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Quarta-Feira 24.fev.2021

Ano IX - Nº 431

Coluna

Eu vou de Bicicleta

Uma divertida música de Emmanuel Marinho sobre a leveza e liberdade de andar de bicicleta.

Postado em 08 de Maio de 2015 - Elis Regina Nogueira

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Quando vi o vídeo clip  “Eu vou de Bicicleta” achei  muito bacana e quis  compartilhar aqui na coluna. Ia escrever um texto... Mas quando li o que Rita Limberti escreveu, desisti. Eu não seria capaz de tão belas palavras e alusões tão interessantes como essa doutora em Linguística e Semiótica.

Compartilho o belo texto e o lindo vídeo clip.

Ele não chega num carrão, nem num avião. Ele vem de BICICLETA. A repetição dos primeiros versos (“Eu vou, eu vou/ eu vou de bicicleta”) no ritmo cadenciado da canção dá origem a contagiante simpatia pelo veículo que no contexto social sofre, de certo modo, uma segregação social.

A bicicleta de Emmanuel é um veículo etéreo, que enleva nossos pensamentos, capaz de adentrar e alcançar, como se fora alada, os mais remotos lugares (mar, campo, montanha, escola, metrô). Com sutil alusão à libertária canção de Gil (Domingo no parque), inaugura citações preciosas (Ladrões de bicicletas, antológica obra prima do cinema italiano, dirigida por Vittorio De Sica, passando pela não menos antológica E.T., de Spielberg) e incursiona pela exploração do léxico (“Bike, magrela/ bici, bici, bicicleta”)– sua marca pessoal – para arrematar o “jogo” lexical com vocábulos que interseccionam o “campo” semântico do futebol e da própria bicicleta (“pedala” e “gol de bicicleta”). Sensacional!

A menção à bicicleta como um valor (num mundo onde se valorizam carros), a alusão a “Domingo no parque”, “Ladrões de bicicleta”, “E.T.”, é tudo que uma criança precisa ouvir. Mesmo que num primeiro momento tais palavras não atinjam o sentido que têm, elas, subliminarmente, se alojam e vão formando uma memória, um patrimônio semântico que vai potencializando, cada vez mais, a capacidade de produzir sentidos, de ler (no sentido amplo), de interpretar, de perceber. Aí se encontra o cerne da proposta da obra de Emmanuel. 

Texto de Rital Limberti - docente e orientadora do Programa de Mestrado em Letras da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

 


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