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Ano IX - Nº 411

Poder

Ministério da Justiça afasta empresa após polêmica sobre jihadistas

Terceirizada de mídias sociais defendeu no Facebook imigração de jihadistas.

Postado em 06 de Novembro de 2015 - Redação Semana On

Jihadista do Estado Islâmico pouco antes de decapitar um refém. Práticas bárbaras. Jihadista do Estado Islâmico pouco antes de decapitar um refém. Práticas bárbaras.

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Uma polêmica na internet envolvendo a defesa da imigração de "jihadistas" para o Brasil levou o Ministério da Justiça a determinar nesta sexta-feira (6) o afastamento da empresa terceirizada responsável pela moderação dos comentários publicados pela pasta em redes sociais, informou o governo federal.

O comentário foi feito em um post da campanha Imigração, lançada há cerca de um mês pelo Ministério da Justiça para combater a xenofobia e defender a tolerância e o respeito dos brasileiros em relação aos imigrantes que têm chegado ao país.

Em resposta a uma mensagem publicada por um internauta na página do ministério no Facebook, a empresa especializada em mídias sociais que fazia a moderação do conteúdo publicou que os jihadistas, "assim como qualquer outro povo", vêm ao Brasil para "trazer mais progresso" ao país.

A expressão "jihadista" tem sido utilizada desde a década de 1990 por acadêmicos do Ocidente como uma forma de distinguir os muçulmanos sunitas não violentos dos muçulmanos violentos, os chamados "radicais islâmicos". O termo se tornou mais popular a partir dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Integrante do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, o ex-embaixador do Brasil na França Marcos Azambuja disse que os jihadistas são conhecidos por suas posições contrárias ao convívio entre diferentes religiões, que contrasta com o ambiente de tolerância existente no Brasil.

Muitos grupos jihadistas tentam estabelecer Estados islâmicos em seus países de origem, como o Boko Haram, na Nigéria. Outros, como a Al-Qaeda, querem reestabelecer o antigo califado que se estendia da Espanha e do norte da África até a China e a Índia.

Polêmica

No comentário que gerou polêmica nas redes sociais, um internauta afirmou em uma das mensagens da campanha Imigração que "imigrantes pacíficos são bem-vindos", porém, segundo ele, "os jihadistas devem ser bloqueados de entrar no país".

"Temos que desconstruir alguns conceitos, Heder. Os jihadistas, assim como qualquer outro povo de qualquer outra origem, vêm ao Brasil para trazer mais progresso ao nosso país e merecem respeito", escreveu a empresa responsável pela moderação do ministério na campanha publicitária.

A resposta do ministério gerou indignação nas redes sociais. O próprio autor do post que motivou a mensagem do governo classificou de "absurdo" o comentário do Executivo federal.

"Que absurdo. Eu não li isso. Jihadistas são aqueles terroristas radicais islâmicos que invadem cidades saqueando, roubando, espancando, torturando, estuprando e matando as pessoas", rebateu o internauta.

Em razão da polêmica, o Ministério da Justiça publicou uma mensagem no Facebook na qual disse lamentar o "erro cometido".

"O Ministério da Justiça lamenta o erro cometido na resposta na qual confunde jihadistas com um povo. O errao crasso foi corrigido", ponderou a pasta na rede social.

Outra polêmica

Em outubro, outro texto da campanha Imigração gerou polêmica nas redes sociais. Na ocasião, uma das peças publicitárias relacionou descendentes de angolanos e ganeses à imigração.

Na postagem, um jovem negro dizia: "Meu avô é angolano, meu bisavô é ganês. Brasil, a imigração está no nosso sangue".

A mensagem do ministério desencadeou uma série de criticas que lembravam que imigrantes dessas nacionalidades vieram para o Brasil "traficados, escravizados".

"Imigrante? pessoas TRAFICADAS e ESCRAVIZADAS foram imigrantes? Alguém nos salve de um Ministério da Justiça desse!", comentou à época uma internauta.

Em resposta às manifestações, o Ministério da Justiça disse aos seguidores na rede social que agradecia as contribuições dos comentários e apoiava a importante discussão sobre a escravidão na nossa história.


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