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Quinta-Feira 14.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Coluna

Greve na UFMS e suas implicações

Uma atitude extrema em um momento extremo.

Postado em 31 de Julho de 2015 - Gerson Martins

UFMS em greve. UFMS em greve.

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Os professores e servidores técnico-administrativos entraram em estado de greve, direito assegurado ao trabalhador prevista na Constituição brasileira, artigo 9º, o que provoca fatos que afetam boa parte da população de Campo Grande e do estado, e até mesmo de outras localidades, visto que no atual sistema de ingresso nas universidades federais, por meio do Enem e Sisu, há centenas de estudantes oriundos de diversos estados. A situação vai atrasar os procedimentos educacionais e, portanto, a conclusão de curso de vários estudantes. Também afeta, mesmo que em muitos casos indiretamente, a produção da pesquisa. Muitos projetos de pesquisa dependem de equipamentos e materiais que com a situação de greve não estão acessíveis.

A situação chama a atenção da população para diversos problemas que enfrenta a universidade pública federal, que depende dos recursos financeiros do governo e, portanto, dos impostos pagos pelo cidadão para o funcionamento regular. A primeira perspectiva toca diretamente os estudantes que estão em fase final de curso e, muitas vezes, aguardam a conclusão para o seu planejamento profissional e familiar. Também vai influenciar na vida de centenas de famílias que residem em outras cidades e até mesmo fora do estado de Mato Grosso do Sul. Se estes permanecem em Campo Grande, geram despesas para as famílias. Se retornam para suas casas, podem esvaziar as manifestações que todo processo de greve deve ter. Toca ainda nos serviços que a universidade oferece à comunidade, seja por meio dos projetos de pesquisa, de extensão ou pelos laboratórios, clínicas que prestam serviço à população.

Se a educação é prioridade para o governo federal, o mínimo que se espera é um aumento nos investimentos e garantias de custeio que promovam a melhoria da educação.

Do outro lado da situação também afeta o trabalho de professores e estudantes envolvidos em projetos de ensino, de pesquisa e de extensão. Processos, procedimentos são suspensos ou mesmo cancelados. Enfim, é um prejuízo generalizado para a cidade, para o estado, para o país.

E então por que se recorre a este expediente, a esta forma de manifestação trabalhista? É preciso entender que esta situação é uma atitude extrema, tomada quando não se obtém compromisso dos gestores do governo federal, responsável pelas universidades, para que os procedimentos, equipamentos, estrutura estejam em condições mínimas de trabalho. E ainda, e principalmente quando os salários dos professores e pessoal técnico não atende as necessidades básicas desses trabalhadores.

É do conhecimento de todos que o país registra inflação anual em média de 10% que corrói os salários. O poder de subsistência dos trabalhadores diminui nessa situação. O professor universitário dedica, ao longo de sua vida, longos anos para sua formação, sua qualificação. Um professor leva, ao todo, desde a graduação até a pós-graduação cerca de 10 anos para se qualificar. O custo financeiro, seja pessoal e público, dessa qualificação não é pequeno. Depois de tantos anos de qualificação, outros tantos de dedicação à pesquisa, ao ensino seus rendimentos financeiros, seu salário é muito menor do que de profissionais em atividades que não demandam tantos anos de estudos.

Se a educação é prioridade para o governo federal, o mínimo que se espera é um aumento nos investimentos e garantias de custeio que promovam a melhoria da educação e a garantia de que haverá brasileiros qualificados nas mais diversas áreas profissionais e do conhecimento. É a ciência, o conhecimento científico adquirido nas universidades que promove o crescimento de uma nação e, consequentemente, a melhoria do bem-estar social.


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