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Quinta-Feira 26.nov.2020

Ano IX - Nº 420

Coluna

Os jornalistas estão preparados para os cibermeios?

É fato consumado que o futuro do jornalismo está nos cibermeios.

Postado em 21 de Agosto de 2015 - Gerson Martins

Foto: Fernanda Nogueira Foto: Fernanda Nogueira

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Um artigo de opinião, como são estes textos, geralmente na página 2 dos jornais impressos ou em colunas nos cibermeios permite que o autor possa exercer sua criatividade no conjunto da estrutura, na escolha do título e, eventualmente até mesmo na escolha, no caso dos cibermeios, dos hipertextos, das imagens. Exemplo desta característica, muito bem trabalhada, está nos artigos do Pedro Matar que publica suas reflexões nas quartas-feiras no jornal O Estado de Mato Grosso do Sul. Isso para expressar que não é recomendável, no geral, usar negativas ou mesmo interrogativas para títulos de textos jornalísticos, fato que não ocorre para textos opinativos.

Para corroborar com a questão colocada no título e na perspectiva de que os novos, futuros e até mesmo os veteranos do jornalismo estejam preparados para produzir notícia nos cibermeios. É fato consumado que o futuro do jornalismo está nos cibermeios. O desenvolvimento das plataformas de produção em geral, como redação, edição, apuração e publicação estão cada vez mais complexas e com inúmeros recursos disponíveis. É um equívoco menosprezar, esquecer as potencialidades da internet em geral para a riqueza da informação jornalística. O que ainda falta para a explosão do jornalismo na internet é exatamente a fórmula de se obter lucratividade, ou seja, qual o modelo de negócios que proporcione às empresas jornalísticas possibilidades de um investimento sólido e amplo para que os cibermeios jornalísticos utilizem as propriedades produtivas da internet. As limitações orçamentárias, hoje, determinam que o jornalismo nos cibermeios, o ciberjornalismo, seja basicamente texto, que não se diferencia do jornalismo impresso e, portanto, não traz qualquer novidade, à exceção da instantaneidade da publicação de notícias.

Experimente acessar notícias dos principais cibermeios locais no seu smartphone! Será que você consegue ler essas notícias de forma confortável? Será que o texto publicado estimula a leitura? Ou leva os leitores apenas aos títulos e nada mais?

A explosão, nos últimos meses, do acesso às notícias pelos dispositivos móveis, ou seja, pelos celulares e tablets determina, inflige uma nova maneira de produzir informação. É necessário ir além do texto puro, de uma única foto. A pergunta do título se amplia, os jornalistas estão preparados para a produção de notícias para os dispositivos móveis, mais, as empresas jornalísticas estão preparadas para os dispositivos móveis? É um desafio! Experimente acessar notícias dos principais cibermeios locais no seu smartphone! Será que você consegue ler essas notícias de forma confortável? Será que o texto publicado estimula a leitura? Ou leva os leitores apenas aos títulos e nada mais?

O acordo firmado entre os principais jornais do mundo com o Facebook para a difusão de notícias implica em pelo menos três fatores, além, obviamente da tentativa de descobrir um modelo de negócios que proporcione lucratividade para as empresas. Num primeiro momento essa associação teve como objetivo ampliar a quantidade de acessos às notícias desses jornais considerado a quantidade de pessoas que usam o Facebook. Se o jornal tem mais acessos, terá maior lucratividade. Num segundo momento se trata da forma de propagação das notícias. O usuário do Facebook vai compartilhar as informações que considera interessante.  Num terceiro momento, a forma como será disponibilizada as notícias nos dispositivos móveis, o grande desafio das empresas jornalística e que, neste momento, pode ser resolvida pela plataforma Facebook. E, por último, exatamente o aumento da receita direta, ou seja, aquilo que o Facebook vai repassar às empresas jornalísticas. Em síntese, os grandes do jornalismo estão muito preocupados em como fornecer o noticiário pelos celulares.


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