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Sábado 29.fev.2020

Ano VIII - Nº 382

Poder

Lobista que negocia delação indica que entregará a cúpula do PMDB

Gráfica investigada na Lava Jato é alvo de suspeitas no TSE.

Postado em 28 de Agosto de 2015 - Redação Semana On

O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, detido pela Operação Lava Jato. O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, detido pela Operação Lava Jato.

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Apontado com operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, indicou para integrantes do Ministério Público Federal que pode entregar informações sobre a suposta participação de três figuras de peso do partido nos desvios de recursos da estatal.

Ele citou os nomes do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (RN), e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

O lobista também adiantou que tem como fornecer mais elementos sobre o papel de Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, no esquema.

Embora não tenha detalhado a atuação de trio peemedebista ou de Cerveró, Baiano adiantou que pode contribuir com informações novas. Essa é a condição imposta pelos investigadores para fechar o acordo, que garantiria ao lobista penas atenuadas pelos crimes que cometeu.

As conversas com Baiano começaram há cerca de um mês, em Curitiba, onde o lobista está preso numa cela da Superintendência da Polícia Federal desde novembro de 2014. Só na última semana, ele teve dois encontros com os procuradores.

Apesar de não ter assinado os termos da delação, o que deve ser feito na próxima semana, o acordo está praticamente fechado, segundo fontes ligadas à Policia Federal e à defesa do lobista.

Os maiores entraves aconteceram devido ao tempo de prisão. A defesa queria que, com a colaboração, Baiano saísse imediatamente da cadeia, mas a Procuradoria não cedeu. O mais provável é que ele saia apenas em novembro.

Baiano também tentou a negociar morar fora do Brasil, já que sua mulher tem cidadania americana. O argumento do operador era que gostaria de reconstruir a vida no exterior com a família. Novamente o Ministério Público vetou o pedido.

Cunha, Renan e Cerveró já são alvo da Lava Jato. Cunha foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada por corrupção e lavagem de dinheiro. Cerveró já foi condenado, também por corrupção e lavagem de dinheiro. Renan é alvo de inquérito em curso no STF.

Procurados, Renan e Henrique Alves informaram que não iriam se pronunciar. O advogado de Eduardo Cunha não retornou os contatos feitos pela reportagem. A assessoria do PMBD afirmou que jamais autorizou quem quer que seja a se apresentar como operador da legenda.

Já Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, disse que informações colhidas em delações premiadas de suspeitos presos em Curitiba não têm qualquer credibilidade. De acordo com ele, esses personagens sofrem terror psicológico e só aceitam falar para se verem livres da carceragem da PF.

Questionado sobre a possibilidade de o ex-diretor da Petrobras se tornar delator, Ribeiro disse que "não haverá delação premiada.

A defesa de Cerveró preparou um material volumoso, com 25 anexos, e até o filho do ex-diretor vem acompanhando as reuniões com a Procuradoria. Mesmo assim, as conversas não evoluem, já que os procuradores consideram insuficiente o que ele vem relatando.

O executivo comoveu os companheiros da carceragem por passar a madrugada de quinta ( 27) chorando ao receber a notícia de que sua negociação não estava indo bem. Cerveró recebe todas as semanas a assistência de um psiquiatra.

Gráfica sob suspeita

Uma gráfica que pode ter repassado propina para o ex-deputado André Vargas, que deixou o PT no ano passado, está entre os alvos da investigação promovida pelo ministro Gilmar Mendes, integrante do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas contas da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição.

A gráfica Braspor emitiu uma nota fiscal de R$ 350 mil como comprovante de prestação de serviços à campanha de Dilma que não foi declarada pelo comitê da petista à Justiça Eleitoral. Por isso, caiu na malha fina do TSE.

A empresa é fornecedora do PT há anos e também prestou serviços a outros partidos, como o PSDB e o PSB. Ela virou alvo da Lava Jato ao lado de várias firmas que repassaram dinheiro a uma empresa fantasma de André Vargas, hoje preso em Curitiba por suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras.

Entre 2013 e 2014, a Braspor fez ao menos três depósitos na conta da LSI, a empresa mantida por Vargas. Os pagamentos somaram R$ 79 mil.

Segundo o Ministério Público, o dinheiro era pago por indicação da agência de publicidade Borghi/Lowe, que tinha vários contratos com o governo. Ela subcontratava as firmas para executar serviços e, em troca, pedia que repassassem parte dos ganhos à empresa de Vargas.

Ao examinar as contas da campanha de Dilma, o TSE encontrou a nota fiscal da Braspor mas não localizou referência à gráfica na prestação de contas do PT. Por isso, o ministro Gilmar Mendes incluiu a Braspor numa lista de empresas que mandou a Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo investigar.

Só em São Paulo, Mendes pediu que a Fazenda checasse a situação de 20 empresas que prestaram serviços à campanha de Dilma. O ministro também pediu informações a órgãos de outros Estados, como Santa Catarina.

Os fiscais da Fazenda paulista estiveram na Braspor e relataram a Mendes que a gráfica confirma ter sido contratada pelo PT, mas diz que não recebeu o pagamento pelo serviço prestado até hoje.

Paulo André, um dos sócios da Braspor, disse que produziu 35 mil triedos, uma espécie de totem de papelão com três faces, com imagens de Dilma e do então candidato do PT a governador de São Paulo, Alexandre Padilha. Ele diz que ficou "chateado" por não ter recebido pagamento.

Nesta semana, Gilmar Mendes pediu ao Ministério Público de São Paulo que investigue uma empresa registrada em nome da empregada doméstica Angela Maria do Nascimento, em Sorocaba (SP), que recebeu R$ 1,6 milhão da campanha petista.

Outro lado

Por meio de nota, o PT afirmou que a Braspor não aparece na prestação de contas da presidente Dilma Rousseff por nunca ter sido contratada pela campanha.

A versão dos donos da Braspor é que a empresa prestou o serviço, entregou o material de campanha e levou um calote de R$ 350 mil da campanha de Dilma.

"Não faço ideia de por que a campanha não declarou. Lançamos a nota porque era nossa obrigação de fornecedor", disse Paulo André dos Santos Gomes, um dos sócios.

"Fico chateado por não ter recebido até hoje. Não é um valor pequeno", queixou-se.

Sediada em Osasco (SP), a empresa alega ter produzido 35 mil peças de papelão para serem afixadas em cavaletes com imagens de Dilma.

Gomes disse não se lembrar dos pagamentos à empresa do ex-deputado André Vargas, preso na Lava Jato.


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