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Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

O cinema muda o mundo?

Até onde vai o poder do cinema em transformar a vida das pessoas

Postado em 06 de Novembro de 2015 - Danilo Custódio

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Muitas vezes me pego discutindo com os amigos sobre como o cinema transforma a vida das pessoas. Isso porque até hoje reflito comigo mesmo sobre como ele transformou a minha vida, quando decidi largar tudo que tinha lá em campão pra vir aqui pra cidade do pinhão estudar a tal da sétima arte. Os filmes mexem com a gente de forma tão intensa que acabamos nos transformando por dentro e por fora. Muitas vezes, depois de ver um filme, queremos ser como os personagens, nos vestir e falar como eles. Em outros casos é uma transformação mais profunda e, logo após a sessão, ficamos ali pensando sobre a vida, sobre a nossa existência. Mas as transformações acontecem não apenas quando assistimos a um filme, mas também quando vivenciamos um.

Recentemente dirigi meu primeiro curta financiado através de lei de incentivo. Pai aos 15 conta a história de Gerson, adolescente morador da periferia que precisa cuidar do irmão mais novo quando a mãe se ausenta para trabalhar. Nessa oportunidade, fomos gravar em Colombo, região metropolitana de Curitiba. Ali, conhecemos vários garotos e tivemos contato com sua realidade. A mãe de um deles, sempre que me encontra, relata como aquela experiência mudou a vida dela e dos filhos.

Discutindo justamente esse aspecto do impacto do cinema em nossas vidas, chega as telonas tupiniquins um documentário muito interessante: Cidade de Deus – 10 anos depois. Com direção de Cavi Borges e Luciano Vidigal, o filme pretende analisar a forma como o cinema impactou na vida dos atores do filme de 2002, dirigido por Fernando Meireles. Vale a pena conferir. Fique de olho na fã-page e acompanhe os lugares onde a filme já pode ser visto.

Fanpage

 

INDICAÇÃO

A dama na água (Lady in the Water)

Luciano Maccio

M. Night shyamalan cometeu alguns erros ao longo de sua carreira em Hollywood, mas nos presenteou com os icônicos O sexto sentido e Sinais. Este segundo divide a opinião da crítica, mas em minha opinião é um dos melhores filmes sobre invasão extraterrestre. Hoje trago um filme considerado mais um fracasso do diretor – injustamente, diria eu. A dama na água é um conto de fadas para adultos, baseado em uma história que o diretor contava aos seus filhos antes de dormir.

Cleveland Heep (Paul Giamatti) é gerente de um condomínio de moradias. Triste, cansado e com um passado traumático, vive de maneira simples, resolvendo os problemas banais das pessoas com as quais convive. Quando então surge na piscina desta vivenda comunitária uma narf chamada Story (Bryce Dallas Howard), uma ninfa aquática que muda a vida de Cleveland e de todos os habitantes deste lugar.

À primeira vista é um enredo simples e infantil, como dito pela crítica na época de seu lançamento. O que surpreende no filme é a sensibilidade e densidade emocional da narrativa e das histórias das personagens, principalmente de Cleveland, que durante o filme nos revela um fato de seu passado que explica sua depressão. A história vai nos envolvendo e trás momentos que nos travam a garganta e nos emocionam. Bryce nos apresenta uma personagem linda e sensível, marcante por sua estética pálida e gestos fluídos, quase como se ela mesma fosse feita de água.

A dama na água é um filme leve e que emociona. De enredo simples, mas inteligente. Que faz uma sátira com o processo de se produzir uma história nos dias atuais. Um filme que também fala de revolução através da mente e nos introduz isso de maneira suave e lúdica, sem faixa etária. Nesse longa, qualquer idade vai encontrar entretenimento garantido.

 

CRÍTICA

O Vale das Bonecas já não é mais o mesmo

Andy Jankowski

Em De volta ao vale das bonecas, mais uma vez Russ Meyer se mostra fã da subversão nessa comédia musical nonsense inundada de rock'n'roll, humor negro e erotismo anárquico. O filme é uma sátira de O Vale das Bonecas (1967), dirigido por Mark Robson e o tom moralista da obra em plena época da contracultura é motivo de piadas por parte do diretor que havia se comprometido a fazer uma continuação de "O vale das bonecas" e entregou um produto, bem...

O filme mostra três lindas garotas que tem uma banda chamada "The Carrie Nations" e que partem para Hollywood em busca de sucesso. O que encontram por lá é muito sexo, nudez, festas psicodélicas e alguns assassinatos. Garotas independentes, bissexuais, roqueiras, bocudas e tudo mais que Russ Meyer tem para oferecer de melhor. Então, como em todo filme dele, pegue a pipoca, o cobertor, tire as crianças da sala e boa diversão.

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