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Domingo 15.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Coluna

O cinema clássico

Os ingredientes do medo no gênero terror

Postado em 03 de Dezembro de 2015 - Danilo Custódio

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De novo, o velho Cinema Clássico. Mas agora dando espaço a um gênero específico, que já se provou ser uma das mais lucrativas invenções do cinema hollywoodiano pelo seu baixo custo e alto apelo popular. O cinema de horror, ou Thriller como é oficialmente intitulado lá na terra do tio Sam, tem raízes no Expressionismo, arte de vanguarda alemã que militava contra os horrores da primeira guerra mundial. As primeiras manifestações expressionistas se deram na literatura e nas artes plásticas, através de folhetins e cartazes que eram espalhados pelas ruas de Berlin. Anos mais tarde a arte da expressão chegou no teatro, na música e, por fim, no cinema.

“O romântico pessimismo da alma alemã produziu o expressionismo para expor – nas artes plásticas, na literatura e no cinema – o apocalipse moral de um mundo em crise” disse o criticado crítico e teórico de cinema Luis Carlos Merten, em seu livro Cinema: entre a realidade e o artifício. E é aqui que mora a diferença entre o terror hollywoodiano e o expressionismo alemão. Do ponto de vista narrativo, os roteiristas norte americanos optaram por abordar o mal de forma bíblica, através de alegorias como fantasmas, demônios e reinos infernais. Já os alemães preferiram falar da loucura, da moral e da maldade de seus personagens, que eram representações do próprio ser humano, heranças óbvias de um pós-guerra.

O resultado de Hollywood é um tipo de filme artisticamente esvaziado, onde o espectador não é levado a lugar algum, além daquele velho ambiente fantasioso e sombrio onde o barulho sonoro e/ou a imagem exagerada acaba assustando mais do que as complexidades dos personagens. E sim, é claro que sempre existem as exceções, como em Psicose, de Hitchcock. Mas no cinema de horror, essas exceções são raras. E a mais recente delas é o A Visita, de M. Night Shyamalan.

Aqui somos apresentados a quatro personagens complexos, separados por longos anos já vividos: uma garota de quinze anos e seu irmão mais novo, que visitam seus avós. Um conflito de gerações, onde a idade se mostra um fardo e a loucura se revela como mecanismo de defesa de mentes traumatizadas e doentes. Não existem alegorias, apenas pessoas reais. E essa leitura é reforçada pela linguagem empregada de forma finamente acabada. Shyamalan prova que ainda é o maior arquiteto do medo do cinema contemporâneo, além de um bom investimento. Vale a pena conferir!

 

INDICAÇÃO

Intocáveis (Intouchables)

Luciano Maccio

Um filme francês sensível, intocáveis nos apresenta Driss, um senegalês radicado em Paris. Driss tem problemas com a lei e a falta de rumo na vida, quando é contratado por Phillipe, um multimilionário tetraplégico, para ser seu cuidador. Deste ponto em diante começa a evolução contígua dos dois indivíduos que, entrando em sinergia, se complementam e buscam dentro de duas personalidades diferentes, criar uma unidade de vida que agregue conhecimento e felicidade em suas trajetórias. A narrativa é brilhantemente construída.

Embora lidando com um tema carregado de teor dramático, o longa nos presenteia com momentos de comédia geniais que fazem perder o ar de tanto rir. A elegância e emoção com que esta história é contada, acompanhada da trilha genial de Ludovico Einaudi, nos leva a avaliarmos nossas relações com os que vivem a nossa volta. Em nenhum momento a temática gira em torno da disparidade social dos dois protagonistas, mas sim na natureza da alma e como as relações que se constroem na vida podem nos sugar ou nos elevar como seres humanos.

Intocáveis é um filme para ver sozinho, sóbrio e tranquilo. Para colocar em pauta como você tem tratado as pessoas a sua volta. Pessoalmente, após ver o filme, liguei para meu melhor amigo e o lembrei do quão ele foi e é importante na minha trajetória.


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