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Ano IX - Nº 438

Saúde

Queixas ligadas a remédios crescem 20% ao ano no país

Para indústria farmacêutica, número de reclamações é baixo.

Postado em 17 de Junho de 2015 - Redação Semana On

Desde 2007, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária recebeu 82.730 notificações de eventos adversos e falhas técnicas relacionadas a remédios. Desde 2007, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária recebeu 82.730 notificações de eventos adversos e falhas técnicas relacionadas a remédios.

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Queixas relacionadas a medicamentos têm crescido nos serviços de saúde. O sistema de notificações pelo site da Anvisa é relativamente novo. Desde 2007, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu 82.730 notificações de eventos adversos e falhas técnicas relacionadas a remédios.

Em 2007, foram 2.172 reclamações. No ano seguinte, foram 5.705, aumento de 163%. A partir daí, crescimento médio foi de 20% ao ano.

Do total, 44 mil notificações são de queixas técnicas, quando o problema antecede o uso e é ligado ao próprio produto. São os casos em que há suspeitas de falsificações, falta de registro e desvios de qualidade.

A outra parte se refere a eventos adversos: danos não intencionais causados após o uso dos produtos, seja por reações imprevistas, erros de medicação ou prescrições inadequadas, por exemplo.

Para especialistas, o número real de problemas deve ser ainda maior, sobretudo nos casos de eventos adversos. O problema tem levado o setor a buscar novas formas de registro e a incentivar uma mudança de comportamento.

"O paciente tem que perder o medo de perguntar. Ele tem todo o direito de saber que remédio está tomando", recomenda Walter Mendes, da Fiocruz. Para ele, isso pode ajudar a evitar problemas de doses e remédios errados.

O paciente pode ainda se informar sobre contra-indicações e a evolução do tratamento, para que as reações não sejam confundidas, diz Charles Schmidt, diretor da SBMF (Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica).

Reorganização

Segundo a Anvisa, o crescimento no número de registros ocorre após uma reorganização do setor.

Schmidt concorda. "Não é que os remédios estão causando mais eventos adversos. O que houve é um empoderamento do paciente e intensificação do treinamento médico para que notificassem. Se as pessoas não notificam, não sabemos o que está acontecendo com os remédios."

A maior parte das queixas ainda vem de profissionais de saúde e instituições. Pacientes relatam dificuldade de acesso ao sistema.

Após as notificações à Anvisa, a agência pode tomar medidas que vão da alteração da bula à suspensão da comercialização e recolhimento do medicamento.

Segundo o órgão, os efeitos adversos mais notificados são casos de hipersensibilidade, mas cujo benefício do medicamento justifica o risco na utilização.

Em 2014, por exemplo, ao menos 95 remédios tiveram a comercialização ou uso suspensos –a maioria após identificação de falhas na qualidade do produto, como mudanças na aparência, erros na embalagem e até troca de um remédio por outro.

Contraponto

Para indústria farmacêutica, número de queixas ligadas a remédios é baixo. Representantes da indústria dizem investir em sistemas de farmacovigilância para monitorar os casos de eventos adversos e outros problemas com medicamentos.

Para a indústria, no entanto, o número de notificações e de medicamentos recolhidos por queixas técnicas e eventos adversos é baixo. "A quantidade de recall é residual", afirma Telma Salles, da Pró-Genéricos. Ela diz que os produtos passam por testes de eficácia, qualidade e segurança.

Salles atribui o aumento nas notificações à maior fiscalização pela Anvisa e a uma conscientização do paciente. Em alguns casos, o registro também vem das próprias indústrias.

"Todas as empresas hoje mantêm um departamento para acompanhar isso", afirma Nelson Mussolini, do Sindusfarma, sindicato que reúne as principais indústrias farmacêuticas do país.

Segundo ele, o efeito adverso é natural em qualquer produto e é preciso distinguir eventos como esses com casos de intoxicações por mau uso, como automedicação.


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