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Sábado 27.fev.2021

Ano IX - Nº 432

Coluna

Hora de fechar portas

É preciso considerar.

Postado em 08 de Maio de 2015 - Jorge Ostemberg

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“Fechar ou não fechar a empresa, eis a questão” (Vários autores).

Aqui já consideramos bastante sobre os diversos aspectos que fazem de um negócio um empreendimento de sucesso tal que é possível acreditar na longevidade suficiente para se construir uma marca. Uma marca é, como se tratou aqui, algo que distingue a existência de uma empresa solida de uma empresa não tão segura. E mesmo uma empresa com forte marca, pode dar sinais claros de que fechar e migrar, pode ser uma necessidade.

Também já se falou durante nossa instalação de artigos neste veículo, sobre as crises e o aspecto de que estas podem significar época de robustecimento, em vários negócios, e não de derrocada ou significativa queda no mercado, mas é preciso considerar a existência de situação tal que não resta outra alternativa senão fechar portas. E é preciso considerar aí, inclusive, que isso pode significar justamente um momento de mudança para apostar em uma evolução econômica que não haveria se houvesse permanência no antigo empreendimento.

Então, de fato, muitas vezes, como apontam alguns que tratam do tema, é realmente necessário fechar portas, sem que isso signifique jogar a toalha no mundo dos empreendimentos.

Mas é preciso considerar que realmente, em muitas das vezes, fechar uma empresa nada tem a ver com a época, se é de crise ou não, pois muitos podem ser os motivos, em sua maioria de ordem de má administração, originada em previsões e organização fraca dos projetos que alavancam a criação empresarial. Fatores como falta de planejamento, financeiro ou estratégico, ou má condução em momentos de crises pontuais, específicas e esse fato é bastante comum, pois o SEBRAE aponta simplesmente a média de 30% de fechamentos empresariais no primeiro ano de instalação. E um problema de ordem psicológica é muito comum no momento em que o empresário percebe que é mesmo hora de fechar sua empresa, ele pode negar-se dos fatos, por razão de orgulho, de não querer enfrentar uma realidade negativa.

No site Terra, em seu sítio específico de economia, encontramos a informação que Evaldo Alves, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e Denis Mello, diretor-presidente da FBDE, consultoria de marketing, vendas e gestão nos traz que a decisão de fechar um negócio é tão complexa, tão difícil como decidir empreender. E que há muitas vezes a conexão entre fechar um negócio e abrir outro concomitantemente, o que traz ainda mais complicadores. Os consultores observam que o melhor conselho geral é o seguinte: “jamais ser pego de surpresa”. Para tal, uma medida empresarial importante é que as empresas, independentemente do porte, realizem sempre, ao menos uma vez por ano, diagnósticos operacionais e estratégicos, para controlar fluxo de caixa, planejamento orçamentário e avaliar o mercado e concorrência.

Em Pequenas Empresas Grandes Negócios, sobre o tema encontramos a seguinte pergunta “O que posso fazer para não fechar a minha empresa?”. Há aí um tom comovente, em que Eduardo Bom Angelo, titular da cadeira de Empreendedorismo do Ibmec de São Paulo e presidente da Brasilpreve, inclusive autor de um livro sobre empreendedorismo o “Empreendedor Corporativo”, responde que deve haver tranquilidade em tal situação, e verificação sobre necessidade, de fato, quanto ao fechamento da empresa, à mudança de negócio. Em sua opinião, naturalmente deve haver planejamento, e em conjunto com os projetos de abertura de novo negócio, ao tempo que se providencia de maneira adequada o encerramento da empresa anterior. Deve haver frieza, porém o marketing deve ser preponderante, uma vez que será extremamente necessário em continuidade empresarial.

Na verdade, teimar em não fechar uma loja, um negócio, um empreendimento, pode comprometer as chances de melhor recomeçar um outro. É preciso ser realista e realizar o dificultoso ato, em termos psicológicos e práticos. E quais as providências a serem tomadas?

Quais os “sintomas”? A Organizze aponta quatro sinais: 1 aumento no número de reclamações dos clientes: são sinais muito fortes de que as coisas vão mal, afinal de contas os clientes entendem sempre melhor de serviços e produtos, no tocante à qualidade, naquilo que querem; 2 - aumento  na rotatividade de funcionários, eles, com os clientes sempre percebem antes do empreendedor os sinais de que a empresa vai mal; 3 - impactos nos fluxos de caixa, o site acompanha a afirmação do SEBRAE de que a desorganização financeira é a principal causa para a mortalidade das empresas no Brasil, a gestão amadora poderá decretar um fim empresarial; 4 - outro sinal é a baixa produtividade, afinal, produzir é na verdade a resposta à razão da existência de uma empresas. Há outros sinais, mas estes, de maneira geral são inconfundíveis no aspecto de haver uma “luz vermelha” brilhando, piscando e dizendo “alerta, alerta”.

Conforme aponta o site dino.com.br, que traz orientações do SEBRAE, o indivíduo empresarial deve em primeiro lugar procurar um Posto da Receita Federal, solicitar uma posição do CNPJ e com a consulta verificar que irregularidades devem ser acertadas se existem, antes de encerrar a empresa. Há certa demora, ás vezes, pois os procedimentos carregam uma essência protetiva, contra possíveis golpes de evasão para não realizar acertos de débitos fiscais ou outros. Estando com a documentação correta e imprimindo procedimentos corretos, o processo é mais célere. Tem que obter as devidas baixas de inscrição e medidas ligadas às várias indesviáveis tributações, em ponto que se recomenda um profissional adequado, um contador. Este orientará em todos os procedimentos, inclusive sobre cancelamentos de inscrições em órgãos de registro de Prefeitura de Município e Fazendo Estadual, ao final deverá haver Negativa de Débitos do INSS e Certidão Negativa do FGTS. O Site Dino ainda lembra sobre o caso de haver sócios, em que se deve elaborar o “Distrato Social”, que registra término de atividades, esse é o primeiro passo quando há sociedade, em que após tal providência, deve se procurar um especialista.

As crises, por vezes, levam a se pensar em fechar as portas, no mundo empresarial, em determinados momentos; no entanto sempre deve prevalecer a razão. E o conselho empreendedor, com base em tudo que se pesquisa sobre o assunto, é que a pior maneira de se tomar decisões, é tomá-las sozinho; e se para abrir uma empresa é necessário se procurar os conselhos de quem é especialista em cada aspecto, o mesmo deve ocorrer quando parece ter chegado o momento de fechar portas, que muitas vezes é um parecer equivocado.

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