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Sábado 05.dez.2020

Ano IX - Nº 422

Coluna

Sobre jarras e presidentes

Carlos Moreira, de Sintra, escreve sobre as eleições nas quais os portugueses escolherão o novo presidente neste domingo.

Postado em 21 de Janeiro de 2016 - Maranhão Viegas

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Os portugueses vão a votos neste domingo (24) para eleger presidente. Depois de 30 anos de presidentes que se ‘podiam mostrar aos amigos’, os últimos 10 anos foram para esquecer.

Na verdade, nos últimos anos Portugal não teve muita sorte com o presidente que escolheu: uma personagem cinzenta, vingativa, mesquinha, que acabou como uma espécie de múmia que de quando a quando emite uma publicação na sua página oficial de Facebook a fazer prova de vida para continuar a receber o salário.

Esse ciclo termina no próximo fim de semana com a escolha de um novo presidente que sai teoricamente de um lote de 10 candidatos, mas que na prática se resume a um que andou durante anos a fazer campanha na televisão e a ter tempo de antena gratuito (ou melhor, ainda lhe pagavam e muito bem) e os outros, que vão desde reputados académicos a um operário calceteiro).

A coisa portanto está entre um que tenta ganhar à primeira volta porque sabe que dificilmente ganhará à segunda se por acaso a isso for obrigado, e todos os outros que tentam o tal segundo lugar que pode dar lugar à vitória (sendo que desses 9 apenas 2 podem aspirar a isso e desses 2 apenas 1 realmente acredita que consegue).

Nada muda com um presidente ou outro já que o real poder de um presidente em Portugal é relativamente diminuto (temos uma múmia na presidência e o país segue normalmente o seu caminho), mas sabe bem ter um presidente do qual não nos envergonhemos quando diz que gosta do sorriso das vacas.

Também existe aquela parte de ser uma espécie de segunda volta das eleições legislativas em que a direita teve o partido mais votado, mas longe da maioria, e a esquerda que conseguiu a maioria no parlamento e o governo que daí saiu, mesmo que o partido do governo não tenha apoiado nenhum dos candidatos para poder dizer, no caso de perder, que não tinha candidato e por isso não perdeu.

Confusos?
Não estejam.

O presidente em Portugal é uma espécie de jarra que tem que se colocar no meio da mesa para a compor.

O que acontece é que nem todos gostamos das mesmas jarras 

 

Segurança com carga dobrada

O novo edital lançado pela Companhia Metropolitana do DF prevê a diminuição do número de vigilantes armados na estrutura. Não é uma medida desejável, mas é inevitável. Não tem dinheiro para a contratar vigilantes na proporção adequada. Com isso, o serviço que era feito por eles vai passar a ser desempenhado por pessoal concursado, sem armas. A notícia está publicada na edição de quarta-feira (20), do jornal Metro DF. Ela traz a informação de que a companhia Metropolitano do DF vai reduzir o número de postos de seguranças armados em 30%. É a crise. Não há dinheiro para contratar. 

Restam algumas perguntas: Como vai ser de agora em diante? E a resposta é curta e grossa: Os postos vazios deveriam ser substituídos por funcionários concursados. E eles existem? Existem, mas não na quantidade necessária. Para suprir a demanda, deveriam chamar os aprovados no último concurso, que ainda não foram chamados.  E não foram chamados por quê? Porque o governo atingiu o limite de gastos com pessoal, estabelecido pela Lei de Responsabilidade fiscal.

E como fica a questão da segurança do Metrô, então? Simples. As vagas que sobram em aberto, dos seguranças que não serão contratados vão ser preenchidas por vigilantes do metrô, desarmados. Mas de onde eles vem? Vem de onde já estavam. Ou seja, num português claro, o trabalho de quem já estava trabalhando vai dobrar. E isto funciona? A experiência mostra que não. Mas...

O alto risco de uma situação dessas é inquestionável. Com segurança não se brinca. Mas, a considerar a realidade, os passageiros do Metrô-DF vão começar a ter que contar mais com a sorte. E com o aumento da proteção divina.  


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