Semana On

Segunda-Feira 12.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Saúde

Vacina da dengue não tem data para ficar pronta

Diretor do Butantan diz que instituto corre contra o tempo.

Postado em 07 de Maio de 2015 - Redação Semana On

Para Kallil, se começassem agora, em época de muitos casos, os testes mostrariam a eficácia da vacina em três meses. Para Kallil, se começassem agora, em época de muitos casos, os testes mostrariam a eficácia da vacina em três meses.

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O médico Jorge Kalil, 61, tem pressa. O Instituto Butantan, que dirige desde 2011, corre contra o tempo para começar a terceira fase de testes de uma vacina contra a dengue.

A entidade depende da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar continuidade ao projeto, que pode evitar epidemias como a vivida hoje —só na capital, são cerca de 20 mil casos.

No entanto, de acordo com Kalil, o detalhamento e as exigências do processo podem postergar a oferta da vacina à população, que hoje o instituto estima para 2016. Só a aprovação da segunda fase demorou 18 meses.

Para o médico, se começassem agora, em época de muitos casos, os testes mostrariam a eficácia da vacina em três meses. Fora do país, diz, a análise das etapas tem prazos determinados, o que as torna mais rápidas.

Confira a entrevista:

A Anvisa já está analisando o pedido da terceira fase de testes?

A Anvisa acatou a solicitação que nós fizemos e já está analisando o projeto. Fizemos uma reunião informal na sexta (24) para dirimir dúvidas. O processo de análise a gente não sabe [quanto tempo vai demorar]. O último pedido de análise demorou muitos meses. Desta vez, temos a esperança que seja rápido.

Qual a relação entre a vacina do Butantan e a da farmacêutica Sanofi, que pede o registro à Anvisa?

Se eles tiverem o registro e a vacina for utilizada no Brasil, a minha fase de testes terá que ser comparativa com a deles, aí fica supercomplicado. Porque, em vez de testar 17 mil pessoas, vou ter que testar 100 mil. São regras internacionais. Existem problemas com a da Sanofi. O primeiro é a proteção baixa, de 60%. Em alguns casos, ela é muito baixa, menos de 30%. Além disso, tem que ser dada em três doses.

Quando sairá a vacina do Butantan?

Tudo depende de ter a licença, de conseguir vacinar, de ter casos de dengue para mostrar que minha vacina é eficaz, que a Anvisa aceite os resultados e dê o registro. Cada coisinha que eu falei é uma enormidade de trabalho.

O processo é lento no Brasil?

É mais lento aqui do que em outros países porque o Brasil não tem tradição de inovação e saúde. As coisas são criadas, produzidas e testadas nos EUA, na Europa e no Japão. As agências reguladoras aqui são lentas. A pessoa que toma uma decisão positiva [sobre a aprovação da vacina] pode ser responsabilizada, mas se ela disser "não", não acontece nada.

Registramos número recorde de casos. Não aprendemos a lidar com a dengue?

Mesmo com a vacina, sempre vamos ter de controlar o vírus. E fazemos isso controlando os nascedouros do mosquito, o que é difícil. As pessoas não conseguem perceber que podem ter [nascedouros] em casa. Veem vasos de planta, pneus, mas e as calhas? Até que ponto elas se sensibilizam? Antes havia os agentes de saúde. Hoje em dia, muitas famílias nem os recebem porque têm medo de que seja assalto.


Voltar


Comente sobre essa publicação...