Semana On

Domingo 25.ago.2019

Ano VII - Nº 360

Comportamento

Por que as pessoas se beijam?

Cientistas estão se dedicando ao tema para descobrir.

Postado em 18 de Fevereiro de 2016 - Redação Semana On

Beijo, de onde ele veio? Beijo, de onde ele veio?

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Você já parou para pensar na pergunta acima? Existe todo um grupo de pessoas que se dedica somente à ela. Trata-se dos pesquisadores da filematologia, ciência dedicada ao estudo do beijo.

A verdade é que existe muito mais em um beijo do que o desejo ou a paixão. Quando duas pessoas se beijam, elas trocam entre si nove mililitros de água; 0,7 miligrama de proteínas; 0,18 miligramas de compostos orgânicos; 0,71 miligramas de gorduras, 0,45 miligramas de cloreto de sódio; isso sem contar as bactérias, que podem chegar a até um bilhão. 

Em um estudo publicado em 2015 no periódico American Anthropologist, 54% das 168 culturas analisadas não possuíam evidências de beijos românticos. "Acreditamos que o etnocentrismo ocidental, a crença que um de nossos comportamentos prazerosos seria humano, pode ter criado essa ideia de que o beijo é universal", escreveram os cientistas. Nesse caso, o beijo romântico seria um hábito desenvolvido culturalmente.

Mas, como lembra o Smithsonian, o motivo pelo qual os humanos beijam - desconsiderando o elemento romântico da equação - ainda é um mistério para os cientistas. Rafael Wlodarski, que dedicou boa parte de sua carreira à filematologia, acredita que as pessoas trocam beijos por uma combinação de atração psicológica e biológica. "Você não pode ter psicologia sem um cérebro biológico", explica.

Um estudo conduzido por Wlodarski na Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostra que as pessoas que beijam com maior frequência são mais felizes e satisfeitas com seus relacionamento. No momento ele tem como objetivo descobrir o motivo de os beijos fazerem com que casais se sintam mais próximos.

O beijo não é universal

O estudo da American Anthropologist realizou um verdadeiro 'censo' do beijo. Estudos anteriores que afirmavam que 'beijar é universal' agrupavam o beijo sexual/romântico com beijos mais sociais, entre pais e filhos. E, obviamente, as coisas são diferentes.

Então os cientistas analisaram dados de alguns grandes estudos anteriores que analisavam várias culturas humanas e contataram etnógrafos para perguntar se, em seu trabalho de campo, eles haviam testemunhado o beijo romântico/sexual. No total, 168 culturas de vários cantos do mundo foram pesquisadas. O resultado você leu alguns parágrafos acima.

Mas qual é a diferença entre culturas que têm o beijo e aquelas que não têm o hábito? Uma variável comum foi a estratificação da sociedade. O beijo romântico é mais comum em sociedades complexas, não nas mais simples. Ainda não se sabe, no entanto, por que ou se (afinal, não sabemos se a relação é direta) a estrutura social mais rígida pode promover o beijo romântico. 


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