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Sábado 27.fev.2021

Ano IX - Nº 432

Coluna

Mistério

O que está por trás das operações da Coffee Break e Lama Asfáltica.

Postado em 15 de Abril de 2016 - Josceli Pereira

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Mato Grosso do Sul convive com um dilema sem resposta no desfecho de duas investigações que movimentaram a vida dos campo-grandenses. Vamos entender como foi:

Coffee break:

As investigações da operação Coffee Break começaram no dia 31 de julho. A operação foi deflagrada em 25 de agosto de 2015, quando nove vereadores foram conduzidos para prestarem depoimento no Gaeco, além de afastar dos cargos o então prefeito Gilmar Olarte (PP) e o presidente da Câmara Municipal, Mário Cesar Fonseca (PMDB).

Promotores analisaram o período do segundo semestre de 2013 até depois de 12 de março de 2014, quando Bernal teve o mandato cassado. Segundo o coordenador do Gaeco ficou evidenciado que houve, de fato, uma associação de pessoas, que por interesses empresariais e políticos, orquestraram um plano para, por meio de oferecimento de vantagens, obter votos para a cassação do prefeito Alcides Bernal.

A imprensa local e nacional passou a acompanhar cada detalhe das ações que o Gaeco formalizava para conclusão das investigações. Foi um cenário de verdadeira comoção da sociedade, diante de um fato que jamais seria imaginado pela população. Estavam envolvidos nesta investigação os grandes nomes da politica local. Pessoas que, se confirmadas às investigações, atingiriam uma grande parcela dos representantes políticos tradicionais da nossa sociedade.

Neste cenário outras investigações paralelas acabaram por cassar os mandatos de quatro vereadores, acusados de compra de votos e um deles também por pedofilia.

Lama Asfáltica:

Deflagrada em 09 de julho, a Operação Lama Asfáltica, que investiga suposto esquema de desvio de dinheiro em obras públicas do governo de André Puccinelli (PMDB). Anunciando prejuízo inicial de R$ 11 milhões aos cofres públicos, equipes da PF (Polícia Federal) cumpriram mandados de busca e apreensão em empresas, residências de luxo e na Seinfra (Secretaria Estadual de Infraestrutura). A força-tarefa do MPE, por sua vez, investiga contratos, mas com os que contaram com verba estadual. Durante as investigações várias pessoas foram presas por ordem judicial e seus bens foram bloqueados para garantir o ressarcimento dos valores a serem apurados em eventual condenação.

Estas duas operações passaram a dividir o mesmo cenário em razão de ter alguns dos seus autores envolvidos nos mesmos assuntos. Misteriosamente o Coordenador do Gaeco, o promotor Marcos Alex Vera, foi afastado da coordenação e somente com a reação imediata da sociedade foi novamente reconduzido ao cargo, porém, já com data certa para ser afastado do comando dos trabalhos.

Após a entrega do relatório da Operação Coffee Break (dezembro/2015), contendo em torno de 270 páginas, o mesmo foi “esquecido” na gaveta do gabinete do procurador-geral do MPE/MS. Os crimes praticados: associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

A população tem cobrado e se manifestado em eventos como os abraços simbólicos ao Gaeco, exigindo a manifestação sobre a estranha demora em o procurador-geral de Justiça, Humberto Brites se manifestar sobre o oferecimento da denúncia ou não para o Tribunal de Justiça do MS.

O que a sociedade espera? Seriedade e justiça. A imprensa está calada. Os figurões da política envolvidos nos escândalos apurados continuam a decidir a vida dos cidadãos através das suas ações parlamentares. O irmão do procurador-geral está envolvido nestas investigações e tudo passou simplesmente a não existir.

Daqui mais alguns meses a população irá novamente às urnas para escolher seus representantes municipais (prefeito e vereadores) e não terá ainda a definição dos nomes dos envolvidos nas operações não concluídas. Um desserviço para a moralidade da nossa política. Este silêncio que envolve o caso é prejudicial à democracia. Os interesses de grupos sobrepõem à ética e colocam na vala comum as instituições envolvidas.

Estas mesmas instituições que, em outros estados, estão passando o Brasil a limpo não estão encontrando eco entre os nossos representantes. É inaceitável que os interesses políticos possam estar ditando regras dentro das instituições que têm como objetivo a defesa da sociedade. Carecemos de uma resposta.

A investigação está concluída, o relatório feito. O que o procurador-geral está esperando? Mistério!

Cadê a imprensa? Cadê a OAB? Cadê o MPE? Cadê a Justiça do MS?

Enquanto não achamos estas respostas, o cafezinho ainda continua a ser servido aquecido pelo calor da lama asfáltica!

Pense nisto!


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