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Sábado 29.fev.2020

Ano VIII - Nº 382

Poder

Lula pode ser ouvido na Lava Jato

Não há provas contra o ex-presidente, mas PF quer saber se ele foi beneficiado pelo esquema montado na Petrobras.

Postado em 11 de Setembro de 2015 - Redação Semana On

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato com sindicalistas em defesa da Petrobras. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato com sindicalistas em defesa da Petrobras.

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Em relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira (10), o delegado da Polícia Federal Josélio Azevedo de Sousa solicitou que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva seja ouvido em inquérito no STF que trata de parlamentares com foro privilegiado como desdobramento da Operação Lava Jato.

O pedido ainda será analisado pela Procuradoria-Geral da República. Pelas regras em vigor no STF, os pedidos da PF só são avaliados pelo ministro relator dos casos da Lava Jato, Teori Zavascki, depois de uma manifestação formal do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Se Janot for contrário à ideia de ouvir Lula, o ministro do STF não irá ouvi-lo.

Em seu relatório, o delegado reconhece que não há provas do envolvimento direto de Lula, porém considera que a investigação "não pode se furtar à luz da apuração dos fatos" se o ex-presidente foi ou não beneficiado "pelo esquema em curso na Petrobras", "obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal".

Ao citar eventuais indícios sobre o papel de Lula no esquema da Petrobras, o delegado reconheceu que o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa apenas "presumem que o ex-presidente da República tivesse conhecimento do esquema de corrupção", tendo em vista "as características e a dimensão do mesmo".

O delegado frisou que "os colaboradores, porém, não dispõem de elementos concretos que impliquem a participação direta do então presidente Lula nos fatos".

Além de Lula, o delegado quer que sejam ouvidos os políticos do PT Rui Falcão, presidente do partido, José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli, ambos ex-presidentes da Petrobras, José Filippi Jr., ex-tesoureiro das campanhas de Lula e Dilma Rousseff, e os ex-ministros Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e José Dirceu.

O delegado também pediu que sejam ouvidos políticos do PMDB e do PP, como os ex-ministros Francisco Dornelles e Mario Negromonte.

Em visita a Buenos Aires, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não foi informado do pedido feito pela Polícia Federal para que seja ouvido no inquérito que apura o esquema de corrupção na Petrobras. "Não sei como comunicaram a você e não me comunicaram. É uma pena", disse Lula, ao ser questionado.

Renan se defende

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou em depoimento à Polícia Federal que não tem relação próxima ou que não conhece os principais personagens do esquema de corrupção na Petrobras.

Admitiu, porém, que o ex-diretor Paulo Roberto Costa esteve em um almoço em sua residência particular, levado pelo deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), mas diz que na ocasião o PMDB negou dar-lhe apoio para assumir uma outra diretoria da estatal.

Participavam do almoço o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o atual ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). "Afirma jamais haver tido contatos privados com Paulo Roberto Costa" diz o depoimento.

Até mesmo sobre o deputado Aníbal Gomes –apontado pelas investigações da Operação Lava Jato como o intermediário de Renan no esquema e que não soube explicar à PF como seu patrimônio saltou de R$ 300 mil para R$ 6,8 milhões em quatro anos– , o presidente do Senado diz que sua relação com ele é "protocolar" e que os encontros com o colega de partido foram "eventuais".

Ainda sobre Gomes, Renan admitiu que um de seus filhos trabalhou por dois anos no gabinete do deputado, mas disse que esse foi um pedido do irmão, Olavo Calheiros, que foi quem teria lhe apresentado Aníbal Gomes.

Renan afirmou não conhecer o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano – que fechou acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato–, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção, e disse que não apadrinhou os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Paulo Roberto Costa, todos acusados de envolvimento com os desvios.

"Jamais autorizou, credenciou o consentiu que Fernando Soares, o deputado Aníbal Gomes ou qualquer outra pessoa pudesse falar em seu nome a fim de oferecer apoio político do PMDB a Paulo Roberto Costa", diz o depoimento de Renan.

O presidente do Senado admitiu que Zelada "recebeu apoio político do PMDB da Câmara" para assumir a diretoria Internacional, mas que não o conhece e não participou do processo de sua indicação.

Sobre Cerveró, também ex-diretor da área Internacional, Renan diz que esteve "duas ou três vezes" com ele e que provavelmente os encontros ocorreram dentro do Congresso Nacional, para tratar de assuntos "institucionais".


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