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Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna

Mataram um Índio...

Mataram um índio, mataram um índio, mais um... Quem matou?

Postado em 25 de Setembro de 2015 - Elis Regina Nogueira

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“Mataram um índio, mataram um índio, mais um... Quem matou?”. É a pergunta que não cala, pois a cada dia acontece mais um assassinato, mais um ataque a um Tekoha, lugar sagrado, espaço de pertencimento que lhes foi roubado a preço de sangue. Incrível é ver a omissão do Estado brasileiro, a impunidade do judiciário, a mentira da mídia, a manipulação das bancadas ruralistas nos legislativos do país, o silêncio sobre a verdade dos massacres genocidas e mais tantos outros interesses em jogo. Na tentativa de quebrar o silêncio, grupos de teatro de rua, coletivos culturais e movimentos sociais do Brasil se juntaram e organizaram rapidamente o Ato Nacional em defesa do povo Guarani Kaiowa. Acreditando que diante da guerra que está instalada se faz necessário unir forças e com arte e enfrentamento, parar a cidade. Como um grito de socorro, dar um basta a impunidade e ao silencio. Diante da emergência e a eminência de mais uma morte por tiro, atropelamento ou fome não podemos nos calar e deixar de denunciar nas ruas, para que Brasil saiba e o mundo veja e interfira. Dia 17 de setembro, o Brasil foi para as ruas e em Campo Grande não foi diferente, com roupas brancas, tinta vermelha representando o sangue dos índios, faixas, palavras de ordem, performance, gritos e passeata fechamos a rua para lembrar que o sangue  do índio corre em nossas veias  e a falta de memória ou sentimento nos faz esquecer que fazemos parte dessa história. No mesmo dia mais um Tekohá foi  atacado, mulheres, crianças e um rezador ferido. Até quando? quantos ainda morrerão? Quando os assassinos serão julgados? ”Mataram um índio, mataram um índio, mais um”... Quem matou?” E você tem sangue de índio? E você o que fará?

Fernando Cruz ator - diretor de teatro

Na quinta-feira, 17 de setembro, artistas e movimentos sociais ocuparam as principais avenidas do centro de Campo Grande MS em defesa à vida dos povos indígenas. 

O ato foi organizado pelo Coletivo Terra Vermelha e pelo Imaginário Maracangalha.


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