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Sexta-Feira 22.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

O visagismo aplicado à moda

O hairstylist vai muito além do corte de cabelo, ele deve harmonizar a imagem do rosto com o estilo da roupa e dos acessórios de seus clientes.

Postado em 07 de Agosto de 2015 - Vivianne Portugal

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A elite da moda se alinha às grandes tendências sociais, justamente a despadronização e a personalização, que se aplicam a todos os segmentos da sociedade, não somente à moda ou à beleza. A massificação e a imposição de determinado estilo perdem espaço porque, para que uma pessoa tenha estilo, ela precisa expressar sua individualidade por meio de sua aparência e das suas roupas. Ela precisa "vestir" as qualidades de sua personalidade, seu estilo de vida, seus princípios e suas convicções e, se torna bela, quando expressa tudo isso de acordo com os princípios de harmonia e estética.

O conceito do visagismo se baseia exatamente nos mesmos princípios. Fernand Aubry dizia que cada mulher é única e tem sua própria beleza e que o trabalho do hairstylist é revelar suas qualidades. Foi o primeiro profissional de beleza a perceber que o estilo do cabelo tinha que estar em sintonia com a maquiagem.

Nos anos 90, Claude Juillard criou o termo total look. Significa harmonizar a imagem do rosto com o estilo da roupa e dos acessórios e estender os princípios do visagismo à moda. Na realidade, a determinação do estilo começa com o corte do cabelo, porque o rosto é a identidade de uma pessoa. Se o corte for realizado seguindo uma tendência, sem considerar a individualidade da pessoa, não há possibilidade de criação de um estilo pessoal. Para isso, inicialmente, a pessoa necessita identificar as suas qualidades de personalidade e, consequentemente, definir o que deseja expressar por meio da sua imagem pessoal.



Ela consegue fazer isso sozinha, quando compra suas roupas, podendo mesclar peças de diversas marcas e criar um estilo próprio. Caso tenha conhecimento de técnicas de auto-maquiagem, além de maquiar-se, também pode orientar quem cuida de suas sobrancelhas. Já, o homem pode estilizar seu próprio bigode, barba e costeletas. Mas, as pessoas dependem do cabeleireiro para estilizar o corte de cabelo.

O estilista de moda tem liberdade de criar uma coleção que reflete seu pensamento ou uma filosofia, assim como artistas criam obras que expressam seu pensamento. O hairstylist só pode trabalhar desta forma quando apresenta uma coleção em um evento de beleza, com o intuito de estimular a imaginação das pessoas e mostrar novas possibilidades. No dia-a-dia do salão ele não tem o direito de impor seu pensamento e suas preferências às suas clientes. É o cliente que tem de definir o que deseja expressar, algo difícil para a maioria porque nunca pensou sobre sua imagem nesses termos.

Na hora de cortar o cabelo, tanto o cliente quanto o cabeleireiro, geralmente pensam somente na parte estética - o que pode ficar "bonito". O cliente pode ter uma idéia do comprimento e da cor que deseja, e talvez de um corte de que gostou, mas não vai muito além disso. Porém, criar a imagem e estilizar o cabelo, é muito mais do que isso. É determinar a identidade de uma pessoa, algo que tem grande influência no seu estado emocional, na sua auto-estima e nos seus relacionamentos. O estilista é um visagista. Sabe fazer uma consulta com o cliente, na qual o ajuda a definir uma intenção, e conhece a linguagem visual que permite transformar a intenção numa imagem bela.

O hairstylist pode aprender muito observando o que acontece nos grandes desfiles e nos trabalhos dos estilistas. O trabalho de ambos se complementam e têm o mesmo propósito e estão a serviço da beleza e do principal desejo das pessoas atualmente: expressar-se com individualidade e personalidade. Isso é ter estilo!!!

Texto: Philip Hallawell (artista Plástico e especialista em visagismo)


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