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Sexta-Feira 20.set.2019

Ano VIII - Nº 363

Entrevista

Entrevista - Tenente-coronel Jonildo Theodoro

Má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante.

Postado em 20 de Fevereiro de 2014 - Victor Barone

Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante.
Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante. Foto: Erônemo Barros
Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante. Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante. Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante. Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante. Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante. Tenente-coronel Jonildo Theodoro: má educação no trânsito de Campo Grande causa tantos transtornos quanto casos potencialmente mais perigosos como a alta velocidade e o uso de álcool ao volante.

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No comando do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPTran) em Campo Grande – mais conhecido como Companhia Independente de Policiamento de Trânsito (CIPTRAN) – desde  outubro de 2013, o tenente-coronel Jonildo Theodoro tem a missão de pacificar um trânsito que a cada dia torna-se mais violento.  Apesar da redução do número de óbitos por acidentes na capital do Mato Grosso do Sul, a frota de 474 mil veículos e uma estrutura que ainda não é a ideal, tornam o trabalho da CIPTRAN um desafio constante. Além dos problemas causados pela alta velocidade e pelo consumo de álcool ao volante, a má educação do motorista gera transtornos à cidade. Só no ano passado foram quase 300 autuações por estacionamento irregular em guia rebaixada (obstrução de garagens, etc).

 

Por Victor Barone

O campo-grandense tem o péssimo hábito de estacionar sobre calçadas, na frente de garagens, na faixa de pedestre. É uma questão cultural?

Sim, há também uma forte questão cultural. Num primeiro momento tentamos sensibilizar as pessoas a obedecerem as normas e regras de trânsito por meio de campanhas educativas. Obviamente aqueles que teimam em desobedecer a fiscalização são autuados. Temos uma política baseada em três pilares. Primeiro a educação - e temos feito campanhas frequentes -, depois a prevenção e finalmente a fiscalização.

O senhor considera necessária a realização de campanhas educativas para mitigar este tipo de prática?

Campo grande evoluiu bastante neste sentido. Temos muitas campanhas educativas em parceria com o Detran e a Agetran, sempre buscando a conscientização e a sensibilização das pessoas.

Como a CIPTRAN tem atuado para coibir esta situação?

Realizamos blitz educativas, de forma preventiva, e a repressão. Estes que insistem em agir de forma errada sentem no bolso, pois a repressão tem este fator educativo. Quem é multado pensa duas vezes antes de cometer a mesma infração. Estamos evoluindo, mas não estamos ainda no ponto ideal. Basta realizarmos uma blitz de meia hora para termos horas de trabalho. Há muito desrespeito. Somente no ano passado foram 328 autuações por estacionamento em guia rebaixada (entrada de garagem, etc).

Quem é multado pensa duas vezes antes de cometer a mesma infração.

Este tipo de fiscalização é feita também a partir de denuncias?

Sim. Através de denuncia pelo 190, que é o telefone do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS). As viaturas do batalhão de trânsito são coordenadas por este sistema. Basta ligar no 190 que despachamos uma viatura nossa. Além disso, temos as motocicletas que fazem outros tipos de serviços.

A Ciptran cuida da cidade inteira, e obviamente não pode privilegiar setores específicos. No entanto a região do Jardim dos Estados é foco constante de casos de estacionamento irregular sobre calçadas, obstrução de garagens etc. Há alguma ação específica nesta região?

A fiscalização ocorre na cidade toda por meio das rondas. A questão do estacionamento irregular é gerida pelo artigo 181. É uma infração grave e a penalidade é a multa de R$ 127 e a remoção do veículo.

Estacionamento irregular costuma ser uma situação irritante. Há quem defenda a lei de talião, descontando a frustração sobre o veículo estacionado irregularmente. Como o cidadão, confrontado com este tipo de situação deve proceder?

Num primeiro momento fazer justiça pelas próprias mãos não é o caminho. Quem faz isso incorre em crime. Tem que acreditar nas autoridades constituídas. O correto é ligar no 190 e solicitar uma viatura para que se sane o problema.

