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Quarta-Feira 02.dez.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

High Maintenance

Apologia à maconha ou conscientização das condições sociais de cada indivíduo?

Postado em 18 de Fevereiro de 2016 - Danilo Custódio

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Ontem, em visita a dois grandes amigos que conheci recentemente, descobri High Maintenance (Salve Tchê! \o). Não consegui parar de assistir. Na trama, acompanhamos em cada episódio muitos personagens interessantes. Aos meus olhos são pessoas “reais”, cada uma com suas manias, seus problemas, suas diferenças. São personalidades complexas dentro de um ambiente social claustrofóbico que é uma cidade do tamanho de Nova Iorque.

Todos esses personagens, por mais diferentes que sejam, tem algo em comum: a maconha. Um protagonista, que vende a erva, transita de episódio em episódio entrando na vida dessas pessoas. São histórias curtas, onde tudo acontece no seu devido tempo e de forma muito intensa. Trata-se de uma Web Série incrível, que dialoga de forma sem igual com as demandas contemporâneas da comunicação audiovisual.

Apesar das histórias de todos os episódios abordarem o uso da maconha, nunca é ela quem está em evidência. O que vemos são personagens cotidianos com os quais nos identificamos, não aqueles criminosos do tráfico e dependentes químicos. Vale lembrar que a droga, apesar de ainda proibida no Brasil, já é legalizada em alguns estados norte americanos. Talvez o segredo tenha sido justamente o de criar um discurso narrativo que vai na contramão da criminalização, ainda que abordando aspectos positivos e negativos do consumo da droga.

Tecnicamente, é lindo. Possui uma montagem de tirar o fôlego e uma estrutura narrativa inteligente. Tudo feito com luz natural e câmeras pequenas, sem levantar o circo. Merece até um estudo sobre seus processos. Atualmente a webserie é financiada pelo VIMEO e sua próxima temporada será produzida pela HBO. O acesso é pago, mas alguns episódios foram liberados no final de 2014. Bora ver?

 

Não deixe o audiovisual morrer

Aqui no Brasil – assim como em muitos outros lugares do mundo – quando um setor da economia nacional começa a se desenvolver, logo aparece um plano mirabolante para impedir que esse desenvolvimento continue. Dessa forma, o produto estrangeiro consegue se estabelecer com mais liberdade, dominando o mercado sem deixar espaço pra concorrência. É assim que o capital estrangeiro explora a economia dos países periféricos e a história vem nos ensinando isso a muito tempo já. Frear o desenvolvimento do audiovisual brasileiro, que vive um bom momento de crescimento na sua qualidade técnica e de conteúdo, gerando emprego e renda, só interessa à indústria audiovisual do Tio Sam. Não podemos deixar que isso aconteça!

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Enquanto isso, em Mato Grosso do Sul

A Fundação de Cultura de MS lançou, no final do ano passado, o edital de apoio à produção de obras audiovisuais inéditas de curta metragem, de ficção ou documentário. Ao todo, quatro projetos para a realização de filmes de 10 à 30 minutos serão contemplados. O valor do prêmio é de 40 mil reais por projeto e as inscrições estão abertas até dia 21 de março. Ficou interessado? Acesse o site, baixe o edital e envie seu projeto =)

Editais SECTEI 2015/2016

 

Ex-machina

Convidado: Luciano Maccio

Ex-machina é uma experiência incrível. Um filme de questionamentos humanos contados através de uma máquina. Através da arte que tem como característica principal causar sensações, não apenas entendimentos e interpretações. A narrativa nos apresenta uma história sólida, com começo meio e fim, onde Caleb Smith ganha um concurso lançado por seu chefe e viaja até a casa dele para receber o prêmio. Lá, conhece “Ava”, uma robô humanoide, e Caleb é incumbido de aplicar um teste para determinar se a máquina possui inteligência artificial e propriocepção.

Os diálogos de “Ava” e Caleb ficam cada vez mais pessoais e as dúvidas começam a aparecer, revelando as falhas do teste. Nathan, o chefe, é dono da maior ferramenta de busca online do mundo e deposita todas as informações de seu banco de dados no cérebro artificial de “Ava”, tornando suas capacidades de interpretação praticamente infinitas. Uma crítica sutil sobre a natureza humana e a insanidade presente em cada um de nós. Afinal, não somos nós mesmos programados também? Não agimos sem questionar somente por um sentimento pavloviano de satisfação, de recompensa imediata? Sabemos que estamos vivos?


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