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Sábado 05.dez.2020

Ano IX - Nº 422

Coluna

Palavras e significados

A palavra empreendedorismo - Parte 1

Postado em 21 de Agosto de 2015 - Jorge Ostemberg

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“Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade” (Florbela Espanca – dicionáriocriativo.com)

É básico, mas se costuma esquecer que as palavras, por mais que os dicionários sejam precisos em seus esforços de explicação genérica, oferecendo ainda certa lista de diferenciais para cada palavra, é necessário esforço de entendimento honesto e real. Aqui mesmo, no parágrafo recém terminado, já temos um exemplo do complexo sentido mental que cada palavra oferece, oferecendo logo de princípio que nossas mentes têm que resolver, em exercícios comuns de discurso do dia-a-dia. A palavra diferencial, dita em determinado ambiente, em uma oficina ou círculo de pessoas que lidam com automóveis, logo será entendida como: “conjunto de engrenagens que transmite às rodas motrizes o movimento do motor, permitindo que, nas curvas, elas se movam com velocidade diferente uma da outra”. Já, a mesma palavra dita em círculos dados à linguagem culta como ferramenta, ou próxima de tal linguagem, muito provavelmente a maioria já entenderá que se está referindo a uma comparação, em que há algo distinto em um elemento, objeto ou indivíduo.

O exercício com a linguagem é extremamente necessário no mundo do empreendedorismo, desde para um feirante que grita que os frutos de sua banca são melhores, mais doces e a melhor custo-benefício, até o fechamento de um negócio de altas cifras financeiras, geralmente conduzido por vários nichos de interesses gerais e próprios; o advogado está ali para garantias legais, mas visando seus honorários, que dependerão igualmente do sucesso da operação. Mas não é somente aos nichos específicos que as palavras precisam de uma sequência harmônica de ondas de entendimentos dos significados que carregam, para que, conforme o contexto, iniciem e completem sua utilidade, dando entendimento às pessoas, do que querem que fique claro.

E o exemplo da palavra diferencial, aqui ainda nos é útil. É certo que se tivéssemos a maravilha ocorrência de que todos as pessoas que têm domínio de leitura lessem esse artigo, em Campo Grande, MS; certamente haveria muitos: “ah, isso é que é diferencial...”. No caso do significado automotivo, a maioria, certamente, e no caso do diferencial em termos de comparação, haveria também certo número de “surpresa”, mas a maioria seria uma constatação. E na verdade, ouso arriscar o palpite de que é incerto se a maioria das pessoas de leitura e comunicação básica em linguagem, não optaria logo para o sentido automotivo da palavra diferencial.

Essa abertura textual é para amparar uma ocorrência com a palavra empreendedorismo. A má compreensão por parte de muitos, dessa palavra como danosa aos bons quereres socialistas, algo como se tal palavra abrigasse um mundo de significados em que se deixa ao relento todo aquele que carece de certo grau de iniciativa, criatividade e potencial de investimento, em geral. Infelizmente existe essa compreensão equivocada, em essência, e há larga escala no número de pessoas que demonizam a palavra empreendedorismo e não é esse o caso de acertar quanto a referida significação.

O próprio Houaiss, como já colocada aqui essa palavra, dá abertura de entendimento: 1 “disposição ou capacidade de idealizar, coordenar e realizar projetos, serviços, negócios; 2 Iniciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes, ger. Com alterações que envolvem inovação e riscos”.

Quem não tem um mínimo de disposição ou capacidade de idealizar? Coordenar e realizar um projeto, serviços, negócios? Quem não é capaz de implementar um novo negócio ou alguma mudança em uma empresa? Sejamos honestos, basta um pouco de esforço e compreendemos que todo indivíduo com o mínimo de capacidade intelectiva, se desvia-se do medo natural de palavras que em isolado ou em conjunto lhe soam intelectualizadas, desde que não tenha sérios problemas de incapacidade física ou mental, pode se enquadrar no perfil de empreendedor e começar algo, o mínimo que seja, com a tradicional carga de erros necessária a qualquer sujeito que precise, e quem nunca preciso disto (?) arriscar um início de algum negócio, seja de qual natureza e grau for.

Satanizar a palavra empreendedorismo, atinge certo sucesso, em termos, simplesmente porque há mesmo um movimento grande, da presença de estruturas políticas no mundo todo, e especialmente na nossa América do Sul, que preferem uma espécie de paternalismo paralisante, nisso atribuindo muito mais incapacidades que incapacidades, embora a história completa do mundo sempre tenha dado provas que desde as tribos primárias em raciocínios e tecnologias, o homem dá jeito de suprir-se e aos seus.

Obviamente, quando nos referimos aos papéis governamentais e de iniciativas de socorros (ONGs e associações de apoio social outras) aos menos providos em geral, com maior falta de fortuna, indivíduos e grupos deverão receber maior atenção para que mudem suas situações. Obviamente o socorro é para ignição, para que estudos, captação técnica, leque de oportunidades laborais mudem a vida dessas pessoas. E mesmo quando passam do relento a uma colocação social decente, precisarão empreender, em si e no ambiente onde colhem o suporte financeiro para obterem os frutos da vida.

A essência empreendedora nos indivíduos e grupos começa tão cedo que é impossível de precisar para cada um o início. Mas é possível afirmar que antes mesmo do primeiro período objetivamente preparatório para o trabalho como meio de ganhar proventos de vida. No entanto, deixemos de tocar nesta área que serve mais aos estudos diretamente sociológicos e vamos, leve e brevemente, à área de Piaget, Vigotski, Paulo Freire e tantos outros, área da Educação.

A Educação como área governamental e social, nada mais é que a primeira e grandemente importante etapa, do preparo laboral, e, por excelência é um nicho de experiências de empreendedorismo. E nem estamos falando de iniciativas acadêmicas em que os alunos já às portas da efetividade em trabalho remunerado, realizam incursões experimentais estagiárias ou não, dando demonstrações em como serão suas iniciativas e desempenho “lá fora”. Falamos mesmo do período fundamental, onde várias tarefas, já nos primeiros meses de escola, propriamente dita, requerem iniciativa, criatividade, inovação, em experiências que serão avaliadas e formalmente notificadas. E o papel do Estado, aí? Pois é nesse papel que os críticos do empreendedorismo apontam a origem de suas ojerizas ao papel de empreendedor.

O Estado tem que dar condições de estudo, e, mal ou bem, conforme os problemas de inúmeras ordens (ou desordens) neste país têm havido vagas, têm havido oportunidades para quem tenha o mínimo (sim, o mínimo necessário) de esforço para se colocar em uma sala de aula, ouvir as aulas, coletar informações, responder às propostas interativas com boa disposição, e seguir, até ter em mãos o certificado de aprendizados adequados à extensão de oportunidades possíveis; estar pronto para em um leque no mínimo razoável, em país que precisa tanto de mão-de-obra especializada, dispute colocação e empreenda.

Empreender não é apenas abrir uma empresa. E mesmo que disso apenas se tratasse, não se escaparia à interatividade social benéfica, pois, com isso, se geram empregos, distribuem rendas, alavanca-se a sociedade real que realmente inventamos e dela nos serviços, enquanto um modelo geral não é constituído.

Esta é a primeira parte do tratamento neste assunto, o significado da palavra empreendedor, em que se toca por segunda, porém mais detidamente vez, tanto que teremos a parte 2 da abordagem temática, desta vez recorrendo à sítios que tratam do assunto, para apresentar outras opiniões e deixar também explícito o que é empreendedorismo, propriamente dito.


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