Fazer justiça pelas próprias mãos é crime. Tem que acreditar nas autoridades constituídas. O correto é ligar no 190 e solicitar uma viatura.

Há quem fotografe estas infrações e compartilhe nas redes sociais. Serve de prova para punir quem estaciona irregularmente?

Ajuda a educar. A pessoa vê seu erro exposto e pensa duas vezes antes de errar novamente. Mas, para termos de penalização não tem influência. O Código de Trânsito prevê que o agente fiscalizador tem que constatar a infração in loco. Ele não pode agir sem esta abordagem.

Outro grave problema no trânsito em Campo Grande é o excesso de velocidade aliado ao uso de álcool por motoristas, especialmente nos finais de semana. Como a CIPTRAN tem agido para coibir esta situação?

De 2012 para 2013, por conta das ações que desenvolvemos, reduzimos em 13,4% o número de morte no trânsito. É um índice muito satisfatório e está acima de outras capitais do mesmo porte. Isso mostra que estamos no caminho certo. No fim de 2013 fizemos blitz diárias com muitos flagrantes de alcoolemia, reduzindo os acidentes. Continuamos a fazer estas blitz, cerca de duas por semana. Temos pesquisas feitas pelo de Gabinete Gestão Integrada (GGI) que mostram a relação entre alta velocidade e alcoolemia como o grande inimigo a ser combatido. Está se correndo demais nas vias de Campo Grande. Com estes estudos, estamos atacando as duas causas. Em parceria com o Detran e a Agetran estamos definindo ações para que neste ano possamos reduzir ainda mais os óbitos com campanhas, prevenção e repressão.

Pouco mais de um ano após o endurecimento da Lei Seca houve melhoras no combate ao uso de álcool ao volante?

Sim. Antes de dezembro de 2012, aquelas pessoas que fossem pegas dirigindo embriagadas se recusavam a fazer o teste do bafômetro e saíam sem penalidade alguma. Às vezes eram pessoas abastadas, e a multa R$ 950 nem fazia diferença. A lei ficou mais rígida. Se o cidadão se recusar a fazer o teste do bafômetro temos outros meios para gerir provas e punir. Esta sensação de punibilidade foi fundamental.

Está se correndo demais nas vias de Campo Grande. É preciso que a população se conscientize.

Como será a ação da CIPTRAN durante o carnaval?

Vamos intensificar a fiscalização. Num primeiro momento com material preventivo, para sensibilizar as pessoas. Num segundo momento, e durante o carnaval, partiremos para a fiscalização em si.

Quais as principais dificuldades da CIPTRAN?

Campo Grande cresceu, e em consequência o trânsito ficou mais intenso. Pensando nisso, nosso comandante transformou a Companhia de Trânsito em um Batalhão em setembro de 2013. O Governo fez um concurso para ingresso de 500 policiais este ano e estamos aguardando o efetivo que nos cabe, 50 homens, para otimizarmos as ações. No ano passado recebemos um reforço e conseguimos realizar uma blitz diária. Nossa capacidade hoje é de 2 a 3 por semana. Pretendemos retomar estas blitz diárias. Mesmo assim, com efetivo atual, estamos dando conta do recado e os números mostram isso, com a redução de óbitos no trânsito.

Que conselho o senhor daria ao motorista campo-grandense no sentido de evitar problemas no trânsito?

É preciso se conscientizar e obedecer às leis. Mesmo se tivéssemos um policial em cada esquina teríamos pessoas infringindo a lei na primeira oportunidade. É uma questão cultural, como já dissemos. Temos muito a evoluir. O cidadão tem que entender que o dia em que ele obedecer todas as leis de trânsito não haverá mais acidentes. Este é o ideal que seguimos. Gostaria de comandar uma blitz um dia sem achar nenhuma irregularidade. Fazemos o possível. Mas, se o cidadão não se conscientizar de suas responsabilidades, vamos continuar com problemas no trânsito.

Ouça a entrevista na íntegra.


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