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Quinta-Feira 14.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Coluna

Zé ruela ou mau funcionário

Um problema de competência – Parte 2

Postado em 31 de Julho de 2015 - Jorge Ostemberg

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“Muitos empregados que se queixam da estupidez do seu patrão, estariam desempregados se ele fosse mais esperto” (Chuck Combs – Site “O Pensador”).

 

Verificamos no artigo anterior que zé ruela é um termo comum empregado quando se quer desmerecer principalmente um funcionário ou alguém em desempenho geral de função, e que na maioria das vezes o culpado de haver espaço para uso do termo é justamente quem o usa, pois não contrata devidamente, não oferece o treinamento adequado, enfim, administra mal uma questão de pessoal, sem harmonizar de maneira segura o emprego de um colaborador.

Resta verificarmos alguns aspectos sobre qual é, de fato, o mau funcionário. Mesmo com toda boa vontade possível de dar razão às intuições primárias, teremos dificuldades, pois muitos são os aspectos que podem dar a definição de um mau funcionário. Chegar constantemente atrasado, ter mau humor, faltar à ideal higiene – hálito, etc -, dificuldade constante de aprender o novo, não “vestir a camisa”; enfim, são muitas as variáveis neste caso. Tratemos de alguns aspectos, através dos sítios que tocam no assunto.

As demissões são a maior marca de evidência sobre maus desempenhos de funcionários. Não se mantém, naturalmente, um indivíduo na empresa, que não está desempenhando ao menos na média, as tarefas que lhe são atribuídas. Em um dos jornais da Globo encontramos uma manchete afirmando que o mau comportamento dos funcionários é o segundo maior motivo de demissão.  Trata-se de exposição de resultados de uma pesquisa da Catho, com 50 mil profissionais, e figuram como principais problemas: mau relacionamento com o chefe e com os colegas, além de faltas e atrasos; em geral, o mau desempenho está em primeiro lugar como motivador. Dão-se algumas características dos indivíduos de mau desempenho: descompromisso, não cumprir prazos; pessimismo, negativar projetos; individualismo, falta de aptidão para trabalho em equipe; vaidade, busca reconhecimento o tempo todo, a fofoca e criação de intrigas.

Sobre fofocas no ambiente de trabalho, que é algo de fato pernicioso, sempre, a Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná traz em seu site que, junto com mau comportamento, a fofoca motiva 80% de demissões. É um índice bastante alto. Mas também são causas que aparecem com constância as faltas e atrasos. Hoje também é alto o número de demissões pelo desleixo dos funcionários com a própria imagem “Blusas decotadas, calças caindo, unhas sujas e cabelos desarrumados prejudicam a credibilidade de um profissional”, observa Edna Barros, da Universidade São Judas Tadeu, lembrando que a observação nestes aspectos é cada vez mais presente no mundo empresarial, desde a fase de recrutamento. Nota-se os recrutamentos se tornaram mais analíticos, existem muitas empresas utilizando-se não apenas de entrevistadores, mas de bancas avaliadoras e, conforme Deise Gueler, coordenadora de desenvolvimento de RH da Festo, conforme informa o site referenciado, “Durante os processos seletivos da empresa, se avaliam desde conhecimentos gerais dos candidatos, até a forma como fala, se veste, relata fatos da vida pessoal”.

No UOL seção de comportamento, encontramos também uma listinha de cinco perfis negativos, quanto a funcionários. Tem o tipo “reclamão injustiçado”, se queixa o tempo todo de não reconhecimento, nada está bom para ele; prejudica minando rendimento de equipe e se cria imagem de empresa que não valoriza funcionários. Recomenda-se com este uma exigência de mudança de postura, ou simplesmente dispensa. Tem-se ainda o preguiçoso, sempre com desculpas para prazos, muita promessa pouca produção; o rebelde, que não quer saber de feedback e não respeita ordens, costuma querer cargos acima de sua capacidade; tem o insatisfeito com a remuneração, que tem força de influenciar negativamente os colegas, promovendo espírito de revolta. Tem-se o psicopata; que mente, toma crédito por trabalhos alheios, espalha mentiras, produz fofocas e não vacila quando pode humilhar colegas. Na maioria desses casos o remédio tem que ser administrado rapidamente, e é forte; conversa direta, franca e um próximo (bastante próximo) passo é mesmo a demissão.

Para a Método Consultora é possível estabelecer comunicação específica para solução de alguns casos e manutenção de um colaborador, com o entendimento que pode mudar e ser produtivo. Aconselham que seja preparado, que lhe sejam mostradas as evidências de que está falhando e como isso pode ser evitado. Parte da comunicação pode ser via escrita, comunicação específica, em que se mostra como vem sendo feitas as tarefas e como devem ser feitas. Antes de indicar os caminhos, pode se indagar ao funcionário sobre sua própria opinião quanto ao que está ou não acontecendo.

A competência, enfim, é questão quanto aos maus funcionários, porém, mais que ela, em si, deve se verificar com constância aquilo que Sócrates, o filósofo, nos deixou de herança: “o que é mesmo que queremos de nós e dos que estão conosco?”. Pois muitas e muitas vezes a questão da competência é muito mais de querer, que qualquer coisa outra.


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