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Quinta-Feira 03.dez.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

A contribuição do CFJ para a qualidade da formação do jornalista

Conselho vai proporcionar apoio e reforço na qualificação dos cursos universitários de jornalismo.

Postado em 14 de Agosto de 2015 - Gerson Martins

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A criação do Conselho Federal dos Jornalistas (CFJ) vai proporcionar apoio e reforço na qualificação dos cursos universitários de jornalismo. No projeto está prevista a figura do “professor-jornalista” ou jornalista-professor como categoria profissional a ser respaldada e defendida pelo CFJ. Esse fato reforça também que o jornalista enquanto professor nos cursos de Comunicação Social/Jornalismo ou nos cursos de Jornalismo, exerce a função jornalística e terá as prerrogativas como profissional do jornalismo. A partir de setembro de 2015 todos os cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo deverão adequar os projetos pedagógicos e alterar a nomenclatura para Curso de Jornalismo, conforme as novas Diretrizes Curriculares. A Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ e o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, além da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) foram entidades importantes para esse novo cenário dos cursos universitários de Jornalismo.

O Fórum Nacional de Professores de Jornalismo tem proposta para criar um mecanismo de avaliação dos cursos de forma independente e autônoma. Deverá funcionar como uma espécie de certificação “ISO”. As instituições, públicas ou privadas, poderão receber essa avaliação, isenta, independente e assim obter uma certificação que não seja nem governamental, nem interna. Essa perspectiva terá um reforço se apoiada e compartilhada pelo CFJ. A própria Ordem dos Advogados do Brasil - OAB instituiu, há alguns anos, essa certificação, pela qual, anualmente, divulga a relação dos cursos que têm sua recomendação. Embora polêmica, a certificação é procurada pelas escolas privadas como forma de obter credibilidade, e para isso não medem esforços para a qualificação de sua estrutura, desde corpo docente a bibliotecas e infra-estrutura de laboratórios. O Conselho Federal de Jornalismo tem função importante nesse processo de avaliação porque vai regulamentar a profissão e observará o funcionamento dos cursos. Desde 2001 a FENAJ é parceira do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo como entidade que organiza a classe profissional formada nas escolas de jornalismo, por meio dos professores de jornalismo.

Enquanto a classe profissional dos jornalistas não tiver uma entidade que proteja e garanta seus direitos, a atividade e os profissionais estarão submetidos a condições precárias de trabalho.

Na medida em que se regulamente a profissão e para que os novos profissionais tenham qualificação necessária para competir no mercado, que preza pela qualidade da atividade e garante inserção, o Conselho Federal dos Jornalistas atua de forma indireta na melhoria dos cursos de formação em jornalismo nas universidades. Num futuro não tão distante se poderá criar mecanismos para fortalecer a qualificação do profissional, como os chamados Exames de Qualificação Profissional adotados pela OAB – Exame de Ordem – e pelo Conselho Federal de Contabilidade – Exame de Suficiência. Nesse aspecto, será necessária uma intrínseca parceria entre as escolas de jornalismo e o CFJ, mediada pelo FNPJ e pela FENAJ. Não se pode entender que, atualmente, a formação superior em jornalismo caminhe distanciada da instituição que regula a atividade profissional. Quantos “focas”, ou seja, jovens jornalistas fazem sua filiação aos Sindicatos logo após o registro no Ministério do Trabalho? Se houvesse uma pesquisa a esse respeito - se desconhece qualquer iniciativa nesse aspecto - poderá se observar que a priori menos de 10% dos egressos, nos últimos 10 anos, são sindicalizados e consequentemente têm consciência das políticas profissionais.

O FNPJ, FENAJ e SBPJor em documento entregue ao MEC como contribuição ao projeto de Reforma Universitária enumerou pontos importantes para a qualificação do ensino de jornalismo, principalmente no que diz respeito ao processo de avaliação, qualificação docente e infra-estrutura dos cursos. No documento, as instituições sugerem ao ministério a criação de Comissões de Gestão da Qualidade da Formação em Jornalismo, prevista no Programa Nacional de Estímulo à Qualidade da Formação em Jornalismo assinado pelo FNPJ, FENAJ, INTERCOM, Compós, Abecom e Enecos.

Estudantes de jornalismo e professores devem se dedicar ao estudo e debate do projeto de criação do Conselho Federal dos Jornalistas, criar espaços privilegiados para essa discussão no âmbito das escolas de comunicação e dos sindicatos dos jornalistas, para que tenham plena consciência do que isso tudo poderá acarretar para sua atuação profissional. Isso é imprescindível até mesmo para que tenham clareza na distinção, na avaliação e discernimento de toda crítica sobre o projeto veiculado pela mídia quando o projeto foi apresentado no Congresso.

O projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo deve ser retomado, os jornalistas e estudantes de jornalismo devem trabalhar pela sua aprovação, pois criará mecanismos de proteção e, principalmente, de qualificação da profissão e do profissional.

Enquanto a classe profissional dos jornalistas não tiver uma entidade que proteja e garanta seus direitos, da mesma maneira que o fazem a OAB, Conselho de Medicina, CREA, entre outras, a atividade e os profissionais estarão submetidos a condições precárias de trabalho, às constantes demissões em grupo, à exploração de estagiários a quem se cobra uma produção profissional e, principalmente, aos baixos salários.


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