Semana On

Quarta-Feira 02.dez.2020

Ano IX - Nº 421

Coluna

Por que os jornalistas são desagregados?

O Jornalismo precisa fortalecer o espírito de união.

Postado em 01 de Maio de 2015 - Gerson Martins

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Há vários anos e com certeza os jornalistas mais antigos lembram muito bem disso, havia os Clubes de Imprensa. Foram associações recreativas que reuniam os profissionais do jornalismo para diversas atividades lúdicas, desde blocos de carnaval – bloco da imprensa ou ainda, até hoje no Rio de Janeiro o bloco “Imprensa que eu gamo”! – até mesmo times de futebol. Em muitos carnavais, os blocos se tornaram tradicionais e concorrentes a melhor bloco de animação e, claro, tinham o apoio das empresas jornalísticas para divulgar suas ações. Os times de futebol disputavam campeonatos, não somente para brincadeira, mas participavam de vários torneios de futebol ou de futebol de salão. E, por paradoxal que possa parecer hoje, os clubes reuniam muitos jornalistas. Evidentemente que para reuniões festivas a frequência era muito alta e é sempre um forte motivador para encontrar os chamados “coleguinhas”, como os jornalistas se referem uns aos outros.

Os clubes desapareceram, embora alguns jornalistas persistam em promover reuniões festivas e chamar de Clube de Imprensa, como há exemplos no interior do estado. Como associações instituídas não há mais atividade. Muitos jornalistas dos clubes se reuniram na base dos Sindicatos dos Jornalistas e para objetivos mais políticos e profissionais do que de lazer. Houve uma dispersão entre os profissionais da imprensa. Também ainda há que considerar a renovação ampla que aconteceu nas redações, que hoje são dominadas por jovens jornalistas. Os veteranos atuam, principalmente, nas assessorias de imprensa e de comunicação, notadamente nas assessorias de políticos. Este perfil de trabalho aproveita o potencial de experiência, de conhecimento com os dirigentes das empresas jornalísticas para conseguir emplacar as “notícias” dos seus assessorados, além de oferecer salários maiores do que nas redações. As redações se tornaram quase que um “trainné” para os novos jornalistas. Embora, estes, se encantam – e com razão – pelo trabalho de produção cotidiana do jornalismo.

A juventude dos profissionais que dominam as redações sai das escolas de jornalismo despolitizada. Se se alguém tem um pouco de senso político, profissional, de classe a guerra pela sobrevivência profissional predomina e se trava batalhas para permanecer no emprego. Isso traz como resultado, além da desagregação entre os profissionais do jornalismo, um aviltamento do mercado profissional e consequentemente baixíssimos salários para o profissional qualificado no ensino universitário, se comparado às outras profissões de formação superior.

É um paradoxo, pois somente a unidade, a corporação, o espirito de classe dos jornalistas poderá garantir melhorias salariais e condições mais dignas e qualificadas de trabalho. Os jovens jornalistas estão imersos numa “ilha da fantasia” seduzidos pelos seus nomes impressos nas páginas do jornais. Qual jovem jornalista não publicou, atualmente nas redes sociais, frases como por exemplo “a primeira capa ninguém esquece” ou ainda “a primeira reportagem na TV ficará para sempre na memória”! Embora este comportamento seja mais do que adequado e justo, afinal é esforço de anos de estudos e outros tantos de trabalho, o jovem jornalista não deve esquecer sua raiz profissional e a demanda imperativa para garantir a qualificação, o respeito e o reconhecimento de sua profissão.

De outro lado, os clubes de imprensa, sindicatos de jornalistas e qualquer outra associação que contribua para a melhoria e qualificação dos jornalistas devem ser incentivados, devem ser construídos como ação efetiva em prol do jornalismo. As empresas jornalísticas podem e devem contribuir para esse processo, desde que represente ganho social para o jornalismo e, portanto, para suas atividades comerciais.


Voltar


Comente sobre essa publicação...