado e mimado pelo petismo ao longo de anos. A cada um deles foram oferecidas benesses, cargos, emendas, conluiois, negócios. Cada um deles foi tratado a pão de ló, enquanto indígenas, LGBTs, quilombolas, ribeirinhos, ambientalistas, manifestantes independentes e oposição de esquerda eram tratados a porrada. Aos que protestavam contra a traição aos princípios fundadores do PT, a alcunha reservada era "ingênuos! Vocês não sabem que é assim que tem que ser? Que a governabilidade manda que assim seja?"

O petismo nada fez pelos direitos LGBTs, pelo direito ao aborto, ou sequer pela igualdade salarial entre homens e mulheres, lei que Dilma se recusou a assinar. E cada um dos pilantras que evocou a "defesa da família" votou sim ao impeachment.

O petismo nada fez pelos indígenas e ribeirinhos, sufocando-os com hidrelétricas e mimando o agronegócio com isenções e cargos. E cada um dos coroneis ruralistas votou sim ao impeachment.

Cría cuervos, y te sacarán los ojos. Quem com porcos se mistura, farelo come. E é com tristeza que digo isto: se este não for o momento de uma profunda autocrítica do petismo, é sinal de que ela não virá nunca.

Idelber Avelar"

Vale acompanhar

O Livro "O Grito" do pastor batista Mauro Clementino. Não, ele não fala sobre religiosidade ou sobre Deus e sim sobre política. O livro escrito em 2009, antes da eleição de Dilma Rousseff (PT), traz dados sobre a questão política do país, com ótica de quem morou fora do país, de quem enfrentou um erro médico que deixou o filho com uma paralisia cerebral e uma análise profunda e fundamentada sobre Luis Inácio Lula da Silva, o considerado salvador da pátria por muitos. Só os dados que são apresentados ali já valem cada segundo de leitura. Atenção para o aviso: "Venda proibida para quem não gosta de pensar". Mauro Clementino é formado em Teologia e Administração e Licenciatura plena em Educação, com pós graduação na Spurgeon's College na Inglaterra com Doutorado em Aconselhamento na Flórida (EUA).


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