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Sexta-Feira 07.ago.2020

Ano IX - Nº 404

Coluna

Marco Marco: mais queer que nunca

Desfile da coleção em Los Angeles quebrou a Internet na última semana.

Postado em 23 de Outubro de 2015 - Guilherme Cavalcante

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A gente sabe que os desfiles de moda já são um espaço assim, digamos, mais tolerante, embora o mercado ainda seja muito dominado e voltado às mulheres. Mas sustentar uma marca voltada ao emergente público LGBT é que são elas.

O estilista Marco Marco (Marco Morante) é quem faz isso muito bem. Na última semana, ele conseguiu mais uma vez ser ousado mantendo sua marca registrada, por meio do desfile mais queer de todos os tempos, um verdadeiro 'must watch' (logo abaixo). O runway contou com uma verdadeira performance, com a participação (já clássica) de drag queens (boa parte delas ex-participantes do reality show Rupaul's Drag Race), personalidades e ativistas LGBT.

Marco Marco é o designer californiano conhecido pela linha de underwear estilizada e pelas peças exclusivas que desenhou para artistas como Nicki Minaj, Katy Perry (os sutiãs de Cup Cake em California Dreamin' são criação dele), Britney Spears e Fergie.

Destaques do desfile vão para Raja, Yara Sofia, Alyssa Edwards, Detox, Shangela (todas ex-RPDR), Vicky Vox (performer drag), Aydian Ethan Dowling (o modelo trans polonês que estampou este mês a capa da Men's Health), Mathu Andersen (maquiador e produtor de RuPaul) e, claro, o queridinho Brendan Jordan (aquele fã da Gaga que causou soltando quilos de pinta numa filmagem de canal de TV americano). Assiste aí, bee!

BAAANG!

Dia difícil na vida da 'tradicional família brasileira'. Depois de ser absolvida pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, órgão que monitora abusos na publicidade no Brasil), a 'polêmica' propagando de O Boticário que retratava casais gays no Dia dos Namorados saiu com o prêmio máximo do Effie Ward Brasil 2015, voltado às peças publicitárias.

A vitória joga uma pá de cal em cima do receio que as marcas têm de direcionar publicamente, por meio de anúncios, seus produtos ao público LGBT. O que se vê no horizonte é que cada vez mais as publicidades e até linhas especiais de produtos sejam direcionadas ao segmento.

Com isso, há também a possibilidade de se aumentar a representatividade na representação do público LGBT nas peças. E nós sabemos muito bem que representatividade importa. Recentemente, por exemplo, uma linha de cosméticos da Avon divulgou peça publicitária celebrando o Outubro Rosa com uma modelo transexual.

A peça "Um dia dos namorados para todas as formas de amor" foi criado pela agência BBDO e teve direção do conceituado Heitor Dhalia. A peça foi escolhida por unanimidade pelo júri do Effie Ward Brasil.

Para todas as mulheres

Mulheres transexuais vítimas de relacionamentos abusivos também terão proteção da Lei Maria da Penha. É o que determinou, no último dia 19, a 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Na situação julgada, a vítima, que é mulher transexual, conseguiu ser beneficiada por medidas protetivas conforme preconiza a lei e o ex-parceiro não poderá se aproximar nem entrar em contato com a vítima, seus familiares e testemunhas do processo.

Negado em primeira instância, sob a justificativa da mulher não ser biologicamente uma 'fêmea', a ação foi ganha em segundo grau, após a desembargadora considerar que a lei deve ser interpretada de forma ampla, sem ferir o princípio da dignidade da pessoa humana.

"A expressão 'mulher', contida na lei em apreço, refere-se tanto ao sexo feminino quanto ao gênero feminino. O primeiro diz respeito às características biológicas do ser humano, dentre as quais a impetrante não se enquadra, enquanto o segundo se refere à construção social de cada indivíduo, e aqui a impetrante pode ser considerada mulher", afirmou a desembargadora.

Infelizmente, a decisão do TJ só abrange o Estado de São Paulo, mas abre precedente e jurisprudência para que seja repercutida também em outras unidades de federação.


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