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Domingo 29.nov.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Mato Grosso do Sul x crises

Nosso desafio econômico e moral.

Postado em 01 de Abril de 2016 - Josceli Pereira

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Para nós, sul-mato-grossenses, a tão propalada crise econômica tem feito menor estrago na economia e, de certa forma tem causado menos dano na vida da população do que em outros estados da Federação. Um dos indicadores deste efeito menor pode ser verificado no cotidiano das pessoas. Apesar de várias empresas estarem fechando seus estabelecimentos, os registros na Junta Comercial apontam também uma significativa tendência na abertura de novos empreendimentos. É a adequação natural do mercado, cuja regra maior é a oferta e procura.

A crise não é geral, tem suas particularidades e sazonalidades. Nesta análise não cabe a generalização, pois diversos segmentos da economia, por suas particularidades, têm experimentado até mesmo um crescimento.

Nosso estado tem uma forte base na economia no setor agropecuário que, em virtude do câmbio do dólar e o aumento das exportações, aliados às excelentes safras agrícolas, resulta em uma entrada e movimentação significativa da economia periférica a este segmento. Toda a economia relacionada à agricultura e pecuária tem mantido seu crescimento. Esta base econômica segurou o emprego e renda, ajudando a diminuir as consequências da crise. Nossas maiores indústrias estão relacionadas ao setor agropecuário e na mesma tangente mantém estável sua atuação.

O setor de serviços, muito forte na economia, também não tem acusado o golpe da crise. São segmentos no varejo que encontram sustentação em uma infinidade de categorias de consumo, cujo equilíbrio se dá naturalmente. O comércio local tem absorvido as mudanças e até mesmo as adaptações necessárias para suportar a travessia da crise.

A arrecadação de tributos está mantida dentro dos níveis anterior à crise e isto demonstra que a economia na qual o tributo incide está mantendo seus níveis, além de contar com alguns ajustes feitos nas alíquotas dos produtos supérfluos e nas doações patrimoniais.

A crise moral acabará com a conscientização da sociedade em afastar do poder os falsos representantes do povo.

Talvez a nossa maior crise não seja a econômica. O nosso maior entrave é a crise moral dentro da política, estabelecida pela descontinuidade que ocorre no Poder Executivo Municipal e do descrédito total da Câmara de Vereadores. Esta sim é a crise maior, enfrentada por todos nós! Um verdadeiro show de trapalhadas. Uma sequência de crimes que vão desde pedofilia, compra de votos e golpes na destituição de prefeito, promovida à base de propina. Sem contar com as sentenças judiciais já definidas, onde os envolvidos estão com seus bens pessoais bloqueados por ordem judicial para reparação dos danos causados pelos desvios de recursos dos cofres públicos.

Temos ainda o mistério envolvendo a lentidão dos processos das Operações Lama Asfáltica e Coffee Break que, sem maiores explicações, não foram concluídas pelo MPE, impossibilitando assim a manifestação do Tribunal de Justiça sobre as denúncias apuradas pela equipe do GAECO.

Não podemos esquecer ainda que o Mato Grosso do Sul amargue no noticiário o envolvimento de representantes políticos no Congresso Nacional, desencadeada pela Operação Lava Jato, que resultou inclusive na prisão de um senador do MS, em plena atividade parlamentar.

Toda crise abrange um período em que determinado sistema exaure suas metodologias. A crise econômica diminuirá quando o mercado passar a ter confiança no sistema econômico do governo e no momento em que suas ações políticas não interfiram na Lei de oferta e procura.

A crise moral acabará com a conscientização da sociedade em afastar do poder os falsos representantes do povo. Quando a ética se tornar a moeda forte nas casas de leis e quando o poder executivo passar a ter como objetivo maior a honestidade e que suas decisões busquem a melhor oferta dos serviços públicos à coletividade.

Uma parcela dos membros do judiciário está fazendo valer a Lei. Mesmo tendo o “fogo amigo” sentado ao lado e usando a mesma cor de toga.

A população poderá também dar um basta na crise moral utilizando a maior arma para esta guerra: O VOTO!

Pense nisto!


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