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Sábado 27.fev.2021

Ano IX - Nº 432

Coluna

A capital morena começa a virar cidade grande

Cidade passa por teste de resistência com a crise política.

Postado em 06 de Novembro de 2015 - Josceli Pereira

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Campo Grande, a pacata cidade interiorana do então Mato Grosso uno, de ruas largas e terreno plano cortada de pequenos córregos e uma arborização que atrai para sua sombra pessoas, pássaros e outros animais em busca de abrigo e alimentos. Ela, com menos de quatro décadas galgou o título de "Capital Morena" e tornou-se a sede do estado de Mato Grosso do Sul. Assistiu ao crescimento diário da sua população com uma verdadeira avalanche de migração de pessoas oriundas dos mais diversos recantos do Brasil e do mundo. Todos em busca do desenvolvimento que aflorava na instalação da nova capital.

Uma miscigenação de culturas, costumes, estilos de vidas e sotaques ecoou nesse pequeno território, fundado por José Antônio Pereira e seu pessoal nos idos de 1870, quando descobriram esta terra e aqui resolveram fincar raízes.

Desse passado distante, com mais de século, somente imagens de fotos antigas permanecem como testemunhas de como eram suas paisagens. Aquela bucólica cidade do interior assistiu, sem pressa, a chegada da estrada de ferro e servia de entreposto para um estado de grandes extensões de terras que, aos poucos, foi dando lugar à exploração da atividade pecuária e mais tarde, com a chegada da colonização gaúcha, o cerrado foi pintado de verde e amarelo, oriundo da expansão da agricultura.

Com o desenvolvimento urbano tivemos a concentração das atividades administrativas dos Poderes, as maiores ofertas de opções de educação nos níveis superiores, as preferências dos maiores comércios e a referência da saúde concentrada em Campo Grande.

Com este crescimento veio também a parte onerosa do desenvolvimento: o aumento do custo de vida, a violência, necessidade de mobilidade urbana, a expansão dos serviços públicos e, principalmente a abertura de oportunidades laborais para recepcionar o aumento da população. Tudo isto precisa ser planejado, administrado e com fundamento na continuidade de projetos. Nada pode ser feito de forma empírica e ao bel prazer do pensamento do administrador. Não podemos admitir que o poder público aja como um pontuador de ações. É preciso ordenamento nas ações de forma continua e eficiente.

Campo Grande cresce em média 10 mil habitantes por ano e precisa ser planejada, pois esta massa populacional passa a integrar a necessidade de mobilidade, escolas, saúde e empregos.

Hoje Campo Grande cresce em média 10 mil habitantes por ano e precisa ser planejada, pois esta massa populacional passa a integrar a necessidade de mobilidade, escolas, saúde e empregos. É preciso planejar de que forma e onde o setor público precisa dar ênfase para suprir a demanda, além de otimizar suas receitas para neutralizar as despesas provenientes destas ações.

Só como comparativo poderíamos dizer que nossa capital morena cresce anualmente uma cidade do porte de: Brasilândia (11.903), Glória de Dourados (9.992), Guia Lopes da (10.136), e Sete Quedas (10.832). Não podemos mais ignorar esses dados, principalmente pelo fato de que daqui para a frente esses números tendem a ser mais expressivos. É necessário pensar que Campo Grande não pode mais ser entregue à administração sem critérios. Já é uma cidade grande.

A política é a porta de entrada dos administradores da nossa capital. Diante disso vamos observar que a escolha dos nossos administradores (prefeito e vice) e dos fiscalizadores (vereadores) é feita pelos eleitores inscritos no município. Vale ressaltar que as decisões e ações administrativas, além das Leis criadas e da fiscalização da aplicação das mesmas devem ser de interesse da coletividade.

Campo Grande passa atualmente por um grande teste de resistência e assiste tristemente durante os últimos 3 anos uma verdadeira crise institucional provocada entre os poderes constituídos e que está repercutindo na continuidade das ações públicas que afetam a população. Tem muita lama e cafezinho nesta história! É o período triste da nossa história política!

O interesse da coletividade precisa sobrepor às negociatas de interesse político de grupos. O cidadão deve ter a sua disposição um serviço de excelência. Os interesses econômicos particulares não podem ser maiores que o bem estar da população.

Com a proximidade das eleições é necessário que o campo-grandense comece a perceber sua reponsabilidade na escolha dos seus dirigentes políticos, pois serão por esses representantes que nossa capital morena será conduzida no futuro. Da escolha correta vem a qualidade de vida, a tranquilidade social e harmonia necessária para que o desenvolvimento ordenado do nosso município possa contribuir para o crescimento do Mato Grosso do Sul.

Lembre-se que é o seu dinheiro pago através dos tributos que será gerenciado e aplicado nos serviços à população. Não permita que este dinheiro tenha outro fim. Hora de pensar sobre como localizar pela observação a figura do estadista e afastar a politicagem do poder.

Foi dito que a diferença entre o político e o estadista é que o político pensa em si mesmo e em seu partido, ao passo que o estadista pensa no povo e na nação. "Um político se converte em estadista quando começa a pensar nas próximas gerações e não nas próximas eleições" (Winston Churchill, o grande estadista britânico). Estadista é aquele governante que não trabalha apenas pelo sucesso eventual do seu governo, mas que tem uma visão das necessidades futuras do seu território e trabalha para criar as bases desse futuro.

Campo Grande precisa do seu respeito...

Pense nisto!


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